Bahia devolve à Bahia a hegemonia do Futebol Nordestino!

O CAMPEÃO VOLTOU! Com mais um título de Glória do Bahia, o Futebol Nordestino volta à normalidade

Bahia tetracampeão da Copa do Nordeste. Lucas Figueiredo/CBF

Por dois anos seguidos, o estado do Ceará, através dos seus dois principais clubes, Ceará e Fortaleza, protagonizou a hegemonia do futebol nordestino, com o Fortaleza conquistando seu inédito título de campeão da Copa do Nordeste em 2019 com o técnico Rogério Ceni e o Ceará conquistando de forma invicta o título de 2020 com o treinador Guto Ferreira, diante do Esporte Clube Bahia, repetindo o feito de 2015, sem falar da boa campanha realizada pelo Vozão no último Campeonato Brasileiro, quando acabou em posição melhor que o Bahia.

 

No cenário nacional, o futebol cearense nunca foi destaque, até porque, suas duas principais forças, jamais conquistaram um título de destaque de âmbito nacional como já aconteceu com Bahia que é Bi-Campeão Brasileiro. Entretanto, no âmbito regional, após anos e anos com Ceará e Fortaleza sendo “cadeiras cativas” na Série B e até na Série C, categoria onde o Fortaleza figurou de 2010 a 2017, ou seja, por oito anos seguidos, só vindo se reabilitar a partir de 2018 obtendo o título de Campeão Brasileiro da Série B, foi Campeão do Nordeste 2019, além de ter feito uma boa campanha no Brasileirão daquele ano, finalizando a competição na primeira página da classificação.

Já o Ceará, começou a mudar de patamar em 2015, sendo campeão invicto da Copa do Nordeste, mesmo disputando a Série B, e após obter o acesso de 2018, em 2019 esteve na bica do rebaixamento só não sendo rebaixado à Série B graças a incompetência do Cruzeiro, quando o time mineiro conseguiu ser no pior que o time cearense, somando 36 pontos contra 39 do Vozão. Após o susto, o Vozão se reinventou, se reorganizou e se reforçou e, já em 2020 conquistava seu segundo título da Copa do Nordeste, de forma invicta e, o pior,
em cima do Bahia, com direito ao repeteco de outra final em 2021, só que, com o Bahia quebrando a escrita, sendo campeão e, o melhor, quebrando uma longa invencibilidade de 23 jogos do Vozão que não era derrotado desde o ano passado na competição.

Em função da boa temporada do Vozão em 2020, na qual, além de ter conquistado o título da Copa do Nordeste, fechou a referida temporada com uma boa classificação no Brasileirão com um time bem postado em campo, inclusive, integrando dois ex-jogadores do Bahia que não “prestavam” para o Esquadrão, mas, que foram protagonistas na aludida temporada, Vina e Tiago, o time em algumas rodadas esteve paquerando o G-6, na iminência de se credenciar a uma vaga na Copa Libertadores, entretanto, na reta final do Brasileirão, o time teve uma queda de produção e teve que se contentar com uma vaga na Copa Sul-Americana.

Com o bom histórico do Vozão na temporada passada, ao iniciar a Copa do Nordeste 2021, todas as bolsas de apostas e todos os palpiteiros de plantão, já cravavam o time do Ceará como campeão ou, no mínimo, como o principal favorito ao título. Em contrapartida, o Bahia que vinha de uma pífia temporada, onde só conseguiu ganhar o título de campeão baiano, sem conseguir vencer o Atlético de Alagoinhas, além de outros vexames que todos nós sabemos e só conseguindo se livrar da degola do rebaixamento na penúltima rodada do Brasileirão, era olhado com desconfiança, inclusive, sem nenhuma credibilidade de chegar à final e, com o “patinho feio” Dado Cavalcanti comandando o time, mas, por ironia do destino, enfrentando o seu então algoz.

Felizmente, o futebol jamais deixará de ser uma palavra indescritível, enigmática e mágica, porque está sempre cercado de surpresas, incertezas, alegrias, tristezas, emoções, frustrações, paixão, amor, ódio…, componentes que o tornam o esporte mais emocionante do mundo, o esporte das multidões e, enquanto o Vozão iniciou a competição na “ponta dos cascos”, o Esquadrão começou “trocando o pneu com o carro em movimento”, haja vista que seu gestor, por não ter havido pré-temporada, foi obrigado a começar remontar o time dentro da presente temporada, onde já estava em curso, além do campeonato Baiano que é disputado pelo time sub-23, o time principal já disputava a própria Copa do Nordeste, a Copa do Brasil e já se preparava para disputar a Copa Sul-Americana, já em novo formato, que iniciou-se no mês passado.

Comecei a acreditar na possibilidade do Bahia conquistar esse título no jogo da semifinal contra o Fortaleza, quando percebi que a tradicional mística entrara em campo, por entender que Deus escreve certo por linhas tortas. Ora meus amigos, mesmo Douglas sendo um goleiro contestado no Bahia e foi sacado do jogo por ter testado positivo para Covid-19 e ver um jovem terceiro goleiro, Matheus Teixeira, estrear no time principal, entrando numa verdadeira “fogueira” num jogo decisivo de mata ou morre, e no final da disputa se consagrar, sendo o herói do jogo, ao defender dois pênaltis, mesmo guardando algumas desconfianças em relação ao time, não titubeei em dizer: “O BAHÊA SERÁ O CAMPEÃO”, por entender que naquele histórico sábado, os deuses do futebol começaram a ser parciais e passaram a torcer para o Bahia levantar à “Orelhuda”.

No primeiro jogo da final contra o Ceará disputado no PituAÇO, o Bahia começou com uma boa postura em campo, sem deixar o Ceará jogar, mas, infelizmente, aconteceu a expulsão do Luiz Otávio, o time sentiu, se desarrumou e se desarranjou dentro de campo, no segundo tempo, após os dois times ter ficado com dez jogadores cada, o Bahia fazia uma partida segura, mas, no finalzinho do jogo, num fechar de olhos dos deuses do futebol, a hipotética “Lei do Ex” entrou em campo e Jael, o cruel, com uma “cagada” do tamanho do Castelão, definiu o jogo a favor do Vozão, levando a vantagem do 1×0 para o segundo jogo.

Foi uma semana de muita expectativa, de muito suspense, com os sofredores do time que está de quarentena até o fim do mês, esgotando o estoque de “secadores” nas lojas do ramo, cantando em prosa e verso que o Bahia conquistaria diante do Ceará, o “tri-vice” da Copa do Nordeste, além disso, chegaram até a fazer camisa com 3 estrelas já comemorando de antemão o tricampeonato, enfim, a grande festa estava preparada, com a certeza de que iriam se divertir e se satisfazer, mais uma vez, com o “instrumento” dos outros, como vem acontecendo desde 2019 quando o Leão perdeu o radar da Série A e das grandes decisões e, infelizmente, está caminhando a passos largos para entrar no labirinto onde se encontram Ipiranga, Galícia, Leônico e Botafogo, clubes que tiveram sua história no futebol da Bahia.

Como o Esporte Clube Bahia, mesmo com todos os percalços que já passou na sua gloriosa trajetória, jamais deixou de carregar o slogan: NASCEU PARA VENCER, entrou em campo no último sábado, com a faca nos dentes, com os jogadores cuspindo fogo e dispostos a quebrar o tabu e a encerrar a freguesia para o time cearense, fator que já incomodava, e muito, toda nação tricolor, foi pra o jogo, fez um primeiro tempo truncado mas, mesmo assim, quase abria o placar.

No segundo tempo, quando o Bahia percebeu que o Ceará queria o título, mas, abdicava de querer jogar futebol em função do empate lhe ser favorável, o tricolor mesmo com cautela, partiu pra o tudo ou nada, marcando um gol de pênalti e depois, com Gilberto que resolveu ser decisivo e cirúrgico, num jogo de final de campeonato, sendo que com os 2×0 o Bahia resolveu recuar e aí, entrou em ação, mais uma vez, a famigerada “Lei do Ex”, com o “Cruel” marcando um golaço e recolocando o Vozão no jogo, que foi para os pênaltis, com o ex-terceiro goleiro reserva Matheus Teixeira brilhando mais uma vez, defendendo um pênalti. Com os 2×1 do tempo regulamentar, o Bahia já tinha quebrado a longa invencibilidade do Ceará e com os 4×2 na decisão nos pênaltis, a hegemonia do futebol nordestino volta ao normal, com o Bahia sendo o melhor e maior clube do Nordeste.

Para finalizar, está totalmente superado o tal tabu do Bahia que não vencia o Ceará há alguns jogos. O saudoso e genial Luiz Gonzaga, em um dos seus famosos baião diz: “No Ceará não tem disso não…”! E aqui eu digo: “Na Bahia não terá mais esse negócio de tabu com o Ceará, não. A escrita foi quebrada”.

Parabenizo toda diretoria do Bahia, jogadores e toda Comissão Técnica, especialmente o “retarDADO” Cavalcanti que para muitos não tinha topete para ser treinador do Bahia, mas, soube dar sua resposta, em pleno terreiro do Vozão, resgatando à hegemonia do futebol da Bahia na Região Nordeste.

BBMP! O CAMPEÃO VOLTOU!

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano. 

 

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