A diretoria abusou de errar, mas o Bahia escapou do pior

Entre "mortos e feridos", todos se salvaram na pífia temporada de 2020

Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia

Para o torcedor do Bahia, a péssima temporada de 2020 que acaba de ser finalizada, após tanto sofrimento e angústia, é para ser esquecida, deletada da memória, mas, para o presidente Guilherme Bellintani e todo seu staff executivo, é para ser lembrada, diariamente, para que os erros absurdos  que foram praticados na gestão do futebol, não voltem a acontecer na temporada 2021, mas, que sirvam de lição para que não voltem a ser praticados nas próximas temporadas.

 

Na minha opinião, boa parte das agruras sofridas em campo na temporada passada, foi o reflexo da falta de atitudes do presidente Guilherme Bellintani, após a brusca queda de produção da equipe na reta final do Brasileirão de 2019 quando o time não brigou para não ser rebaixado, em função da “gordura” que havia acumulado até a 26ª rodada do campeonato, com uma pontuação que vislumbrava a conquista de uma vaga à Copa Libertadores da América, mas, no final, o time acabou ficando na segunda página da tabela de classificação, tendo que se contentar com uma vaga na Sul-Americana.

O presidente Guilherme Bellintani iniciou a temporada 2020 comemorando o 11º lugar obtido no Brasileirão de 2019, achando que o elenco era forte, qualificado e apto para disputar as competições da temporada passada, inclusive, mantendo Diego Cerri na gestão do futebol e Roger Machado no comando da comissão técnica, afirmando que o time só precisava de algumas contratações pontuais. Ledo engano, o time tinha “amarelado” na reta final do Brasileirão 2019, imagino que a diretoria não investigou as causas para detectar “o que é que houve com Rose”, achou que estava tudo bem, as contratações pontuais foram feitas, mas, não deram certo e o time não encaixou.

E o primeiro vexame do ano, aconteceu logo em fevereiro no primeiro jogo da Copa do Brasil, quando o time sucumbiu diante do River do Piauí, perdendo de 1×0 e  sendo eliminado, sumariamente, da competição, trazendo muita frustração ao torcedor, até porque, um simples empate encaminhava o time à segunda fase, entretanto, a mediocridade foi tamanha, que nem um mísero empate o time conseguiu. Mas, o que me revoltou mais ainda, foi a conivência do presidente com o fracasso, nos passando uma imagem de conformismo com a eliminação, o céu permaneceu azul e sem nuvens no CT Evaristo Macedo, o presidente dando tapinhas nas costas do treinador, do diretor de futebol, como se a humilhante eliminação para o horrível River, fosse um simples erro de percurso quando, na verdade, o buraco era muito mais embaixo.

E assim, com vexames sobre vexames, seguia a decepcionante temporada do Bahia que todos viam e enxergavam, menos o presidente que, só via, digo isso porque futebol, não basta somente ver, tem que enxergar e o presidente, infelizmente, tem demonstrado que só vê, não enxerga. E nessa triste pegada, após a parada de quatro meses do futebol, em função da pandemia e, retomadas as competições que estavam em curso, permanecia o festival de horrores e veio as finais da Copa do Nordeste e, “pra variar”, o Bahia foi vencido e humilhado pelo Ceará nas duas partidas finais, jogando um pífio futebol, sem garra e sem raça, sem alma e sem nenhum comprometimento, entregando, de bandeja, o título para o Vozão.

Após mais um fracasso, o torcedor e a crônica esportiva imaginavam que a paciência do presidente havia se esgotado com o péssimo trabalho de Roger Machado, mas, mais uma vez, Guilherme Bellintani com seu triste instinto de assimilar, muito bem, os revés do time dentro de campo, optou pela permanência do treinador no time, que alguns dias depois, teve que passar por mais apuros, haja vista, que para conquistar o tricampeonato baiano, teve que mudar a estratégia de jogar até o final do campeonato com o time Sub-23, tendo que utilizar o time principal nas duas partidas finais diante do modesto Atlético de Alagoinhas e, após duzentos minutos dramáticos de futebol, jogados em duas  partidas. A decisão foi para os pênaltis, que culminou com a conquista do título baiano pelo Esquadrão, troféu que, infelizmente, fez com que o presidente Guilherme Bellintani reforçasse a sua confiança e insistência na manutenção do treinador, mantendo-o no Brasileirão até a 7ª rodada, demitindo-o após aquela vergonhosa atuação diante do Flamengo, quando o time levou um sapeca iaiá de 5 x 3, no outrora estádio do PituAÇO.

A partir de então, começava a era Mano Menezes, um treinador de indiscutível currículo que, a priori, agradava gregos, troianos e soteropolitanos, entretanto, não correspondeu às expectativas, não definiu um sistema de jogo, não conseguiu dar uma sacudida no time para se reencontrar dentro da competição e para piorar a situação, indicou e referendou a contratação de dois ex-jogadores de futebol em atividade que foram, Elias e Anderson Martins. Enfim, na minha opinião, o Mano desagregou muito mais do que agregou. Nas 17 partidas que dirigiu o time, conseguiu somar 16 pontos, obtendo um pífio aproveitamento de 31,5% e, por ironia do destino, assim como aconteceu com Roger Machado, foi demitido após uma derrota para o Flamengo, um jogo bastante tumultuado que aconteceu de tudo, deixando o time com 28 pontos conquistados, na 16ª colocação, como porteiro do rebaixamento, mesma pontuação do Vasco que abria o Z-4, com o tricolor levando vantagem nos critérios de desempate.

DADO DEU CONTA DO RECADO!

Como dizem que Deus escreve certo por linhas tortas e que, os deuses do futebol atuam no imponderável, o  presidente resolveu passar o bastão para Dado Cavalcanti que não se incomodou com a desconfiança da torcida do Bahia, juntou os cacos e assumiu a rebordosa. Sem nenhum trocadilho, em poucos jogos, o Dado deu uma cara nova ao time, que nenhum dos seus dois antecessores tinha dado, conseguindo  reunir e unir o grupo, recuperando jogadores importantes, mas, que passaram a temporada em branco, sem “jogar” como Rodriguinho e Rossi que foram decisivos e cirúrgicos nos últimos três jogos, conseguiu dar uma relativa consistência na defesa que era o calcanhar de Aquiles do time, enfim, o Dado deu o seu melhor ao Bahia, conseguindo recuperar um time que já vinha desacreditado ao longo da competição, conseguindo livrá-lo do rebaixamento, mantendo-o na Série A e, de quebra, quando ninguém mais esperava, beliscou uma vaga na Sul-Americana, competição que, além de dar visibilidade internacional ao clube,  proporcionará um bom capilé aos seus cofres.

Não sei se Dado Cavalcanti é, será ou seria o técnico com perfil ideal para ser efetivado no Bahia para comandar o time na temporada que se inicia, recheada de importantes, difíceis e rentáveis competições. Entretanto, reconheço e agradeço todo empenho, desempenho, competência e dedicação desse excelente profissional à frente dessas doze partidas cruciais e decisivas para o Bahia, um treinador que nesses doze jogos, somou 16 pontos, obtendo um aproveitamento razoável de 44,6%, torcendo que A diretoria reconheça toda sua capacidade, efetivando-o no cargo para a temporada 2021, uma oportunidade justa porque, na minha ótica, foi o “Cara da temporada do Bahia”, e merece essa grande oportunidade.

José Antônio Reis, torcedor do Bahia colaborador do Futebol Bahiano.

 

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