Jorginho Sampaio é cruel

Quando o presidente rubro-negro aceitou sentar-se em mesa de reunião com o presidente da FBF, Ednaldo Rodrigues, e dirigentes do Bahia, sobre o aluguel do Barradão, ele já tinha na cabeça a única resposta possível a dar. E mesmo assim, foi todo ouvidos às lamúrias tricolores.

Depois que o Barradão deixou de ser o “Lixão” e passou a ser cheiroso para os tricolores, rubro-negros puderam se deleitar com os elogios de Petrônio Barradas: “Vim para essa reunião com o espírito aberto, para oficializar nossa intenção em utilizar o ótimo estádio Manoel Barradas”. Mas não muito depois do pedido de auxílio do Bahia, Jorginho deixou clara a sua resposta, ao dizer que setores da torcida (torcidas organizadas, entidades e portais eletrônicos) seriam consultados. Isso bastou para sabermos se viria um “sim” ou um “não”.

Além de cruel, não sei bem como definir Jorginho. Como não poderia deixar de ser, a torcida rubro-negra deleitou com esses almejos, de cuia na mão, pelo Barradão. Essa expectativa de deixar Feira de Santana chega a ser bastante espirituosa. E isso foi Jorginho, com toda a sua disponibilidade de ouvir o “co-irmão”, que tornou realidade. Nada como ver Paulo Maracajá dizer no programa de Raimundo Varela que o Bahia não iria jogar no Barradão, como se isso fosse uma decisão deles.

Duas temporadas subindo de divisão no Brasileiro, bicampeonato baiano, início de campanha na Série A animador, perspectiva de reformar e ampliar o Barradão e as vias de acesso, perspectiva de entrar na licitação de gerenciamento de Pituaçu. Com esse currículo e caso consiga levar o Vitória ao título ou à Libertadores ou à Sul-Americana, Jorginho e, é claro, Alexi Portela, vão deixar muito bem carimbados seus nomes na história do clube. E, ressalte-se, muito mais rápido do que o ex-presidente Paulo Carneiro deixou. E, ressalto, com muito mais crueldade do que Paulo Carneiro.

Enquanto isso, Silvio Mendes, da Rádio Sociedade, bradou que a atitude de Jorginho de ir à reunião era “demagogia”. Um site paulista, recentemente desmascarado pela sua falta de ética jornalística, chamou de “hipocrisia” e “provincianismo”. Eu prefiro chamar de “populismo do pão e circo meio a meio”. Rubro-negros se divertem com o circo e do lado de lá eles usam o pão para fazer o cachorro-quente do almoço.

Tiago Ferreira Bittencourt
Rubro-negro e jornalista.
E-mail: [email protected]

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