Para se prevenir do sol Vitória joga de branco

Para se prevenir do sol escaldandante das 3 da tarde, nesta sexta-feira, 26, contra o Criciúma, o Vitória lançará mão de seu uniforme número 2. “Vamos jogar com o padrão todo branco, que absorve menos calor do que a camisa rubro-negra e short e meião pretos”, anunciou o presidente do clube, Jorge Sampaio.

Pior para o Tigre, que vem da tradicionalmente fria Santa Catarina, onde – mesmo na Primavera – a temperatura tem chegado aos 18 graus centígrados. E terá de entrar em campo com o seu uniforme mais escuro. A previsão para o horário da partida, de acordo com o site, é de 28º C.

Mas nem sob este ponto de vista, o cartola concorda com a determinação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). “É desumano, muito cruel com atletas de alto rendimento. Uma loucura”, considera, embora acrescente que o fato não possa ser utilizado como desculpa. “Vamos pro pau. O que importa, agora, nesta reta final, é superar todos os obstáculos”.

Os jogadores também desaprovam. Segundo o zagueiro Marcelo Batatais, capitão da equipe, o desgaste realmente é maior. Sábado passado, ele participou dos 90 minutos na derrota para o Fortaleza, debaixo de uma verdadeira “lua”, no Ceará, na primeira experiência às 15 horas, e sentiu na pele.

Situação que não chega a ser insuportável, contrapõe. “Como não vínhamos atuando às 17h, uma horinha só de diferença dá para agüentar”, diz.

“Fórmula” – Quem não agüentou foram dois adversários tricolores. A constatação é do preparador físico do Vitória, Márcio Meira: “Foi o Fortaleza que sentiu. Depois do nosso gol (aos 37 do segundo tempo, quando estava 2 a 0), dois atletas caíram. O time deles parou”.

A fórmula para não acontecer isso com o Leão já está pronta. Antes do confronto no PV, a comissão técnica se mostrou em dúvida sobre a estratégia a ser adotada. “Normalmete, o elenco almoça quatro horas antes da partida. Mas quem quer comer às 11h, pelo amor de Deus?”.

O complicado é fazer a galera acordar às 8 da matina. Em dia de jogo, boleiro só levanta tarde. “Mesmo assim, vamos manter a programação. Agora, será mais fácil, porque a concentração é aqui no clube. No hotel, eles precisam passar pelas pessoas, as coisas ficam piores”, diz Meira.

Ele, a exemplo do treinador Vadão, não se conforma com os ditames das emissoras de TV. Graças ao Horário de Verão, iniciado no último dia 14, o sol a pino passou a ser uma das principais assuntos dos duelos.

“Só não voltei a falar sobre esse tema, esta semana, para não desgastar”, afirmou Oswaldo Alvarez, que não se conforma: “Todo ano, todos sabem que tem tem Horário de Verão. Dava para isso ser revisto. Eu trabalhei no Japão e lá, quando é época de mais frio, os jogos eram mais cedo. Só no Brasil somos obrigados a dançar conforme a música”.

A ATEC tentou entrar em contato com o diretor de Esportes da Rede Globo, Luiz Fernando Lima, mas a sua secretária, Cláudia Serna, alegou que ele está de férias. Os direitos de transmissão das três divisões do Campeonato Brasileiro pertencem à “Vênus Platinada”.

Besteira – Para completar, cinco dos sete compromissos restantes do Vitória, na Série B, estão agendados para as 3 da tarde. Depois do Criciúma, Coritiba, Paulista, Remo e Gama serão enfrentados neste horário.

As exceções ficam por conta dos embates com Brasiliense e CRB. Ambos terça à noite.

Diretor de Competições da CBF, o baiano Virgílio Elísio justifica: “Os horários dos clubes melhores colocados, não só o Vitória, atraem mais interesse. A CBF não participa desta escolha, parte exclusivamente da TV. Existe um ajuste contratual que permite a ela fazer isso”.

Confrontado com a insatisfação de Vadão, às vésperas do tropeço em Fortaleza, Elísio argumenta não ver motivos para reclamação. “A direção do clube poderia falar pro técnico para ele não falar besteira. O torcedor não, que não sabe dos bastidores”, rebate.

Inúmeros jogos de equipes na zona intermediária da tabela, com transmissão prevista para o pay-per-view (pagar para ver), foram adiados em algumas horas. O Vitória, portanto, terminou sendo “punido” por seu êxito. Em relação ao aqui-rival Bahia, por exemplo, a CBF aceita marcar seus confrontos para as 18 horas (de Brasília).

De acordo com o vice-presidente médico tricolor Marcos Lopes, especialista em Medicina Esportiva, o principal problema é a desidratação. “Aumenta a pressão sanguínea, há um maior gasto energético e, com isso, uma tendência à fadiga muscular e a um maior cansaço”, frisa.A tarde

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