Freeland defende chegada de Marcinho e diz que Bahia ‘está fazendo o bem’

o dirigente afirmou que a agremiação está fazendo um bem ao contratá-lo.

Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

A contratação do lateral-direito Marcinho pelo Esporte Clube Bahia gerou grande repercussão nas redes sociais, com parte da torcida protestando contra a chegada do jogador, que responde a um processo criminal após ter atropelado um casal de professores em dezembro de 2020. Do outro lado, muitos torcedores se posicionaram a favor. Em entrevista nesta terça-feira, o diretor de futebol do Esquadrão, Eduardo Freeland falou sobre o assunto, após protestos da torcida e de grupos políticos. Questionado se o Núcleo de Ações Afirmativas do clube foi consultado sobre a chegada do atleta, o dirigente afirmou que a agremiação está fazendo um bem ao contratá-lo.

 

“Importante eu dizer que eu acompanho o Bahia. Uma das grandes admirações que eu passei a ter nos últimos anos foi justamente as ações de políticas inclusivas que o Bahia passou a ter, isso foi muito forte, acho que isso marca muito a história do Bahia, do posicionamento do Bahia. E até perante essa percepção, a gente também tem uma análise que pode gerar discussão, mas que também pode trazer para a gente uma percepção contrária ao que o senso comum ou algumas pessoas estão trazendo à tona em discussão. Por exemplo, quando a gente fala de incluir o atleta que passou por um acidente poder voltar a trabalhar. Claro que isso gera discussão, uma fala como essa também pode gerar algum tipo de discussão, do entendimento disso, mas a nossa percepção é de que a gente está fazendo o bem para uma pessoa que já fez acordo com as famílias, que já está sendo julgada”, opinou Freeland.

“A gente tem que tomar cuidado para não partir para a política do cancelamento de um outro ser humano. Como eu conheço o histórico desse atleta, eu me sinto muito confortável em colocar para a torcida, para a nação tricolor, que é um profissional sério, dedicado, comprometido, que cometeu erros, acho que todo nós cometemos erro na nossa vida. E que ele está pagando pelos erros que cometeu, e a gente aqui não pode simplesmente cancelar e virar as costas. Acho que o Bahia é um clube que pode também pensar dessa forma e abrir as portas para oferecer uma nova oportunidade para um atleta como ele”

“A gente, de certa forma, já esperava que houvesse uma repercussão negativa, mas a gente também vê uma repercussão positiva por outro lado. A gente é muito sensível a esse olhar, a esse tipo de discussão porque é um tema relevante, não é uma situação normal. Então a gente procura ser muito racional, analisar a situação de uma forma bem crítica, bem atenta. O fato de ser o jogador que foi, eu já conhecer bem o histórico, claro que pesa. Nenhuma decisão é tomada por uma pessoa só dentro do clube, nenhuma contratação, saída ou chegada de funcionário, por exemplo, é uma pessoa só que toma a decisão. Mas, sim, o presidente [Guilherme Bellintani] me deu a chave do clube, como ele brincou na minha apresentação, e a decisão final passa por uma discussão interna”

Eduardo Freeland também ressaltou o lado humano dentro do Bahia para contratar Marcinho. “Eu acho que o Bahia é um clube que tem um lado humano muito forte. Claro que o lado humano se aflora de várias formas, é visto de várias formas. Volto a falar das políticas inclusivas que o clube teve de ações bem relevantes, recentes, inclusive. Basicamente, toda a discussão girou em torno desse ponto: qual é o retorno que a gente vai ter em prol da decisão que a gente está tomando? O fato de a gente estar analisando o lado humano desse processo, de tudo que foi discutido, fez com que a gente entendesse que faria sentido”, explicou Freeland.

O diretor também explicou o atraso para anunciar o jogador, que já estava treinando no clube há duas semanas. “Na verdade, todo o imbróglio foi simplesmente documental. A gente queria muito anunciar o Marcinho na semana passada, mas, como ele está vindo de empréstimo de um clube de fora, gera um trâmite mais burocrático. E esse trâmite demorou um pouquinho em função das questões do clube, dos ajustes, dos acordos, e só ontem a gente conseguiu, efetivamente, ficar tranquilo que a gente poderia anunciá-lo. Então foi fundamentalmente em função de parte documental e de registro. Só na segunda-feira que ele foi colocado no sistema. Só sendo colocado no sistema que a gente poderia fazer.”

Autor(a)

03/08/2022 às 12h00

Fellipe Costa

Redator e Administrador do Futebol Bahiano. Contato: [email protected]