FUTEBOL CEARENSE SE CONSOLIDA COMO O MELHOR DO NORDESTE

Únicos Nordestinos na Série A, Fortaleza e Ceará cresceram nos últimos anos

Por décadas a fio, os estados da Bahia e Pernambuco se destacaram como os detentores do melhor futebol do Nordeste, representados pelos seus principais clubes, Bahia, Vitória e Sport, cujos times, a nível regional, já conquistaram onze títulos da Copa do Nordeste, enquanto que em âmbito nacional o Esporte Clube Bahia conquistou os títulos brasileiros de 1959 e de 1988, o Vitória foi o Vice-Campeão Brasileiro de 1993 e o Vice-Campeão da Copa do Brasil de 2010, já o Sport Clube do Recife, levantou o polêmico título do Brasileirão de 1987 e o da Copa do Brasil de 2008, sem falar da participação desses times em competições intercontinentais.

 

Enquanto os clubes citados da Bahia e Pernambuco protagonizavam no Nordeste, as duas principais forças do futebol cearense, Fortaleza e Ceará, agonizavam alternando participações nas Séries B e C e quando conseguiam um eventual acesso à Série A, acabavam nem esquentando o lugar, por conta do efeito bumerangue, aquele do bate e volta e, logo logo, eram rebaixados, voltando às suas realidades.

Na verdade, não tenho nenhuma lembrança do Ceará já ter passado pelos porões da famigerada e maldita Série C, divisão que o Bahia já esteve em 2006 e 2007 e o Vitória em 2006 e agora em 2022. O Vozão, até 2018, sempre foi figurinha carimbada da Série B, com inúmeras participações na competição e com poucas inserções na Série A, só a partir de 2019, após uma péssima campanha onde esteve pendurado para cair, com o Cruzeiro caindo em seu lugar, mas, a partir de então, o clube cearense se reinventou, começou a desfrutar do trabalho de boas gestões, mudando de patamar e esse ano já está disputando a quarta Série A seguida, com boas campanhas nos últimos dois anos e, apesar de ter fracassado no Campeonato Cearense e na Copa do Nordeste, tem um bom time para dar sequência à temporada e não foi por acaso que já estreou nesse Brasileirão derrotando o poderoso time do Palmeiras em plena Arena Allianz Parque, e emplacando duas vitórias na Sul-Americana.

Já o Fortaleza, até 2004 quando ainda só existiam duas vagas ao acesso à Série A, conseguiu o objetivo sendo vice-campeão da Série B, mas, foi um clube que sempre alternava participações nas Séries B e C do Campeonato Brasileiro e sua então presença na elite do futebol brasileiro só perdurou por dois anos e a partir daí, três anos consecutivos na Série B e na sequência, uma série ininterrupta e quase interminável de oito anos na Série C, só conseguindo o acesso à Série B em 2017, como vice-campeão da competição, sendo que em 2018, iniciou seu soerguimento subindo à Série A, sendo campeão da Série B e já estando no quarto ano seguido de Série A, com dois títulos da Copa do Nordeste e disputando uma inédita Copa Libertadores da América, cuja vaga, foi conquistada diretamente à fase de grupos, se tornando o primeiro nordestino classificado para o torneio pelo Brasileiro de pontos corridos.

Vale salientar que, tanto o Fortaleza como o Ceará, embora tenham alcançado nos últimos anos uma rápida e notável mudança de patamar, têm sido bem administrados por gestores sérios, austeros e comprometidos com o futebol que só penduram o chapéu até onde o braço alcança, ou seja, procuram gastar menos do que seus clubes arrecadam, pagam salários em dia, mas, em contrapartida, exigem que seus jogadores estejam bem compromissados e alinhados com seus propósitos e metas de conseguir bons resultados dentro de campo e, consequentemente, competitividade nas importantes competições do ano, como vem ocorrendo no atual estágio desses clubes.

E como o sucesso de um clube de futebol mexe muito com a autoestima do torcedor, deixando-o empolgado e mais apegado ao seu time de coração, concordo com meu amigo Dalmo Carrera quando este já afirmou, textualmente: “No Nordeste, quem manda são os clubes do Ceará em todos os aspectos, até mesmo na torcida…”. E é assim mesmo que a banda vem tocando, o sucesso desses dois clubes vem causando tanto frisson aos seus torcedores, os quais, por conta da liberação total de público nos estádios, a cada jogo de Fortaleza ou Ceará, é casa cheia com o torcedor motivado e entusiasmado, não só com sua assídua presença no Castelão, mas, fora dele, numa disputa sadia e lucrativa para os clubes aderindo aos programas de sócios-torcedores dessas instituições, os quais, além de assegurar renda mensal para os clubes, provocam uma verdadeira corrida aos seus respectivos quadros associativos.

Ainda a respeito da grande performance do futebol cearense no Nordeste, dos seus dois principais clubes que já fincaram sólidos pilares na Série A, embora o estado não possua nenhum clube disputando a menos dolorosa Divisão do futebol brasileiro que é à Série B, tem três representantes disputando a Série C (Ferroviário, Floresta e Atlético Cearense) e, é bom ressaltar que a divisão em que se encontram não aconteceu por descenso como aconteceu aqui com o Vitória, foi conquistada pelo mérito do acesso e, de lambuja, ainda tem no bagaço do futebol brasileiro que é a Série D, o Crato e o Icasa de Juazeiro do Norte – onde o governo do Ceará estar prestes a inaugurar uma monumental arena que será a melhor e mais moderna dos interiores nordestinos -, somando um efetivo de sete clubes inseridos nas Séries A, C e D do futebol nacional, feito que nenhum estado do Nordeste conseguiu até o momento.

E enquanto o futebol cearense continua nessa célere pujança, com seus dois rivais e principais clubes ascendendo com relevante crescimento, tendo o céu como limite, com suas rivais e respectivas torcidas felizes e na constante busca de maior potencialização, aqui na Bahia, o nosso futebol encontra-se em total decadência com seus dois principais clubes e eternos rivais em queda livre, mas, infelizmente, com seus sofredores torcedores vibrando e se contentando com os vexames e tropeços do time adversário, utilizando a política do quanto pior melhor, o que representa loar e aceitar a mediocridade e a inferioridade em detrimento à grandiosidade.

Por conseguinte, enquanto Bahia e Vitória continuam nessa contínua derrocada técnica e financeira, com toda essa requenguela, trazendo negativos reflexos midiáticos ao futebol da Bahia, fico a imaginar que os felizes e vibrantes torcedores cearenses, em alusão aos às constantes frustrações dos sofredores baianos, não devem parar de entoar o refrão daquele velho e gostoso forró de autoria do saudoso Luiz Gonzaga, o Rei do Baião: “No Ceará não tem disso não, não tem disso não, não tem disso não…”!

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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