América-RN é exemplo a não ser seguido pelo Vitória

Ainda restam cinco rodadas para definir quem será o campeão de 2008, mas para o Vitória conquistar o bicampeonato é questão de honra. Não só para reafirmar a hegemonia expressa em 14 títulos nos últimos 20 anos ou para manter o rival Bahia na fila desde 2001, mas para afugentar um fantasma do rebaixamento para a Série B, que já ronda o Barradão antes mesmo de começar o Campeonato Brasileiro.

O receio de reeditar o vexame dado pelo co-irmão nordestino, que subiu à elite em 2006 e um ano depois foi novamente enviado à Serie B depois de 38 jogos e apenas 17 pontos conquistados, não é infundado.

Alçado à Série A como quarto colocado da Segundona no ano passado, o Vitória ainda não conseguiu convencer seu torcedor que terá um time competitivo para disputar a primeira divisão do Campeonato Nacional.

No fraco Campeonato Baiano, passou toda a primeira fase cambaleante, e acumulou seis derrotas e dois empates. Conseguiu ao menos classificar-se para o quadrangular final do torneio. Já na Copa do Brasil, venceu o Souza-PB na primeira fase, mas logo depois foi eliminado pelo Paraná – que jogará a Série B este ano – no Barradão. Os resultados renderam a demissão do treinador Vadão, o mesmo que classificou o time de volta à Série A, e muita pressão vinda de todos os lados.

Apesar de ter vencido a primeira partida do quadrangular decisivo do Baiano e, com o empate entre Bahia e Vitória da Conquista, largar na frente pelo título baiano, o time rubro-negro ainda não se recuperou da desastrosa política de contratações executada pelo clube desde o final da Série B do ano passado. Após renovar com Vadão, a diretoria perdeu os dois jogadores mais importantes na campanha do time, como o atacante Joãozinho (que transferiu-se para o futebol mexicano à revelia dos dirigentes), e o lateral Apodi, negociado ao Cruzeiro.

O principal problema foi na hora de contratar. Até agora, foram 28 reforços, dos quais metade já deixaram o Barradão e mas apenas dois se firmaram na equipe e são considerados, tanto pela torcida como pela comissão técnica, indispensáveis: o atacante Rodrigão e o meia Ramon Menezes. Além deles, os outros destaques da equipe seguem sendo os jogadores que participaram do Baianão e da Série B do ano passado, como os volantes Bida e Jackson, além do goleiro Ney.

O diretor de futebol do Vitória, Renato Braz, discorda das avaliações, que considera prematuras, e compara o time ao trabalho das vinícolas. “O torcedor precisa entender que o time foi desfeito e que está em processo de amadurecimento. É como um bom vinho, precisa de tempo para ter qualidade”. Para ele, a chegada de Vagner Mancini trouxe uma nova atitude à equipe.

Braz não atribui a culpa do insucesso da equipe no início da temporada à administração de Vadão, mas enaltece o novo método de trabalho praticado por Mancini. “O grande problema é que passamos 20 rodadas com muitos jogadores, mas sem um padrão tático. Desta vez, já dá para sentir que o time tem uma outra ‘pegada'”. Porém, evita creditar ao ex-treinador qualquer culpa em ter indicado maus reforços. “Não vou acusar uma pessoa que não está mais aqui, isso seria falta de ética. Todas as contratações são responsabilidade do Departamento de Futebol do Vitória”.

Pacotes de reforços

Uma das maiores broncas da torcida está no fato de que o Vitória, por três oportunidades, já anunciou a vinda de diversos reforços de uma só vez, em movimentos batizados ironicamente de “pacotes”. Editadas no início e no final do mês de dezembro último, durante o Carnaval e no final do mês passado, as estratégias renderam o maior número de reforços ao time.

Contrariada com a qualidade duvidosa dos reforços, a torcida questionou o porquê desta última ser preterida em favor da quantidade de atletas, formando os pacotes que enfurecem os críticos. Renato Braz rejeita o termo e explica que o Vitória não tem condições de disputar jogadores mais conhecidos com clubes do Sudeste, por conta da questão financeira.

“O Vitória recebe R$ 11 milhões por ano de direitos de transmissão. Se um dia nós tivermos os mesmos direitos do São Paulo, que recebe R$ 23 milhões, consigamos disputar os atletas ‘pau-a-pau'”, resume. O funcionário do clube reclama também das cotas de patrocínio de empresas repassadas desigualmente a clubes da mesma divisão. “A Fiat nos dá R$ 1 milhão por mês, e R$ 12 milhões ao Palmeiras. O resto do dinheiro necessário chega por obra, graça e criatividade da diretoria”.

A dificuldade de trazer atletas de peso faz com que o futebol do interior paulista se torne a principal opção em busca de reforços ao time. Renato Braz confirma o interesse em atletas da região e garante que as contratações para a competição nacional não terminaram, mas evita falar em nomes.

Mas o dirigente também não nega que uma quantidade elevada de jogadores no elenco, ainda que nunca aproveitados pelo técnico, podem trazer lucro ao time. Para contornar as verbas reduzidas para contratações de peso, o clube usa sua marca para negociar outros jogadores e encher os cofres. Bons exemplos foram os atacantes Joãozinho e Índio, repassados ao futebol Mexicano e Coreano, respectivamente, que ampliaram o patrimônio do Vitória em cerca de US$ 1 milhão.

O diretor de futebol do clube afirma que os jogadores da base e profissionais que treinam no clube são algumas das principais opções de reforços para times do Nordeste, Sul e Sudeste e alguns países da Ásia atualmente. No início desta semana, Braz retornou de uma viagem à Coréia, de onde pretende fazer convênios com equipes não só daquele país, mas também do Japão.

As ações do clube dão ao diretor de futebol a certeza de que o rubro-negro baiano terá um time competitivo para disputar a Série A. Para ele, o clube tem condições de disputar uma vaga na Copa Sul-Americana. As pretensões, apesar de altas, já diminuíram em relação à euforia causada pelo acesso em 2007. Na ocasião, o presidente do clube, Jorge Sampaio, assegurou à torcida que o Vitória lutaria pelo título brasileiro, ou ao menos por uma vaga na Taça Libertadores.Pelé Net

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