Daniel Dantas foi desastroso para o Bahia

Como sabemos, Daniel Dantas, que tudo vê e tudo provê, que é pai, padrasto e ama de leite de partidos, empresários, lobistas, advogados, jornalistas e talvez até de fiscais de trânsito e coroinhas de Igreja, andou metendo a mão também no futebol. O resultado: um clube falido e devendo na praça, dois rebaixamentos, um deles à Terceira Divisão, e uma nação tricolor desmoralizada e esmorecida.

“Uma gestão altamente desastrosa” a de Dantas no Esporte Clube Bahia, nas palavras de Euclides Almeida e Pedro Cordier, integrantes do movimento Sempre Bahia. Eles responderam nossas perguntas sobre a associação do banco Opportunity com o Esquadrão de Aço e sobre o atual momento do clube, proporcionando uma abrangente leitura da vida do tricolor baiano após o inferno de Dantas.

Almeida e Cordier ressaltam que as perguntas também foram respondidas com ajuda dos integrantes da Associação Bahia Livre. São grupos de oposição, como o Bahea Minha Porra (excelente nome), e alguns deles formaram um bloco, chamado Revolução Tricolor, com um ousado e hercúleo objetivo: incentivar que as pessoas se associem ao Bahia para, no voto, recuperar o seu clube de volta.

No site da ABL, descubro que quatro integrantes do conselho de administração da Ligafutebol, a empresa controlada pelo Opportunity que era (talvez ainda seja) sócia da Bahia S.A., também teriam visto o sol nascer quadriculado nesta semana. Nesta nota da Agência Brasil, porém, há apenas o nome de três: Arthur Joaquim de Carvalho, Norberto Aguiar Tomaz, Maria Amália Delfim de Melo Coutrin.

Vale ler a entrevista.

Qual foi a “herança” deixada por Daniel Dantas no Esporte Clube Bahia?

Junto com a diretoria do Esporte Clube Bahia (E.C.B.), a Ligafutebol S/A (empresa controlada pelo Opportunity) foi responsável por uma gestão altamente desastrosa, tendo acumulado no período 1998-2006 (ano em que assinou o distrato com o E.C.B.) um prejuízo de quase R$ 50 milhões. Mesmo assim, com o distrato, a Ligafutebol S/A deverá receber cerca de R$ 4,6 milhões até o ano de 2023.

O banqueiro ainda mantém relações com o ex-presidente Paulo Virgílio Maracajá?

Não sabemos responder.

Qual é avaliação que vocês fazem da atuação de Maracajá?

Paulo Maracajá é um dos últimos “coronéis” do futebol brasileiro, que já teve outros ícones como Eurico Miranda, Vicente Matheus, etc. Ele foi presidente do clube de 1973 a 1994, quando “saiu” para ocupar um cargo vitalício no Tribunal de Contas do Município. A partir daí, passou a comandar o Bahia nos bastidores através de pessoas de sua inteira confiança como Francisco Pernet, Marcelo Guimarães e Petrônio Barradas. O “eterno” presidente do Esquadrão de Aço já obteve muitas conquistas durante sua gestão, tendo inclusive sido campeão brasileiro, mas, ao mesmo tempo, é diretamente responsável pela situação atual em que se encontra o clube, que ainda é dirigido de forma semi-amadora, sem planejamento, sem visão empreendedora e sem transparência.

Que fim levou a associação entre o Bahia e o Opportunity? Qual é a situação atual?

A diretoria tricolor alega que, há dois anos, o clube rompeu com o Opportunity – e assumiu o controle acionário do Bahia S/A. Porém, 30% do valor da venda de qualquer jogador do Bahia irá para a instituição financeira, até 2023, de acordo com o distrato assinado em 2006. Caso o Esporte Clube Bahia descumpra o acordo, uma cláusula permite ao Opportunity voltar a exercer todo o controle de antes sobre o clube.

Na avaliação de vocês, porque Daniel Dantas, um banqueiro bilionário, decidiu investir no Bahia sem se preparar para isso, colocando gente “amadora” no comando do clube?

Essa é uma questão nebulosa, mas o fato é que houve forte pressão política para que o Opportunity investisse no Bahia. Na verdade, o investimento no BASA (R$ 12 milhões) é pequeno em comparação com os demais investimentos realizados pelo grupo (telefônicas, companhias energéticas, terminal do porto de Santos, Metrô do RJ, Sanepar, criação de gado, mineração, etc.). Conforme declaração de um representante do Opportunity (Jornal A Tarde, 09/07/2008), a intenção do grupo era também comprar clubes de outros estados para formar uma liga, nos moldes do que acontece no basquete norte-americano. Porém, os planos foram alterados, pois, depois da assinatura do contrato, a legislação mudou e proibiu que um único grupo controlasse mais de um time de futebol.

Qual é a atual situação financeira do clube?

Rombo enorme com crescimento de 1020% em apenas nove anos. Em janeiro de 1998, pouco antes de fechar a parceria com o Opportunity, dirigentes tricolores admitiram que o clube estava em “estado de insolvência”, à beira da extinção. A dívida, na época, era de R$ 5.372.873,00 – mas ela terminou devidamente quitada, com sobras, pelos investimentos iniciais do banco. O problema é que, em apenas nove anos de Bahia S/A, a empresa já está com um passivo descoberto de R$ 45,974 milhões, segundo balanço publicado no último dia 3 de dezembro pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM): 1020% de aumento. Isso significa que se o clube vender todos os seus bens, hoje, ainda vai dever esse valor exorbitante. O Diretor financeiro do Esquadrão de Aço, Marco Costa, não vê motivo para preocupações. Parte da dívida seria sanada pela Timemania (loteria do governo federal) e o restante perdoada pelo grupo Opportunity até 2023 – graças ao acordo firmado com a instituição em outubro de 2006.

Quais são os objetivos imediatos das oposições do Bahia em relação ao futuro do clube?

Um dos maiores motivos da perpetuação no poder dos atuais dirigentes tricolores é a falta de força da oposição. Já existiram diversos movimentos e grupos com diversas atitudes para promover mudanças no Esporte Clube Bahia, mas até hoje nunca foi obtido sucesso. Um dos maiores motivos para esses fracassos é o fato de nunca ter surgido uma grande liderança como um ex-jogador ou um torcedor ilustre e popular. Recentemente, um pequeno grupo de torcedores e membros de duas torcidas organizadas invadiram o Fazendão e fizeram um ACORDO com os “cardeais” tricolores para ter eleições diretas apenas em 2011… A grande maioria não gostou do acordo que terminou não representando a vontade da imensa Nação Tricolor. Um novo grupo de oposição chamado REVOLUÇÃO TRICOLOR (o qual o SEMPRE BAHIA faz parte) surgiu há poucos meses e pretende agir de uma forma diferente. Cansados de gritar sem ser escutados, os membros do novo grupo resolveram se associar ao clube, mesmo sem eleições diretas, para tentar, de dentro do clube, conseguir as mudanças que todos anseiam.

Um abraço,

Daniel Cassol

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