O campeão moral

É fato a crise financeira no mundo, é também factível que as relações “bancárias” entre os seres-humanos estejam abaladas: não serve mais levar vantagem em tudo, agora tem que levar vantagem com pequenos crimes. Quero me ater as relações “bancárias” entre os clubes de futebol. Preocupa-me ter que suportar a idéia de que o melhor não vença o campeonato mais uma vez e que no final apareça um “ladrão” que roube todo esse patrimônio moral que o Bahia conseguiu na primeira fase de superioridade inquestionável. A engenharia da fórmula desse campeonato é digna de aberrações de anos atrás e experiências mal sucedidas. Porém, o pior é que quanto mais eles tentam resolver o problema, mais monstruoso fica o resultado dos regulamentos de campeonatos de futebol.

O Bahia terminou os jogos de ida da primeira fase imbatível, e ainda com um jogo a menos continua na frente da tabela. Isso tudo pode parecer que o Bahia conquistou algo ou está mais próximo de ganhar o título de campeão baiano. Mas isso é o que chamam de gordura no futebol, expressão adaptada de sociedades obesas. Essa primeira fase do nosso campeonato é uma espécie de valorização artificial que veio de outros continentes por empréstimo. Só que quem ganha uma disputa por pontos corridos por lá não precisa ir para uma fase seguinte. Seguindo a lógica de que seria injusto e ganancioso criar uma fase seguinte para fins de arrecadação financeira, uma vez que restaria claro a superioridade do clube que conseguiu o feito de concluir a fase de pontos corridos em primeiro lugar. Lá o “Código do Consumidor” deles não permitiria fórmulas com fins unicamente de arrecadação. Lá onde as coisas são mais sérias, no primeiro-mundo o torcedor é tratado com respeito.

Não seria melhor criar um campeonato, como o de basquete norte-americano, com “plays-offs” de sete partidas separando Bahia e Vitória em grupos distintos com seu cruzamento somente numa melhor de sete partidas? Nada tenho contra a importação de fórmulas alienígenas que reproduzidas aqui com adaptações poderiam melhorar e verdadeiramente coroar o clube campeão baiano com todos o méritos. Seria muito simples: cruzaria o primeiro de cada grupo e eles fariam uma melhor de sete partidas a fim de que o campeão possa impor sobre o melhor da outra chave sua superioridade. A globalização é um fato, as trocas de experiencias fortalecem as nações. No esporte, o campeonato brasileiro adotou a competição de pontos corridos, por que a Bahia não inova seu campeonato inspirado no basquete americano?

Ou vocês pensam que engoli o título do rubro-negro do ano passado? Nunca vi algo tão esdrúxulo como a fórmula do campeonato do ano passado. Esse nosso campeonato de 2009 também não fica atrás. Para mim é óbvio que o campeão baiano sairá de Bahia ou Vitória, mas teremos que suportar duas fases enfadonhas, chatas porque o Bahia na segunda fase poderá terminar outra vez em primeiro lugar, e caso aconteça teremos a repetição de mais uma injustiça: a possibilidade de toda uma campanha ser abalada por um erro de um árbitro na fase derradeira, como aconteceu ano passado no Ba-vi em Feira. Aliás, para ser coerente, eu acho que o Bahia perdeu quando aceitou que o regulamento protegesse o mais fraco, por isso não dei importância ao erro que tirou o campeonato no ano passado do Bahia. Choro de erro de arbitragem não é comum entre tricolores.

Maurício Guimarães

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