Vadão: ‘A nossa missão é colocar o clube na primeira divisão’

Interessante entrevista do novo técnico do Vitória concedida ao repórter José Carlos Mesquita do Correio da Bahia e publicada na edição desta terça-feira (11/10) Nela, Vadão fala do desafio em conduzir o rubro negro até a primeira divisão quando mostrou-se confiante na empreitada. Que Vadão é um técnico de comprovada competência isto ninguém desconfia, resta saber se vai resistir aos ataques da imprensa rubro negra ao primeiro insucesso, Givanildo e Marco Aurélio não suportam. Confira a entrevista.

Oswaldo Alvarez, o Vadão, é um técnico experiente, com passagens por grandes clubes do futebol brasileiro. Ele chegou ontem para comandar o Vitória na reta final da Série B do Campeonato Brasileiro e aceitou o desafio de colocar o time rubro-negro na primeira divisão. Sua contratação teve 100% de aprovação pelos torcedores e principalmente pela crônica esportiva. Profissional agregador, Vadão já dirigiu o Bahia em 2004 e comandou também Ponte Preta, Corinthians, São Paulo e Atlético-PR.

CORREIO DA BAHIA – Após três tentativas, finalmente você veio dirigir o Vitória!

Vadão – Desta vez acabou dando certo. Realmente, desde o ano passado que a diretoria do Vitória fez contato para eu voltar a trabalhar no futebol baiano, porém, por qualquer motivo ou mesmo por detalhe, a gente acabou não acertando. Num momento até inesperado, já que está sendo desenrolado o returno da Série B, houve nova proposta e chegamos ao entendimento final. Uma hora ia acontecer o meu retorno a Salvador.

CB – Houve algum problema na hora do acerto, já que a direção do clube relutou em confirmar a sua contratação?

Vadão – Na verdade, eu tinha algumas prioridades, eu tinha contatos para fora do país. Mas acontece que essas coisas são demoradas, às vezes a resposta leva uma semana, 20 dias, vai enrolando… acabei dando um basta e resolvi deixar a expectativa de lado. De qualquer forma poderia trabalhar em qualquer clube. Coincidiu a saída de Marco Aurélio, veio o convite do clube e nós acertamos. Portanto, não deu na vez passada porque estava negociando com uma equipe de fora do país.

CB – Como você encara mais um desafio na carreira?

Vadão – Com muita naturalidade como enfrentei outros e, graças a Deus, fui bem-sucedido. Espero que no Vitória não seja diferente. Vamos trabalhar em busca do objetivo que é classificar o Vitória para elite do futebol brasileiro. A vida de treinador de futebol é sempre um desafio em qualquer circunstância.

CB – O Vitória é hoje o sexto colocado com 37 pontos e há três pontos do quarto colocado e há seis do líder Coritiba. Como você observa essa situação, já que o objetivo é a Série A no ano que vem?

Vadão – Temos que fazer de tudo para ganharmos do Ituano. É uma rodada de muitos confrontos. Se ganharmos, aliás, o que precisa acontecer, obviamente tendo confrontos algumas equipes vão perder e, se empatar, melhor ainda. Vamos buscar o triunfo e aguardar o desfecho final dessa rodada.

CB – Pelo seu currículo, observa-se que você gosta de trabalhar em início de temporada, entretanto, no Vitória você foi contratado com o objetivo de alavancar o rubro-negro da Séria B. Menos de três meses dá para mostrar serviço?

Vadão – O que precisa-se fazer é envidar todos os esforços para subir e, depois de subir, havendo interesse na minha permanência, aí sim iniciar um trabalho que eu gosto de fazer. Em situação emergencial não é o que eu gostaria, mas também não o que não faço. No ano passado, cheguei no Atlético Paranaense que estava caindo, eu e a minha equipe de trabalho livramos o time de ser rebaixado e demos seqüência ao trabalho. No Vitória, a nossa missão é colocar o clube na primeira divisão e, caso aconteça um interesse mútuo, ficaremos por mais um período.

CB – O que você conhece do Vitoria?

Vadão – Este ano, pela Copa do Brasil, tive dois confrontos com o Vitória. No primeiro jogo, no Barradão, o Atlético Paranaense perdeu por 4×1, no Barradão, e no segundo, na Arena da Baixada, vencemos por 3×0, e o Vitória foi eliminado. Portanto, conheci o Vitória disputando partidas decisivas. Como estava parado e aproveitando a facilidade de as séries A e B serem disputadas em dias diferentes, acompanhei várias partidas de ambas e assisti ao Vitória atuar. Tenho uma boa noção e também o fato de conhecer alguns jogadores, alguns trabalharam comigo, a exemplo de Jackson, Joãozinho e Marcelo Batatais. Outros com quem não trabalhei, mas conheço como Edilson. Conheço também Marcus Vinícius do futebol japonês, pois trabalhei numa equipe e ele jogou em outra, mas fizemos boa amizade. Em suma, a equipe do Vitória não é desconhecida, já que muitos jogadores vi atuar contra e isso soma bastante.

CB – Você disse que assistiu ao jogo contra o São Caetano, quando o Vitória venceu, de virada, por 3×2. Foi a única partida que você viu integralmente?

Vadão – Antes, no início da primeira fase, assisti a alguns jogos. Recentemente, contra o São Caetano, vi o tempo todo. Foi uma partida emocionante. O Vitória fez 1×0 e depois o São Caetano fez dois em seguida e só nos instantes finais é que aconteceu a virada. Contra o São Caetano assisti na integra, mas com o Santo André, estava em casa e a todo o instante mudava de canal para observar outros, portanto observei depois somente alguns momentos.

CB – O time que você viu está um pouco mudado. Dá para tirar conclusões?

Vadão – De fato, tem sofrido algumas alterações. Vi o time jogar com Índio e hoje, infelizmente, ele está afastado por contusão. Em compensação, chegou Edilson, um jogador experiente e que será de muita utilidade. De uma maneira geral, tenho boa idéia da equipe.

CB – A princípio você pretende indicar jogadores para contratações urgentes, já que as inscrições vão terminar no final da semana? Sabe-se que as carências existem na lateral-esquerda, mesmo tendo na posição Edinho, Alysson e Sandro Baiano, mas a falta maior é um meia-esquerda?

Vadão – A gente tem que ver, porque estou chegando e tomando conhecimento das coisas. Hoje (ontem) vou jantar com o presidente e o pessoal do futebol e analisar para ver as necessidades. Assisti ao coletivo rápido de hoje (ontem) e vou aguardar o jogo com o Ituano. Se existir realmente necessidade da vinda de reforços, vou pedir. Se não houver essa necessidade, vou contar com os jogadores que estão aqui.

CB – O elenco do Vitória está inchado e tem cerca de 38 jogadores. Pretende reduzi-lo e trabalhar com quantos?

Vadão – O ideal é sempre trabalhar com um número menor. Mas isso a gente vai ter tempo, teremos uma semana para trabalhar depois do jogo com o Ituano e estudar direitinho. Vou dar uma olhada, observar e, se necessário alguma decisão, tomarei no decorrer da semana. Não cometerei nenhum tipo de erro.

CB – Você tem preferência por algum esquema tático?

Vadão – Depende muito do grupo, depende do material humano que é disponível ao treinador. Todos os esquemas são bons. Eu consegui muito sucesso no início da minha carreira adotando o 3-5-2. Na minha primeira passagem no Atlético Paranaense fiz sucesso no 4-4-2; subi o XV de Piracicaba-SP da Série C para a Série B no 3-5-2 novamente; fui campeão no São Paulo no 3-5-2.

CB – O que não deu mais certo e você acabou sendo dispensado do Atlético Paranaense?

Vadão – Fiquei dez meses no Atlético Paranaense. Como disse antes, peguei o time no ano passado numa situação muito difícil com o sério risco de ser rebaixado, revertemos a situação e livramos o clube de cair. Este ano, depois da quinta rodada, deixei o Atlético, tinha uma perspectiva de trabalhar no exterior, acabou não dando certo e estou agora voltando ao futebol baiano. Em 2004, estive no Bahia e, infelizmente neste ano estávamos na Série B e deixamos escapar a oportunidade na última rodada de voltarmos para a Série A.

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