Sussurros octavicianos

Estava eu já concentrado para mais uma batalha épica de conhecimento exclusivo daqueles que militam no mais disputado Campeonato Nacional do mundo quando ouço sussurros no porão… Seriam ratos?

Estava ocupado e pensativo, atento ao São Paulo que terei que trucidar domingo para manter a já rotineira escrita de vitórias no Teatro dos Sonhos e voltar ao filé mignon da Elite, a zona da Libertadores, posto que já pertence ao Leão por usucapião neste Brasileiro. Mas a balburdia no porão começava a dispersar a concentração. Até aí não sabia eu se eram mesmo ratos ou uma festa entre os mortos, as almas do passado pedindo reza.

Ante a insistência do incômodo, deixei de lado a narrativa que preparo para o desafio contra o tricampeão brasileiro e desci do alto do Olimpo do futebol para acalentar a turba.

Aqui cabe um parêntese. Como informei aos desavisados logo que recebi o convite para escrever no site futebolbahiano.com, ignoro palavrões e xingamentos, pois aos menos favorecidos pela inteligência e desprovidos de argumentos reservo apenas agradecimentos – sem vocês eu teria mais dificuldades para vencer na vida. Então, meus amigos, não esperem réplicas raivosas para os comentários neanderthalenses, pois os cães na minha casa ficam da porta da cozinha para fora.

Feita essa ressalva, prossigo com a narrativa.

Quando abri a porta do calabouço estava lá aquele alvoroço, a felicidade fugaz dos que passam fome escancarada nas bocas desdentadas dos mortos-vivos. Obviamente sorri de volta e agora tenho que expor a realidade.

Dalmo, meu octavice predileto (depois do meu amigo-irmão Muriel), cabe-me esclarecer que quem está em 5º lugar no Campeonato Brasileiro (o resto é torneio de acesso) não anda por aí friorento, gripado e de cabeça e pés inchados. Por não ter intimidade com a Série A talvez você não entenda porque mantemos o sorriso aberto e o manto em vermelho e preto brilhando no peito. Como explicar aos que passam fome o prazer da saciedade?

Lamento relembrar que esse hábito de reunir grupos enfurecidos para cobrar providências dos Dirigentes não é coisa de time de 1ª divisão. Invasões de Fazendões e Fazendinhas é assunto policial, ocorre em Lauro de Freitas e não tem paralelo nas divisões rubro-negras. Se possível, evite nos colocar na vala comum em que vocês se degladiam.

Fico feliz por sua menção a “Magic” e sua cobrança é justa. Jogo que ele não faz chover deveria dar direito a devolução do ingresso e não só para a torcida do Vitória, pois os adversários também pagam para admirar seu futebol. Quem tendo Ananias como “maestro” do meio de campo não se arrepia de inveja ao ver o desfile futebolístico de Leandro Domingues? Infelizmente, como eu já havia explicado, apesar de não parecer, ele é humano e milagres diários só Jesus fez e isso já tem 2000 anos.

Apesar de ser um exercício desagradável, capaz de amarelar meu sorriso de 1ª divisão, consigo me colocar no lugar da turba octavice. A máquina de fazer felicidade vence constantemente, seus seguidores a cada segunda-feira reunem-se para compartilhar o prazer de ser simplesmente Melhor depois de mais um triunfo no Teatro dos Sonhos. Já o bahia octavice após uma vitória heróica contra o 5º colocado do torneio de acesso, 03 dias depois, ao invés de ressuscitar como Nosso Senhor, limita-se a empatar no nosso Pituaçu com o modesto 14º colocado depois de estar vencendo por dois tentos a zero. Que mais pode alegrar uma turba tão maltratada do que um tropeço do Dominador? Deve ser um sabor raro e analgésico…

Infelizmente, como todas as drogas, o efeito logo passa. Sábado vocês estarão diante do seu maior monstro, do seu maior medo, do seu maior vexame, qual seja, vocês mesmos. Desgraçadamente para vocês não é possível a roda da vida parar num dia de derrota do melhor do Nordeste, os dias continuarão sua sina e o bahia quer vocês queiram, quer não, voltará a jogar e os foguetes agora jubilosamente disparados no porão terão que silenciar ante a realidade.

É hora de ir. Devo que fechar novamente a porta do porão e deixá-los sozinhos na escuridão, pois tenho um texto sobre o jogo contra o tricampeão brasileiro para terminar (certamente vocês devem ter também o que comentar acerca do clássico contra o tricampeão cearense…).

É hora de ir. Devo que fechar novamente a porta do porão e deixá-los sozinhos na escuridão, pois tenho um texto sobre o jogo contra o tricampeão brasileiro para terminar (certamente vocês devem ter também o que comentar acerca do clássico contra o tricampeão cearense…). Prometo no 1º semestre do ano que vem dar maior atenção à turba octavice, pois preciso de um coadjuvante para o meu tetracampeonato. Por hora, estou brincando um torneio de gente grande e menino não entra nem como café com leite.

André Dantas

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