Rebaixamento do Cruzeiro serve de espelho para os demais clubes da Série A

CRUZEIRO: MAIS UM GIGANTE INTEGRANDO À SÉRIE B

Foto: Felipe Correia/Photo Premium/Folhapress

Não tenho dúvida que o futebol brasileiro é o melhor do mundo, haja vista que, independentemente, do Flamengo ter “amarelado” na final do Mundial de Clubes, perdendo de 1×0 para o Liverpool, deixando de conquistar seu segundo título mundial, outros clubes brasileiros já conseguiram essa façanha. Vejamos que além do Flamengo, fazem parte desse seleto grupo do futebol nacional: São Paulo (3x), Santos (2x), Grêmio, Internacional e Corinthians, com um título cada, sendo que, os corintianos consideram o título de 2000 como uma conquista Mundial mas, particularmente, discordo por entender que se trata de um título “Mandrake” haja vista que o Timão, na época, não tinha sido Campeão da Libertadores, entrando no torneio “pela janela” a convite da FIFA, em função do Brasil ter sido sede da competição. Acrescento, ainda, o fato ou fator da Seleção Brasileira ostentar o privilégio de ser a única Penta-Campeã do Mundo, haja vista que todos tentam, mas, só o Brasil é Penta.

 

Mas, há clubes que ficaram no quase, em função de tropeços na semi-final ou na final da competição a exemplo de Vasco, Palmeiras, Atlético/MG e Cruzeiro. Isso mesmo, o CRUZEIRO! Um clube quase centenário que teve 300 milhões de reais de orçamento para 2019 (mais que o dobro do orçamento do Bahia que foi estimado em 143 milhões de reais), com uma absurda folha de pagamento em torno de 15 milhões de reais/mês, (quatro vezes maior que a do Bahia), uma das maiores potências do futebol Sul-Americano, detentor de importantes títulos regionais, nacionais e internacionais: campeonato mineiro pela enésima vez, quatro títulos do Brasileirão, seis títulos da Copa do Brasil, dois da Copa Libertadores, dois da Supercopa dos Campeões da Libertadores, um da Recopa Sul-Americana e muitos outros de menor importância, enfim, uma galeria de troféus de deixar seu torcedor orgulhoso e causar inveja a qualquer torcedor de outro clube, principalmente, ao fanático torcedor do Galo, seu eterno arquival.

Infelizmente, tudo o que foi citado no parágrafo acima e mais alguns fatos e feitos, não foram suficientes para impedir esse inesperado e vergonhoso rebaixamento do time celeste à Série B, que iniciou a temporada sendo Campeão Mineiro e, embora tenha feito uma campanha ruim na Copa Libertadores, sendo logo eliminado nas oitavas de finais, conseguiu realizar uma boa campanha na Copa do Brasil, chegando às semifinais, mas, sendo eliminado pelo Internacional quando a partir daí, o time começou a desandar de vez no Campeonato Brasileiro, realizando uma desastrosa campanha que o levou ao inédito rebaixamento. E agora José Perrela? Que perrengue! Parafraseando o velho e bom Paulo Diniz: “E agora José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou. E agora você? Você que é sem nome, que zomba dos outros (….), mas o mar secou, quer ir para Minas, Minas não há mais José. E agora?”…! Pra quem tinha uma cota de TV superior a 100 milhões de reais/ano e jogando na Série B, a cota será de aproximadamente 7 milhões de reais/ano, menos da metade da sua milionária folha de pagamento mensal, como é que essa conta vai fechar?

Muito se fala que os dois principais pilares para que um clube de futebol faça sucesso numa temporada é ter uma sólida estrutura organizacional e um ótimo planejamento técnico-financeiro. Agora, eu pergunto aos gênios do futebol: o que é que houve com “Rose” ou, especificamente, com o Cruzeiro? Imagino que, não há uma resposta imediata e concreta! Como é que um clube que está ranqueado entre os maiores e melhores do Brasil (4º. lugar no último ranking da CBF), com uma fantástica estrutura, um clube que possui ou possuía um dos maiores elencos do futebol brasileiro por passar toda temporada investindo na compra de jogadores revelados em outros clubes para obter grandes lucros numa eventual revenda; um clube que nos últimos sete anos, conquistou sete títulos, sendo Bi-Campeão Brasileiro 2013/2014, Bi-Campeão da Copa do Brasil 2017/2018 e ainda, de lambuja, três títulos de campeão mineiro, taças que devem ser consideradas “fichinhas”, comparadas à grandiosidade das conquistas de âmbito nacional e ainda, em que pese o rebaixamento à Série B, conseguiu chegar às semi-finais da Copa do Brasil de 2019; um clube com um grupo qualificado e recheado de craques, ou melhor, jogadores diferenciados – craque é uma espécie em extinção -, a exemplo de Thiago Neves, Fred, Pedro Rocha, Manoel, Robinho, Rodriguinho, além de ter realizado a maior transação da história entre clubes do futebol brasileiro, que foi à venda de Arrascaeta para o Flamengo, negociação que girou em torno de 63,3 milhões de reais. Realmente, um clube com uma trajetória fantástica no futebol brasileiro! Será que seus cartolas fizeram “galinha gorda” com o dinheiro do clube?

Agora, quem estava pensando que, por tudo que esse signatário relatou aqui a respeito do Cruzeiro, indica que tenha alguma paixão ou simpatia pelo time celeste, está muito enganado até porque, só tenho antipatia ao clube mineiro. A conclusão que quis chegar é que: o Brasileirão é composto por 20 clubes; desses, tínhamos, dois de Minas, temos quatro do Rio de Janeiro, quatro de São Paulo e dois do Rio Grande do Sul, clubes que formavam o seleto G-12 ou o escol do futebol brasileiro, aliás, como o Athletico Paranaense já se tornou uma grande força, vou fazer uma abrangência e considerar G-13, ficando os sete restantes torcendo para que um ou uns desse Grupo tropece e fique abaixo do previsto, como aconteceu nesse ano com Fortaleza, Goiás e Bahia que “roubaram” a cena e ficaram acima de Vasco, Atlético Mineiro, Fluminense, Botafogo e Cruzeiro, com os três primeiros ainda conseguindo assegurar vaga na Sul-americana, o Botafogo só conseguindo se manter na Série A e o Cruzeiro sumariamente rebaixado à segundona, juntamente com a Chapecoense, o CSA das Alagoas que obteve o acesso em 2018 e o imediato descenso em 2019, além do  bipolar Avaí, que segue sua eterna sina de sobe e desce, sempre surfando nas ondas da Série A e da Série B.

O fato é que esse rebaixamento do Cruzeiro serve de espelho, não só para o G-13 que citei, mas, também, para os demais integrantes do Brasileirão, principalmente, o Bahia que após à bancarrota que vivenciou entre os anos 2003 a 2013 quando mergulhou por duas temporadas na Série C, divisão que simboliza umas das profundezas do inferno do futebol brasileiro, passou por uma intervenção judicial e, graças ao seu regime presidencialista, porém, democrático, vem se reconstruindo a passos largos ao longo dos últimos seis anos e, no caso de um eventual rebaixamento, seria um tremendo chute de bicuda no saco de projetos do Esquadrão de Aço que já deve ter metas traçadas a curto, médio e longo prazos. BBMP!

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

 

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