Reforço do Bahia para o sub-23 faz relato tocante do início da carreira

Raniele chegou a passar fome quando atuava nas categorias de base do Fernandópolis

Natural da cidade de Baixa Grande, interior da Bahia, o zagueiro/volante Raniele foi anunciado no início do mês como reforço do Esporte Clube Bahia para o time de transição, após passagem pelo Botafogo-SP, onde disputou a Série B do Campeonato Brasileiro. Ele acumula passagens pelo futebol paulista, defendendo clubes como Ferroviária, Taubaté e Penapolense. No ano passado, após encerrar a Série C pelo Jacuipense, acertou com o Botafogo-SP e realizou 11 partidas pela Série B. Raniele está entre muitos jogadores que sofreram na infância e tiveram que ter muita superação para realizar o sonho de ser um jogador profissional de futebol.

 

Raniele fez um relato tocante do início da carreira e relembrou que chegou até mesmo a passar fome quando atuava nas categorias de base do Fernandópolis, no interior de São Paulo. O jogador de 24 anos de idade não tinha como se manter em outro estado e dependia, essencialmente, da precária estrutura que o clube paulista poderia oferecer.

“Era difícil, porque eu tinha duas opções: ou falava para o meu pai que estava morrendo de fome e ele ia falar para eu voltar para casa de algum jeito; ou eu ia para cima. Eu tinha o sonho de ser profissional, então eu precisava passar por aquilo ali. Eu estava no sub-20 ali (em Fernandópolis). Às vezes tinha refeição, às vezes não. A gente tinha que esperar o profissional comer, você vê a ‘rapaziada’ comendo e depois mal sobrava comida. Era tudo muito limitado. A gente treinava com fome, esperava chegar o outro dia. Quem tinha dinheiro, comprava comida. Quem não tinha, bebia água e dormia para no outro dia acordar e treinar. Era complicado, mas tive de passar por isso para aprender a valorizar o que eu tenho hoje.”

Raniele rodou por várias equipes antes de chegar ao Esporte Clube Bahia, mas poderia ter começado justamente no tricolor baiano. Porém, foi reprovado nos testes feitos tanto o Bahia como o arquirrival, Vitória.

“Foi muito trabalho. Assim como fui recusado no Vitória, que fiquei até mais tempo, no Bahia foi uma avaliação e duas semanas de teste. Mas não tem nada de rancor, nem nada. Não era o momento, eu não tinha qualidade o bastante na época mas, conforme o tempo passou, eu evoluí e fiquei mais pronto para integrar o elenco. É um clube que eu sonhava jogar, um dos maiores do Brasil, o maior do Nordeste… Qualquer jogador sonha atuar aqui. Quando eu era moleque, não deu certo, mas agora deu. Tudo no tempo de Deus.”

 

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