O esgotamento de um modelo arcaico no Bahia

O Bahia como administração proposta pelo seu presidente chegou ao seu limite. A fuga dos propósitos de campanha inicial de Marcelo Filho acabaram por deixar o Bahia como os radialistas expressam com tamanho cinismo ou mesmo ignorância de que a oposição ao grupo que controla o Bahia não tem um projeto. Não faltam projetos ao grupo que se dispõe a transformar o Bahia, porém ninguém quer mais colocar em risco sua integridade física e moral.

Essa página virada da história do Bahia da convenção “Gigante Tricolor”, da iniciativa de tricolores colocar uma gestão profissional que fizesse a transição do Bahia arcaico para o tricolor democrático foi abortada pelo atual presidente e o seu grupo. O que tem de verdade sobre a falta de projeto para o tricolor pela oposição é que simplesmente os “donos” do Bahia destruíram com a imposição dos nome dos atuais mandatários.

Esse grupo que comanda o Bahia é o mesmo grupo que não criou alternativas para o projeto “Gigante Tricolor”, é o mesmo grupo que obstaculizou qualquer possibilidade de oposição democrática no Bahia com ameaças e agressões físicas. Quem hoje vai se dispor a se aproximar de pessoas que negam alternativas e que dizem “gostar” do Bahia como se fossem elas as mais verdadeiras, as mais absolutas em suas verdades intangíveis?

O problema do Bahia é de caráter, dizem alguns, outros dizem que o problema do tricolor é de uma aproximação com negócios privados de seus dirigentes. O problema do Bahia passa por muitas nuances, mas é principalmente de negação profunda. A questão de que uma mulher ser de um homem foi resolvido históricamente com o patriarcalismo, hoje superado. Mas o problema quanto aos clubes, associações, ficou uma indeterminação.

Ora o Bahia parece ser de uma família e agregados tipo capitania hereditária, ora parece como uma empresa superavitária com gestão moderna como quando contratou o diretor de futebol Paulo Angione. No entanto, na sua base, muitos não percebem que o Bahia continua o mesmo de sempre! O grupo ora dominante decidiu que o tricolor não fosse de uma comunidade madura de homens cujos interesses pelo menos convergissem para um só fim: o uso da marca Bahia para fins tão só em benefício da instituição.

Muitos dirão que isto está na lei, o código civil explicita que as associações não podem ter como fim o lucro dos seus associados; lucro deve se reverter para ela mesma. Contudo, os fatos divulgados quanto a terceirização das categorias de base do tricolor com empresários, administradores e conselheiros do clube envolvidos é a mais pura reprodução cultural da infantilidade da sociedade baiana.

A falta de transição de poder no Bahia será ainda de seus “donos” porque eles foram forjados na mais pura cultura da vontade pessoal de excluir para legitimar desejos privados. Enquanto o homem moderno está mais para a inclusão e somas de esforços, o Bahia continua refém de uma turma que entende muito bem de negócios privados, contudo é incapaz de ultrapassar os ganhos secundários dos ganhos privados que obtém de bajuladores e falsos interesses que não dignificam a institução.

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