Diretoria irresponsável pode queimar outro ídolo do Bahia



A SITUAÇÃO DE PRETO CASAGRANDE: A POSSIBILIDADE DE QUEIMAR MAIS UM ÍDOLO DEMONSTRA A IRRESPONSABILIDADE DA DIRETORIA TRICOLOR.

Em 31/07/2017, após uma verdadeira lambança na Arena Fonte Nova, contra o Sport, o técnico Jorginho foi dispensado do Bahia, para nunca mais voltar (assim esperamos).

O então auxiliar técnico Preto Casagrande, ídolo tricolor, assumiu interinamente o comando do Esquadrão, enquanto a Cartolagem movia os pauzinhos para trazer um novo comandante para manter o Clube entre os 16 melhores da Série A de 2017.

De lá para cá, foram 03 jogos: empate com a Chapecoense, em Chapecó, por 1×1; triunfo diante do São Paulo, na Arena Fonte Nova, por 2×1 e derrota com direito a goleada por 4×1 em Curitiba, para o Atlético-PR, que devolveu no dia dos pais o chocolate dado pelo Bahia no dia das mães. Até o momento, Preto tem um aproveitamento de 44,44% dos pontos disputados (04, de 09). Foram 04 gols marcados e 06 gols sofridos.

Passados 03 jogos e 17 dias, até a presente data, a Diretoria do Bahia não fez qualquer pronunciamento oficial sobre o assunto. Preto vai ser efetivado? O Bahia está em busca de algum treinador? Já existe ao menos algum início de conversa? Não se sabe… o máximo que a torcida conseguiu foi uma declaração do Presidente Marcelo Sant’ana ontem, dia 16/08, no Programa do Esquadrão, que vai ao ar pela Rádio Sociedade: “Por confiar nessa comissão, temos preferido fazer a escolha com calma. O prazo combinado era de quatro a cinco jogos para observar essa comissão. Contra o Vasco será a quarta partida. Até para tomar a decisão, precisávamos ver o trabalho dessa comissão técnica”, afirmou o mandatário.

É isso, meus amigos: Preto Casagrande, grande jogador que fez muito sucesso vestindo a camisa tricolor, bicampeão da Copa do Nordeste e uma vez campeão baiano, vencedor da Bola de Prata em 2001 como melhor volante do Campeonato Brasileiro daquele ano, está sendo testado.

O teste de um ídolo do clube como técnico seria visto com bons olhos, caso não fosse na metade de um Campeonato Brasileiro de Série A, com o Bahia brigando ponto a ponto para não ser rebaixado mais um ano. Na situação em que o Preto se encontra, só existem dois extremos: ou ele consegue um feito histórico, até pela sua pouca experiência, e coloca o Bahia nos trilhos, ou ele, pela inexperiência, não consegue extrair do elenco o necessário para reencontrar o caminho dos triunfos e do bom futebol.

Diante desses dois panoramas, o que mais vale? Jogar mais um ídolo num verdadeiro “esparro”, contando com a sorte e o acaso para que ele tenha sucesso; ou ter responsabilidade com seu material humano, colocando o seu Diretor de Futebol para trabalhar e contratar um técnico capaz de comandar um elenco razoável em busca de uma campanha digna e sem sustos, de modo a preservar o profissional que tem um belo histórico na instituição? É de se refletir…

A Diretoria do Bahia precisa ter um pouco mais de responsabilidade no aspecto “contratação de técnicos”. Foi irresponsável trazendo Jorginho de forma abrupta, treinador sem currículo que o credencie a ser comandante do Esquadrão. Agora, pregando responsabilidade e calma na escolha de um novo técnico, está sendo irresponsável, ao abrir a possibilidade de “queimar” mais um ídolo do Clube. Sim, mais um.

Com certeza todos lembram da recente passagem de Charles Fabian no comando técnico do Tricolor. Em novembro de 2014, na Série A daquele ano, Charles foi efetivado como técnico do Bahia (com 31 pontos, na época) para tentar salvar o Esquadrão do rebaixamento faltando apenas 05 rodadas para o seu desfecho. Resultado: conquistou apenas 06 pontos e o Bahia foi rebaixado para a Série B.

Na Série B de 2015, Charles chegou a ser cogitado para iniciar o campeonato como técnico, mas Sérgio Soares foi contratado. No segundo semestre, com a demissão de Sérgio, Charles assumiu o comando técnico restando 08 rodadas para o fim da Série B. Se manteve por 06 partidas, com 02 triunfos, 01 empate e 03 derrotas. Com o péssimo rendimento, o Bahia perdeu a chance de conseguir o acesso para a Série A e, por decisão da diretoria, Charles “entrou de férias”. Dessas férias, jamais retornou.

Após a passagem pelo Bahia, Charles buscou novos clubes para iniciar de fato a sua carreira como treinador e, em 2016, assumiu o comando do Anápolis – GO, clube que havia, naquele ano, sido vice-campeão goiano e eliminado do Campeonato da Série D. Iniciado o seu trabalho, em 2017, pelo Campeonato Goiano, após apenas 02 rodadas do início do certame, com um empate com o Itumbiara e uma derrota com goleada para o Vila Nova, Charles foi demitido do cargo e atualmente está sem clube para treinar.

A situação vivida por Charles serve para o torcedor e a Diretoria analisarem o atual cenário vivido por Preto, de modo que não se repitam os erros do passado para evitar “queimar” mais um ídolo tricolor. Preto é carismático, tem identificação com a torcida e com o elenco, é um verdadeiro “boleiro”, fala a linguagem dos jogadores e tem o apoio dos mesmos, mas devemos lembrar que o Bahia disputa o campeonato mais difícil do mundo, com um calendário muito apertado e que nessa altura da competição não é mais permitido errar. Por mais que todos desejem o sucesso de Preto à frente do Esquadrão, caso ele não consiga os triunfos almejados, “o dele que estará na reta”, e será o primeiro a ser dispensado, assim como aconteceu com Charles.

É preciso que a Diretoria de Futebol do Bahia se empenhe de fato para conseguir um profissional no mercado, pois não é possível mais fazer testes nesse momento. O carro está andando e não é seguro fazer a sua manutenção em movimento. Acidentes podem acontecer, inclusive os fatais.

Gabriel Contreiras, advogado, tricolor de coração e fã do Blog.