Vitória: Esporte Clube da Felicidade


Por Paulo Leandro

Uma das hipóteses para se entender a rápida popularidade que o Bahia conquistou já nos primeiros anos de vida é o fato de o clube ter apostado em um perfil associado à idéia de festa, alegria, encontro entre aficcionados da agremiação para partilhar sorrisos.

Em novembro de 1934, prestes a completar seu quarto aninho de vida, o então “gremio do Acupe”, por estar sediado naquela localidade do bairro de Brotas, decidiu estabelecer uma parceria que pode ter ajudado a constituir parte da identidade festiva do clube.

O Bahia passou a receber “reuniões dansantes dos clubs carnavalescos”, como o Jornal da Bahia escreveu para anunciar a novidade. Primeiro, foi o Cruz Vermelha, no outro sábado, os Fantoches, e em seguida, os Innocentes. A fusão da energia popular do futebol com o Carnaval é uma hipótese para o perfil alegre.

Some-se a esta estratégia, a conquista dos títulos, o lema “Nasceu para vencer”, mensagem de Amado Bahia Monteiro, datada de 1938, e não desde a fundação, como se divulga. Nos anos 1950, a força do hino de Adroaldo Ribeiro Costa faz sua parte como capaz de reunir os corações tricolores, entre outros ingredientes que será possível catar aqui e acolá para entender o fenômeno Bahia.

Neste mesmo período, o Vitória era tido como o “campeão da técnica e da disciplina”. A imagem de clube fechado e administrado por integrantes da elite não combinava com os pierrôs e as colombinas. O rubro-negro elitizado não era muito chegado a povo não.

ATRAÇÕES

Pois a história se passou, e 73 anos depois, o Vitória detém hoje um perfil mais próximo do Carnaval, graças à identidade em mutação que o presidente Jorge Sampaio está permitindo ao clube. A cada conquista, Jorge promove uma festança no Barradão.

Foi assim quando subiu para a Série B e a multidão ganhou lencinhos brancos na entrada do estádio para curtir a fuga da Terceirona. No lenço, tinha uma frase com base numa fala do então técnico do Bahia, Lula Pereira, que havia dito ter jogado a toalha.

Queria ter ficado com uma de lembrança… a frase era mais ou menos assim: “Ser Vitória é… não jogar a toalha jamais”. Se não for essa, Mano Tchau tem uma guardada e ele vai me mandar um e-mail corrigindo, que ali é corrente forte. Que belíssima festa!

Campeão baiano! Tome-lhe show com Ivete Sangalo e tudo. Os tricolores do então MegaFone, na velha ATEC, se chatearam e despacharam um monte de mensagens desaforadas criticando a cantora. O Barradão, ali, transformava-se em uma casa de espetáculos.

Agora, mais uma proeza da dupla Jorge&Alex: o Vitória volta à elite do futebol brasileiro. Hoje, outra festa, não li ainda quais são as atrações, mas com certeza o que vai ter de rubro-negro feliz da vida hoje… Se liga, Momo: o Carnaval começa no Monumental.

FREQÜÊNCIA

Talvez seja o caso de pensar seriamente em transformar o Barradão em “estádio de shows”. Poderíamos estrear com um show de artistas rubro-negros, programado para uma tarde/noite que não tenha jogo. O Barradão poderia ganhar esta dupla dimensão.

Os torcedores se ressentem da falta de um ponto de encontro social, como já existiu na sede de Amaralina e tentou-se fazer em Piatã. O Barça é mais que um clube, dizia aquele sábio presidente do Barcelona. O Vitória, como fenômeno cultural popular-massivo, também.

Tíndio disse que o pessoal tem chegado mais cedo nos dias de jogos para suprir esta carência, comer um churrasquinho… Agora, nesta era festeira, vale a pena pensar em agregar este valor à marca. Mais que o time vencedor, o Vitória seria o clube festeiro, capaz de atrair turista e tudo, pois este segmento do turismo esportivo ainda é praticamente ignorado pelas agências e pelos órgãos oficiais.

Este discurso tá mais pro mar… keting, onde eu não sei nadar. Mas sinto muita força na energia que une a alegria das conquistas no futebol à música e à dança dos artistas baianos. Uma origem popular que a grande mídia fortalece, reproduz e negocia, claro.

Jorge é o cara que faz esta ponte entre uma e outra paixão da bola e do som. E, como diz o pensador fotossintético Tiãozinho, quando a pessoa entra numa freqüência positiva, só chama coisas boas. Uma festa vai puxando outra e o Vitória fica cada vez mais feliz.

Nestorzão que me perdoe, desejo boa sorte aos companheiros que querem democratizar o Bahia, mas neste momento é preciso reconhecer que o título do seu livro, além de defasado, poderia servir de chiste, trocando-se apenas o nome do clube homenageado.

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