A BAMOR errou o alvo

                                   

Uma injusta nota da Bamor, maior torcida organizada do Bahia, provocou-me reflexões sobre como grupos de torcedores organizados podem ser uma alavanca para o crescimento de um clube, inclusive com a sua participação na vida associativa da agremiação e o direito de disputar o cargo de maior relevância do clube, a presidência. O maior exemplo desse “quase” axioma assistimos no Corinthians com Andrei Sanches, ex-presidente de uma torcida organizada do “Timão”, e hoje um dos responsáveis pelo clube paulista ter conseguido realizar sonhos inimagináveis anos atrás.

Mas, como foi que Andrei Sanches de torcedor organizado chegou a presidência de seu clube? Certamente, Andrei precisou se afastar de um modelo implantado no Corinthians que o seu antecessor, Duallib, apresentava a torcida como moderno. Tão notória e pública se tornou os desmandos no Corinthians com um grupo refastelando-se junto a um personagem obscuro, um investidor de nome de carro, Kia, que explodiu uma investigação criminal envolvendo o Duallib e Kia. Todos conhecem já o desfecho dessa intervenção no Conrinthias e os resultados da ascensão de Sanches.

Esse paralelo entre o Corinthias e o Bahia, clubes de massa, e torcedor organizado do Bahia, porém, pára enquanto não percebemos maturidade das organizadas do Bahia em pleitear algo a mais para o clube com fins a um dia disputarem a presidência de seu clube. A Bamor, por exemplo, chegou a capitanear dois grandes movimentos, a passeata no Campo Grande e a pressão sobre Petrônio Barradas às portas do Fazendão, contudo todo o sonho de um Bahia livre esculpido nesses dois grandes momentos da história do clube não renderam para o tricolor nada alem de um título baiano e o direito de permanecer no Brasileirão da série “A” pelo 3ª ano consecutivo.

Todo o trabalho conferido na conferencia “Gigante Tricolor” e movimentos mais panfletários deveriam colocar o tricolor entre os clubes mais modernos do pais, como o Internacional. A Bamor queria isso tambem. Mas,  quando lemos o estatuto aprovado no início desse ano, o arcabouço de um Bahia que queria ser vanguardista na Bahia… Tudo isso ficou enterrado definitivamente. E a pergunta que faço: onde estava a ambição da maior torcida organizada da Bahia, a Bamor, de transformar o Bahia em um clube sem “donos”? Qual a posição da Bamor em relação as empresas que sugam nosso patrimônio das divisões de base? Todo esse episódio envolvendo a Calcio, o Bahia e a Antoniu’s parece surreal a cada nota emitida pelo tricolor que precisa corrigir sua versão dos fatos.

Sinceramente, minha decepção com a Bamor só aumenta. Lamento o desvio histórico de seus compromissos com o interesse do clube para justificar sua existencia. O Bahia pode viver agora uma das maiores vergonhas de sua história ao ser desclassificado de uma Copa do Nordeste em fase de grupos em dois jogos perdidos dentro de casa, Pituaçu. A Bamor cobrou atitude de seus dirigentes no ultimo jogo, mas seria precioso que sonhasse com um clube democrático e transparente, mais poder da torcida dentro do clube, não só nas arquibancadas.

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