Oposição tricolor também é adepta da politicagem

A politicagem continua enraizada no Esporte Clube Bahia. No Futebol, como na política, toda história tem dois ou mais lados, todo fato tem duas ou mais explicações que, por causa da característica passional de ambos, são comumente diferentes. Na política, como no futebol, cada um sustenta seus argumentos à exaustão, cada lado apóia-se em suas convicções “até a morte”. Ao longo do tempo, na Bahia, e mais especificamente no Esporte Clube Bahia, as relações entre Futebol e politicagem sempre foram nebulosas. Dirigentes eleitos democraticamente ou não, sempre deram um “jeitinho” de apropriar-se do prestigio que o esporte oferece, aproveitando-se da popularidade que equipes e jogadores conquistavam em campo. É também nesse ambiente que surgem os diversos grupos da chamada “oposição tricolor”.

Formado basicamente por alguns conselheiros, políticos, poucos cronistas e torcedores simpatizantes com a idéia de ter um “Bahia Livre”, esse grupo sustenta a tese de que as péssimas administrações ao longo do tempo capitaneadas pelo grupo do Conselheiro Paulo Maracajá se constituem na principal variável à explicar as sucessivas tragédias sofridas pelo glorioso esquadrão. Neste sentido, a saída de Maracajá representaria a “ressurreição tricolor”.

É verdade que o Conselheiro Maracajá sempre manteve (e continua mantendo) a influência de um verdadeiro dono do Bahia, pois desde que deixou a presidência do Bahia, há mais de 15 anos, praticamente todos os mandatários tricolores tiveram o aval de Maracajá. A relação de Maracajá com o E. C. Bahia assemelha-se a de muitos políticos que costumam reclamar da situação, reconhecem as dificuldades, mas juram que estão “cumprindo uma missão designada por Deus”. Ou seja, jamais “largam o osso”.

Por outro lado, fazendo-se uma análise imparcial, chegaremos à conclusão de que o grupo de Maracajá só continua comandando o E. C. Bahia por causa de uma oposição formalmente inexistente, pois se existe ela é incompetente, omissa, inepta. Vale lembrar ainda que o grupo de conselheiros que se autodenominam ser de oposição no Bahia, já esteve no poder por dois anos, em 1996 e 1997. Foi um verdadeiro fiasco!. Foi na gestão do grupo que se diz de oposição, que o Bahia caiu para a segunda divisão pela primeira vez em sua história.

A passagem da oposição no comando do Bahia só é lembrada pelo período que conseguiu acelerar o processo de falecimento do E. C. Bahia. Quem não lembra de Antonio Pithon e o seu “time dos sonhos tricolor”?

Dentre as articulações que o grupo de oposição vem promovendo destaca-se, sem dúvida a organização de uma passeata histórica no ano passado pedindo a renuncia coletiva dos atuais mandatários, da qual inclusive participei, mas que efetivamente serviu apenas à pseudos-tricolores, políticos e radialistas aproveitadores com interesses completamente distintos da massa tricolor, que não preciso citá-los, e que praticamente assumiram o comando do movimento para atingirem outros objetivos.

Com relação aos principais lideres de torcidas organizadas, considero que são parecidos com aqueles políticos adesistas, que como mariposas, vão aonde a luz do Poder está acesa. Os líderes de torcida usam os outros torcedores como massa de manobra para barganhar diante da diretoria. Neste caso as torcidas organizadas sempre subsidiaram as gestões que sucederam-se ao longo do tempo no E. C. Bahia em troca de ingressos, bandeiras ou passagens para acompanhar o time e até mesmo manifestações de apoio a Direção.

É de estarrecer que na atual situação do Clube, não exista uma oposição de verdade dentro do quadro de conselheiros do Bahia, sem que os interesses estejam embrenhados pela politicagem. A verdadeira oposição é formada pela torcida tricolor e não por grupinhos insatisfeitos por que receberam uma fatia menor do bolo.

Não sou conselheiro do Bahia, mas me considero de oposição, pois não apoio o modelo de administração seguido pelo por esse grupo que afundou o Bahia. Por outro lado, não apoio uma recomposição com ex-colaboradores do atual grupo e que só pulou fora quando percebeu o barquinho afundando. Já passou da hora de se arquitetar um projeto de reestruturação total de um das maiores riquezas do Estado da Bahia, o Esporte Clube Bahia. Carecemos de um projeto construído de forma publica com a participação efetiva da toda a torcida tricolor – patrimônio maior do Esporte Clube Bahia. Não podemos nos esquecer nunca que o Bahia é do povo, é da massa.

Leonardo Dias

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