Jogadores pedem que STJD volte atrás na punição do Brusque na Série B

Clube catarinense, concorrente do Vitória, perdeu três pontos por injúria racial

Foto: Reprodução/TV Bruscão

Após ter um recurso negado pelo STJD dia 8 de outubro para reverter a perda dos pontos, o Brusque apelou para os seus jogadores e funcionários na tentativa de recuperar os pontos perdidos por conta da injúria racial cometida por um membro do staff do clube contra o jogador Celsinho. Na súmula, o árbitro Fábio Augusto Santos Sá relatou que o meia do Londrina ouviu a frase “vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha”. O Brusque é o 16º colocado na classificação e tem 35 pontos, três a mais em relação a Londrina e Vitória.

 

Atletas e funcionários do Brusque divulgaram uma nota, na tarde desta terça-feira, protestando contra a decisão do STJD de retirar três pontos do clube na tabela da Série B. O grupo pede que a entidade reconsidere o resultado do julgamento. Na carta, os atletas disseram que a decisão do tribunal não penaliza o responsável pelo ato.

A equipe catarinense e um conselheiro do clube responderam por “ato discriminatório” contra o jogador da equipe paranaense e foram condenados. A punição ao Quadricolor foi a perda de três pontos, além de multa de R$ 60 mil. Júlio Antônio Petermann, presidente do Conselho Deliberativo, foi suspenso por 360 dias e multado em R$ 30 mil.

CONFIRA A NOTA ABAIXO:

Os Atletas e demais Funcionários do Brusque Futebol Clube vem a público se manifestar sobre a Decisão proferida pela 5ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que determinou a perda de 3 pontos na disputa do Campeonato Brasileiro da Série B, 2021.

Nossa equipe de trabalho é formada, em sua grande maioria, por afrodescendentes. Somos contra todo e qualquer ato de racismo ou qualquer outra forma de discriminação. Desde o episódio ocorrido no dia 28/08/2021 durante a partida disputada entre Brusque Futebol Clube e Londrina Esporte Clube, temos nos manifestado através de nossas redes sociais particulares, em entrevistas e nos ajoelhado em campo para protestar contra o racismo, do qual alguns de nós já foram alvo.

Entretanto, essa história tem um outro lado. O nosso lado. O lado que ninguém ouviu. O lado de um grupo de pessoas que trabalha e luta, com sangue e suor, não só pelo Brusque Futebol Clube, sua torcida e cidade que representa, mas por nós, por nossas famílias. O futebol é nossa forma de sustento. Dependemos do resultado dentro de campo, para prover este sustento, para continuar no jogo.

Foi com esse trabalho e luta que subimos, 2 anos consecutivamente, e que conquistamos os pontos na Série B. Estes pontos foram conquistados por nós, por este grupo de trabalho, DENTRO DE CAMPO. A perda de pontos através de uma decisão do tribunal, não penaliza quem praticou o ato. Penaliza a nós, ao nosso trabalho e pode comprometer o nosso futuro. Nós, que não cometemos nenhum ato de racismo e não nos beneficiamos dele.

Respeitamos o Tribunal e as autoridades constituídas, mas não conseguimos entender e aceitar, que sejamos penalizados coletivamente, por um ato praticado por uma pessoa, que foi individualizada e severamente punida, com multa e suspensão. Não faz sentido, não é socialmente aceitável, que a Lei puna um grupo de pessoas, por um ato praticado por UMA única pessoa.

Por estes motivos, os Atletas e demais Funcionários do Brusque Futebol Clube vem a público expressar sua posição e pedir a este Tribunal que analise e entenda a nossa posição, para que não haja perda dos pontos, pois isso afetará severamente as diversas famílias que dependem desta oportunidade de vida para seguir seus sonhos e dar condições melhores para suas famílias.

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