Justiça do Trabalho bloqueia premiação do Vitória na Copa do Brasil

Desembargadora Ana Paula Machado Diniz, do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, definiu o bloqueio de até R$ 2 milhões de créditos a serem arrecadados pelo clube.

Atletas dos times sub-20 e sub-23 alegam manutenção de salários vencidos. Jogadores do Vitória estão sem receber há mais de três meses
Foto: Pietro Carpi / EC Vitória / Divulgação

O Esporte Clube Vitória saiu de campo, na noite da última quarta-feira (23), aliviado com a classificação para a 3ª fase da Copa do Brasil, ao bater o Glória-RS por 2 a 0. Com a vaga à próxima fase, o Leão da Barra deverá receber R$ 1,9 milhão, o que ajuda a reconstrução financeira do clube. Contudo, a quantia ainda está sob risco de não chegar a agregar nos cofres do Rubro-Negro Baiano, isso porque o Vitória sofreu penhora na Justiça em função de dívidas trabalhistas conforme um acordo global em atraso desde 2021.

 

No ano passado, o clube era gerido pelo presidente afastado Paulo Carneiro. Ainda segundo o site, o dirigente sequer quitou alguma parcela da dívida. Atrelado a isso, o departamento jurídico do clube buscou um acordo, no entanto, não foi aceito pela Justiça.

A desembargadora Ana Paula Machado Diniz, do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, decretou o bloqueio de até R$ 2 milhões de recompensas a serem adquiridas pelo Leão. Da mesma maneira, a profissional também solicitou a notificação para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A reportagem do Futebol Bahiano entrou em contato com a diretoria do clube. O presidente interino Fábio Mota, por meio de nota, esclareceu a situação. Veja abaixo:

“O Tribunal Regional do Trabalho, através do Juízo de Conciliação da 2ª Instância, determinou à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) que bloqueie créditos do Vitória até o limite de R$2.000.000,00 (Dois Milhões de Reais) para cobrir parcelas não quitadas do Acordo Global firmado com credores trabalhistas.

O Acordo Global foi celebrado no ano de 2006 tendo como finalidade impedir a penhora de ativos financeiros do clube, tendo em vista a existência de elevadas dívidas já àquela época. Pelo acordo, o Vitória obrigou-se a fazer aportes mensais para pagamento aos credores trabalhistas, tendo sido renovado periodicamente a partir de então.

O acordo foi cumprido durante anos, mediante aportes mensais e reajustados anualmente, sendo que a partir do ano de 2021 estava previsto o reajuste das parcelas mensais para R$200.000,00. Diante do descenso do Vitória para a Série B, a gestão anterior, presidida pelo Sr. Paulo Carneiro, renegociou com o TRT a manutenção das parcelas mensais, reduzindo-as para R$100.000,00, comprometendo-se, ainda, a fazer dois aportes semestrais de R$600.000,00.

Com o agravamento da situação financeira, o Vitória deixou de pagar as parcelas mensais e, também, não pagou uma das parcelas intermediárias no valor de R$600.000,00. A dívida acumulada, acrescida da multa de 50% prevista no Acordo Global e mais juros e correção monetária, atinge o valor aproximado de R$2.000.000,00.

A dívida que gerou o bloqueio tem a sua origem em fatos ocorridos em gestões anteriores. Porém, a atual administração está empenhada em manter as contas de despesas correntes adimplidas, assim como regularizar o Acordo Global, estando em curso negociações com os advogados dos credores e o Juízo de Conciliação da 2ª Instância do TRT.

Quanto ao atual bloqueio, o Vitória esclarece que está adotando as medidas judiciais cabíveis, na tentativa de reverter a decisão do TRT.

Salvador, 23 de março de 2022
FÁBIO RIOS MOTA
Presidente em Exercício do EC Vitória”

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