Psicopatia

“O psicopata tem uma auto-estima muito elevada, um grande narcisismo, um egocentrismo fora do comum e uma sensação onipresente de que tudo lhe é permitido. Ou seja, sente-se o ‘centro do universo’ e se crê um ser superior regido por suas próprias normas. (…) Fica evidente que ele procura controlar os outros e parece incapaz de compreender que haja pessoas com opiniões diferentes das suas. (…) Alguém assim não precisa envolver-se em metas realistas de longo prazo e, quando estabelece um objetivo, logo se vê que não tem as qualidades necessárias para alcançá-lo, nem sabe, na verdade, que é preciso fazer algo. Ele de fato acredita que suas habilidades lhe permitirão conseguir qualquer coisa.”

“Os psicopatas parecem possuir uma incapacidade flagrante para sentir de modo profundo a categoria completa das emoções humanas. Às vezes, ao lado de uma aparência fria e distante, manifestam episódios dramáticos de afetividade, que nada mais são que pequenas exibições de falsa emotividade.” (…) De fato, o psicopata está livre das alucinações e dos delírios que constituem os sintomas mais espetaculares da esquizofrenia. Sua aparente normalidade, sua ‘máscara de sanidade’, torna-o mais difícil de ser reconhecido e, logicamente, mais perigoso.”

“É inquestionável a habilidade que têm os psicopatas de se rodear de pessoas sem escrúpulos, que lhes facilitam realizar suas ambições.”

Os trechos acima são do livro “O psicopata — Um camaleão na sociedade atual”, do psicólogo e criminalista espanhol Vicente Garrido, e bem podem, talvez, ser aplicados à situação do Esporte Clube Bahia, onde refulge a figura do conselheiro Paulo Virgílio Maracajá Pereira, senhor e dono absoluto do clube há 35 anos.

Agora, de forma covarde, Maracajá tenta pressionar o jornalista Nelson Barros Neto. Não é ele o opressor, mas o oprimido. Isso é típico do “coveiro”. Nelson e um grupo de valorosos rapazaes – entre eles, Marcelo Barreto e Lucas Neves – criaram um site não oficial que nunca disse amém à direção do Bahia, sempre agiu de forma crítica, como deve ser no bom jornalismo, e nunca viveram de jabá, como a maior parte da mídia esportiva vendida de Salvador (quem quiser que enfie a acarapuça).

Ao ser convidado para trabalhar na Editoria de Esportes de A Tarde, Nelson manteve o seu espírito crítico, mas ouvindo de forma imparcial os dois lados da questão, embora nós, da Oposição, reclámassemos sempre de que éramos pouco ouvidos.

Depois de ter feito isso com vários profissionais de imprensa, Maracajá agora tenta pressionar o jornal A Tarde para que “enquadre” Nelson Barros Neto. A direção do jornal, nas pessoas de D. Regina Simões e Sílvio Simões, não podem permitir que seja cometido mais esse crime de consciência na Bahia. A ABI, o Sindicato dos Jornalistas e a OAB, também, não podem ficar inertes.

Tudo que Nelson barros Neto escreveu, até hoje, é pura verdade. Para nós, da Oposição, mais precisa ser dito para mostrar a real situação do nosso Bahia.

Maracajá chama a oposição de burra. É um direito que lhe assiste. Diz que basta ser sócio, se candidatar e ser eleito ao Conselho. É mentira. Omite que este mesmo Conselho é formado, em sua grande maioria, por seus cupinchas e lacaios, embora cite “deputados estaduais e federais”. Antes, listava os nomes: ACM Jr., ACM Neto, Fábio Souto, César Borges e Marcelo Guimarães Filho. Á exceção destes e de alguns poucos e honrosos nomes, os demais são serviçais do conselheiro que se vangloria de uma hepta campeonato baiano, mas já é responsável pelo maior jejum de títulos baianos do ECB: em 2009, serão exatamente oito anos sem por a mão na taça.

É o octa do coveiro sobrepujando o hepta do eterno.

Não fazem parte da lista de conselheiros, tricolores ilustres como os artistas Gilberto Gil, Caetano Veloso, Carlinhos Brown, Bel Marques, Cid Guerreiro, Edil Pacheco, Armandinho, Ricardo Chaves, o governador Jaques Wagner, a primeira-dama Fátima Mendonça. Mesmo outras personalidades baianas como o cientista Elsimar Coutinho, os juristas Saul Quadros, Thomas Bacellar, Fernando Santana, Fernando Hupsel, Pedro Barachisio Lisboa, os deputados Walter Pinheiro, Edson Pimenta, Paulo Câmera e Lídice da Mata, os publicitários Fernando Passos, Sidônio Palmeira e Paulo Viana, além de homens da comunicação, como Mário Kertész, Kardé Mourão, Renato Pinheiro, João Paulo Costa, Samuel Celestino, Heloísa Gerbasi, Elizeu Godoy, Ruy Botelho e Paulo Roberto Sampaio. Nenhum ex-jogador do Bahia integra o pseudo colegiado. A lista é imensa, sem falar nos milhares de torcedores que enchiam a Fonte Nova, sustentam o clube, e não são representados no Conselho.

Na última eleição para escolher os 323 nomes do Conselho, em janeiro de 2006, votaram apenas 179 sócios. Ou seja: havia mais eleitos que eleitores! E muito desses votantes ninguém sabe se estavam em dia com suas obrigações, porque o Bahia não exibe a sua lista de sócios nem de conselheiros. A própria composição do último Conselho até hoje, sequer, foi registrada em cartório. Isso é fato. O Bahia, que enchia a Fonte Nova com 60 mil torcedores na Série C, tem um quadro societário menor que muitos clubes das ligas interioranas.

O psicólogo espanhol Vicente Garrido diz que “mentir, enganar e manipular são talentos naturais para o psicopata. Quando é demonstrado o seu embuste, não se embaraça; simplesmente muda a sua história ou distorce os fatos para que se encaixem de novo.”

Maracajá disse que não manda mais no Bahia, que deixou o clube em 21 de junho de 1994, que nada tem a ver com as gestões de Pernet, Pithon, Marcelo Guimarães e Petrônio Barradas.

Contudo, leia o que escreveu o insuspeito jornalista Joaquim Cruz Rios, em 25 de junho de 1996, quando o Bahia era presidido por Francisco Pernet. “O Bahia está sendo sugado por dois carrapatos que não desgrudam enquanto ele tiver uma gota de sangue. A posição dos srs. Paulo Maracajá, hoje a eminência parda do Bahia, e Francisco Pernet, o seu liquidante, se não insustentável, é inexplicável”.

Sobre o domínio de Maracajá no mandato de Pithon, o próprio está vivo entre nós para contar os fatos. Felizmente, pôde ele sobreviver aos horrores da psicopatia, depois da tentativa de destruição covarde que fizeram da sua pessoa.

Em 19 de novembro de 2002, na gestão Marcelo Guimarães, veja o que o site ecbahia publicou: “Nesta terça-feira o ex-presidente do Bahia, Paulo Maracajá, fez uma declaração até certo ponto surpreendente. Segundo ele, após passar por um grande sufoco durante o Campeonato Brasileiro, o Bahia aprendeu a lição e vai trazer jogadores de expressão no cenário nacional para a temporada 2003”. Efetivamente, em 2003, em entrevista ao jornal A Tarde, ele diz que “contratou” Paulo Sérgio, Lino e Adriano. Nesse ano, o clube foi 9º colocado no Campeonato Baiano e rebaixado para a 2ª Divisão.

Já sob o comando (sic) de Petrônio Barradas: A Tarde, edição de 08 de abril de 2006, diz que Maracajá ligou para o técnico Ferreira, do Colo-Colo, apresentando uma proposta financeira para que este assumisse o cargo de técnico do Esporte Clube Bahia. Em janeiro de 2007, em entrevista ao Bahia Jornal da Manhã, da TV Bahia, o treinador Arthuzinho disse textualmente que foi contratado pelo “eterno/coveiro” do ECB.

O meia Preto disse sem rodeios: “A gente sabe que tem o presidente, o Ruy Accioly, mas a palavra final é sempre de Maracajá. Todas as vezes que eu vim (para o Bahia) a conversa foi sempre com Maracajá”. (Tribuna da Bahia, pág. 16, 27.02.2008).

Mas o embuste é o próprio Maracajá quem desmente quando, em entrevista para um semanário local, confessou: “Ao invés de irmos para Juazeiro de ônibus, eu fretei um avião e fomos até lá de avião”. Veja bem: Maracajá está se referindo a um episódio ocorrido em 06 de junho de 2001…

Agora, por último, o próprio site oficial do Bahia não deixa dúvidas: Maracajá estava no Rio de Janeiro – quando deveria estar no TCM – cuidando de interesses pessoais (sim, porque o Bahia é uma coisa particular, que lhe pertence). Basta conferir: www.eusoubahia.com.br, 15 de maio de 2008, às17h30.

Perguntar não ofende: pode um conselheiro do Tribunal de Contas dos Município, pago regiamente com dinheiro dos contribuintes, cuidar de outros interesses que não as contas dos municípios?

O grande coveiro do Esporte Clube Bahia diz que tem apoio de 90% da torcida tricolor, mas que sua família está apavorada, não quer que ele vá mais aos estádios, com medo de uma agressão. Oh!, nosso conselheiro, como um John Lennon tupiniquim, teme que um fã qualquer o imole nas ruas. E deve ter sido por essa enorme “popularidade” que ele não compareceu ao sepultamento dos sete torcedores tricolores mortos na tragédia da Fonte Nova.

É por toda essa popularidade, é pelo Bahia estar se preparando para ir ao Mundial de Clubes, papando todos os títulos, que acha que pode demitir as pessoas de bem, os bons profissionais, de onde achar conveniente.

Para a psicopatia, recorremos ao livro de Vicente Garrido: “A convicção com a qual o psicopata conta a sua história vem acompanhada da crença de que o mundo se encontra dividido em dois grupos: os que ganham e os que perdem, de tal modo que lhe parece um absurdo não se aproveitar das fraquezas alheias.”

Nestor Mendes Jr., jornalista, é autor de “Bahia Esporte Clube da Felicidade – 70 anos de Glórias”.

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