Clubes brasileiros podem deixar de arrecadar até R$ 2 bilhões devido à crise

Clubes seguem buscando alternativas para diminuir o impacto

O Esporte Clube Bahia ainda atravessa uma fase de restruturação após gestões desastrosas de antigos presidentes, porém, mesmo sem nadar em dinheiro, iniciou a temporada 2020 com boa expectativa e um faturamento previsto de R$ 179 milhões. Para termos uma ideia, há cinco anos o clube estava na segunda divisão e projetava lucrar R$ 68 milhões. Ou seja, a previsão atual (de R$ 179 milhões) supera a maioria dos adversários na primeira divisão. No entanto, essa projeção feita pela diretoria não deve se cumprir. Recentemente, em entrevista ao jornalista Jorge Nicola, o presidente Guilherme Bellintani falou sobre as dificuldades que o clube terá nesse momento, com o prejuízo pode chegar a casa dos R$ 60 milhões. O Esquadrão segue buscando alternativas para diminuir o impacto, como ações voltadas para segurar os sócios-torcedores, além, é claro, da redução dos salários de jogadores e dirigentes.

 

A crise chegou para todos, é claro, alguns vão sofrer mais que outros. Em matéria assinada Rodrigo Capelo, jornalista especializado em negócios do esporte, no site Globoesporte, destaca que os clubes brasileiros devem deixar de arrecadar entre R$ 500 milhões e R$ 2 bilhões. VEJA ABAIXO:

Ainda que as perspectivas continuem muito incertas, por motivos alheios ao futebol, clubes brasileiros começam a formar consensos nos bastidores. Como, por exemplo, a necessidade de recomeçar competições em partidas disputadas com portões fechados. Ninguém gostaria de ver jogos sem torcidas nas arquibancadas. É um desrespeito à essência popular do futebol. Ruim até para televisão, cujas transmissões não terão a atmosfera típica de um estádio, e para patrocinadores que dependem da hospitalidade.

Como provavelmente não haverá segurança para aglomerar 30 mil pessoas num estádio de futebol no curto prazo, no entanto, o recomeço das competições com portões fechados é uma opção inevitável na maioria dos lugares. Não há como cancelar o futebol por uma temporada inteira sem que o mercado inteiro entre em colapso.

– Portão fechado é uma realidade no Brasil e no mundo inteiro. Não vai ter aglomeração no curto prazo. Haverá uma redução drástica dos sócios e das bilheterias – diz Pedro Daniel, diretor da EY
O blog, então, foi atrás dos orçamentos dos clubes para estimar as perdas iniciais para os integrantes do Campeonato Brasileiro. Baseados nas projeções de 14 agremiações para a temporada de 2020 – confira a lista abaixo –, calculamos o impacto dos portões fechados na contas.

Receitas com direitos de transmissão e patrocínios, ainda que prejudicadas pela suspensão dos campeonatos, podem ser integralmente recuperadas pelos clubes desde que não haja mudanças significativas em fórmula de campeonato, quantidade de partidas transmitidas e vendidas para patrocinadores, entre outros fatores.

Sócios-torcedores, associados com frequência nos clubes de lazer e transferências de jogadores são três entradas seriamente comprometidas, entretanto é improvável que elas zerem nesta temporada. Clubes poderão manter parte de seus associados adimplentes, bem como deverão vender atletas para os mercados doméstico e externo – a depender da gravidade da crise no mundo.

– Televisão e patrocínios são recuperáveis. Clubes são geradores de conteúdo. A partir do momento que eles conseguirem gerar conteúdo, seguindo requisitos básicos de sanitária, haverá enorme demanda represada – diz Pedro Daniel, da EY.

As bilheterias zeraram. Elas são irrecuperáveis. Como não haverá segurança sanitária para que estádios recebam público tão cedo, há cerca de R$ 500 milhões em vendas de ingressos que já sumiram. A depender das perdas que ocorrerão com sócios e transferências, maiores ou menores, o impacto tende a ficar entre R$ 500 milhões e R$ 2 bilhões sobre as contas dos clubes. Isso a considerar um cenário em que clubes mantêm receitas planejadas com direitos de transmissão e patrocínios, além de um calendário com término ainda em 2020.

Pedro Daniel, diretor executivo da EY, alerta para um número. Na indústria do futebol brasileiro, cerca de 50% dos empregos gerados pela modalidade, direta ou indiretamente, estavam ligados ao dia do jogo. A maior parte dessas pessoas ficará desempregada ou sem trabalho num cenário em que partidas ocorrerão com portões fechados.

– Não se trata apenas da operação do jogo, mas de logística, transporte, rede hoteleira. Nada disso funcionará. A cadeia do futebol sofrerá perdas relevantes na quantidade de empregos gerados por causa desta crise – diz Pedro Daniel.

Ninguém no planeta estava preparado para uma crise como a imposta pela Covid-19, mas a realidade é que o futebol brasileiro estava vulnerável além da conta. Não havia margem para erro. No caso dos clubes, o torcedor já tinha motivos para esperar que os orçamentos estourassem. Muitos dirigentes foram exageradamente otimistas em suas projeções financeiras. Muitos não conseguiriam terminar o ano com as contas no azul mesmo que as condições estivessem normais. O futebol estava em crise antes do coronavírus.

Como a margem para erro já estava muito apertada na maioria dos casos, a consequência da subtração repentina de receitas será a necessidade de reduzir custos de maneira agressiva, ou então acumular dívidas que para muitos clubes se tornarão impagáveis.

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