Sabe Qual é a Novidade?

O Campeonato baiano está dividido em duas forças e fases: Bahia e Vitória, primeira fase e fase final. Não contemplamos nada de novo: um regulamento ruim, mas que na sua fase final voltará a ser disputado no velho mata-mata.

A estrela midiática desta edição do campeonato não será um jogador de futebol, será um dirigente de futebol: Paulo Carneiro. As causas deste empobrecimento da cultura do futebol como um espaço do lúdico e da imaginação perde espaço para relações mais objetivas.

Muitos simplesmente afirmam que futebol, hoje, tem que ser profissional; não importa a origem nem os valores do homem de quem vestirá a camisa da sua empresa ou clube.

Eu quero me colocar como também amante do profissionalismo, mas ainda amante do esporte enquanto beleza.

A questão que coloco corrobora esta visão de mundo da poesia do futebol e da beleza. Que não o quer como um pacote de filmes para ver depois da novela. Se chegamos a um ponto em que a principal matéria do dia é a de um dirigente de futebol que migra para o rival é por que estamos a evidenciar uma crise séria nos nossos clubes e futebol.

Um dois motivos desta crise é a falta de identidade dos clubes e jogadores. Eles não representam mais os símbolos e a torcida num passado não tão remoto dos nossos queridos clubes.

Passamos de um puramente futebol intuitivo para um futebol comprometido com resultados e vendas. Há uma pesquisa de mercado para saber o que o consumidor quer como ouvinte, leitor e espectador, antes de contratarem. Só depois se publica algo ou se divulga uma notícia.

São notórias, também, as transformações da torcida de futebol em massas organizadas segundo uma lógica em que prevalece o mercado e suas necessidades. O romantismo e a imaginação de quem escreve e edita os programas perde espaço, cede seu lugar para os já empacotados programas cheios de obviedades e leituras do esporte que evidenciam números e pouca emoção.

Nesse cenário, submerge o personagem de Paulo Carneiro como o último baluarte grosseiro, que com seu temperamento e caráter, representava o dirigente apaixonado e passional que tudo fazia pelo seu clube. Nasce e emerge, agora, com uma força ainda não digerida pela mídia o Paulo Carneiro profissional, competente, frio e calculista. Capaz até de abraçar a bandeira do time que odiava apaixonadamente.

Vemos o mundo de quem empacota as notícias quando eles escolhem e valoram suas escolhas sob a ótica do consumidor de produtos de futebol. Precisam ver todos que um jogo de futebol precisa de graça e beleza, o deslumbramento pelo profissionalismo sem muita ironia inteligente é uma reação vaga e estéril a esta mudança de valores.

Não é sem motivo que o humor nas televisões perderam o seu espaço para outros tipos de entretenimento. O ex-jogador Neto da Band e a bela Luise Altenhofen resignificam neste sentido de imaginação ainda criativa e bonita no futebol brasileiro. Ainda há esperança!

Maurício Guimarães

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