Desconstruindo o Barradão

Calma torcedor, não vamos tratar aqui da demolição de nosso estádio. Minha proposta é apenas desconstruir em linhas gerais a análise que o Barradão obteve no ranking elaborado pelo jornal Lance! e que o classificou como o sétimo melhor estádio do Brasil. Minha intenção é introduzir um pouco de prática neste assunto que abordo em meus textos no BOL: o marketing esportivo.

Parece que nossa posição é boa, mas vamos analisar a situação em partes (desconstruir), começando pelos nossos pontos fortes, que basicamente são dois: segurança (nossa torcida tem um “comportamento pacífico, mesmo entre as organizadas”) e higiene (“limpos, arrumados e com avisos de preservação”), nossas melhores notas.

Já em relação aos nossos pontos fracos, os mais críticos são: conforto e transporte, sendo o primeiro nossa pior nota entre todos os itens. Nesse jogo dos opostos vemos que, se tirássemos a parte da torcida da análise, estaríamos numa situação crítica.

Não quero jogar água fria em quem vibra com o resultado, mas acho que é prudente não sairmos comemorando por aí. Apesar do orgulho que todos temos pelo Barradão, ele tem se mostrado a síntese de um processo que, ao meu ver, ainda não terminou.

Refiro-me as dificuldades geradas por uma visão administrativa que prioriza a reação ao invés da ação e o planejamento ao invés da estratégia. O Barradão, por exemplo, foi pensado para concentrar multidões num local de difícil acesso. Saída definitiva para isso: mudar de local. Saída viável para isso: compensar os problemas externos com virtudes internas (alimentação de qualidade, assentos limpos e numerados, cobertura, etc). Sem ações neste sentido, seguiremos, ninguém sabe até quando, com os velhos problemas. Pior, corremos o risco até de nos acostumar com isso.

Aqui está o dilema: não temos melhores condições no estádio porque não temos verba ou o contrário? A dúvida shakesperiana existe, mas o pragmatismo do marketing está aí para nos ajudar. Com bom senso e um diálogo aberto com a diretoria, podemos descobrir juntos um caminho viável para um estádio melhor. O Vitória vai agradecer.

PS: A Arena da Baixada é realmente o melhor estádio do Brasil.

Ricardo Azevedo/Barradão Online

Formado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e associado da American Marketing Association (EUA). É autor do livro “Eu sou um nome na história – A história do Esporte Clube Vitória”.

E-mail: rico.azevedo@globo.com
Para mais informações: www.ricoazevedoonline.blogger.com.br.

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