Bahia está provando que orçamento alto não significa ter bom time

O que é que o Bahia não tem, que os demais clubes do seu naipe têm?

Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

Quando se aventa à possibilidade de um clube do Nordeste conquistar um título de âmbito nacional, do calibre do Campeonato Brasileiro da Série A, surge logo as dificuldades enfrentadas pelos clubes nordestinos em montar times competitivos para conquistar títulos tão expressivos, haja vista que concorrem com os chamados gigantes do Sul/Sudeste do país, clubes sediados em estados que integram as duas regiões de maior expressão econômica e de maior densidade populacional do país, cujo PIB nacional, representa um índice superior a 70% da riqueza do país, se somarmos o potencial econômico dessas duas importantes e potentes regiões desse imenso Brasil.

 

Na atual edição do Brasileirão, o mapa que representa a elite do futebol brasileiro está configurado com 2 clubes da região Centro-Oeste, 4 da região Nordeste, 4 da região Sul e 10 da região Sudeste, isso porque, ocorreu uma grande baixa em 2020 com o Cruzeiro debutando na Série B, mas, em contrapartida, houve o acesso do Bragantino que não disputava a Série A há mais de trinta anos e, mesmo não integrando à grade dos grandes clubes paulistas, é um clube emergente, de propriedade de um forte grupo econômico multinacional, com orçamento anual superior a 200 milhões de reais e pela campanha que vem realizando na competição, dá fortes indícios que veio para ficar.

O orçamento anual de um clube de futebol para um exercício fiscal, consiste numa estimativa de receitas previstas e aleatórias como, também, custos fixos previstos, não previstos e eventuais, cujos componentes, fazem com que se chegue a um valor presumível de uma receita que se não for o valor suficiente, seja o necessário para desembolsar durante todo o exercício e, dentre os vinte clubes que disputam à Série A, existem orçamentos e ORÇAMENTOS, haja vista que, enquanto o modesto Atlético Goianiense trabalhou em 2020 com um parco orçamento de 40 milhões de reais, o todo-poderoso Flamengo trabalhou com um orçamento de 726 milhões de reais, ou seja, uma receita dezoito vezes superior ao do clube goiano.

Já o Esporte Clube Bahia, estabeleceu para 2020, um orçamento de 179 milhões de reais, ou seja, quase cinco vezes a mais que o valor trabalhado pelo Atlético-GO. E é nesse parâmetro, que entro no cerne da questão, por entender que, enquanto o Dragão, sem nenhum jogador de destaque nacional, com uma folha de pagamento módica, dentro da sua realidade financeira, comandado por um treinador que fez carreira nas Séries B e C, vem fazendo uma campanha digna e segura, já flutuando na zona de classificação da Copa Sul-Americana, enquanto o nosso Super Homem vem agonizando na zona de rebaixamento ou próximo dela, com a segunda defesa mais vazada da competição, com chance real de rebaixamento, com jogadores badalados tipo Gilberto e Rodriguinho, pagando altos salários incompatíveis com o péssimo rendimento dos jogadores em campo, em síntese, um time apático, antipático, mambembe, covarde, conformado, sem vontade e sem tesão nenhum pra jogar futebol. Em contrapartida, salários pagos em dia, ótima estrutura para treinamento, mas, a resposta em campo é essa que o torcedor não suporta e nem tolera mais ver.

Citei como exemplo o Atlético Goianiense porque, além de ter o 20º orçamento dos clubes que disputam o Brasileirão, antes da bola rolar, naquelas tradicionais mesas redondas de TV e até, nas “resenhas” entre torcedores, o time goiano era tido como o “patinho” mais feio da competição, já que era considerado como um dos primeiros a ser rebaixado à Série B até porque, veio oriundo dela. Ledo engano, o time, repito, não possui nenhum medalhão, é organizado taticamente dentro de campo e é treinado por um profissional pouco conhecido no futebol brasileiro que é o Marcelo Cabo que, inclusive, já conseguiu um acesso do Dragão à Série A. Outro exemplo é o Ceará, que também tem o orçamento muito inferior ao do Bahia, mas tem um time muito superior, sendo campeão do Nordeste em cima do Tricolor em Pituaçu e atualmente brigando por vaga na pré-Libertadores.

Certa feita, ouvi uma fala do presidente Guilherme Bellintani, quando ele dizia que, a classificação dos clubes nordestinos no Brasileirão estava atrelada à injusta divisão das cotas de TV que sempre privilegiaram os grandes clubes do Sul/Sudeste do país, em detrimento aos clubes do Nordeste e demais regiões do país, mas, contrariando a tese de Bellintani de que os clubes com maiores orçamentos têm obrigação de obterem melhores classificações, o Bahia que tem o maior orçamento do Nordeste, era para conquistar todo ano o título da Copa do Nordeste, aliás, de 2013 para cá, só foi campeão em 2017, sem falar que em 2018 perdeu o título para o modesto Sampaio Correia em plena Fonte Nova, em 2016 foi eliminado nas semifinais pelo Santa Cruz na Fonte Nova, em 2019 foi eliminado na primeira fase pelo Sampaio Correa e em 2015 e 2020 perdeu o título para o seu carrasco Ceará.

Então, por tudo que já citei, chega-se à conclusão de que: o Bahia tem o maior orçamento dentre os clubes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, tem um excelente centro de treinamento, uma grande, fiel apaixonada e apaixonante torcida, mas, infelizmente, nas competições que vem disputando ao longo desses últimos três anos, não tem tido futebol para competir nem em campeonatos regionais, como aconteceu no ano passado, quando optou em participar do Baianinho jogando com o time sub-23 , mas, na hora da onça beber água, ou seja, na decisão do título, foi obrigado a utilizar o time principal que conquistou o título com as calças na mão, numa acirrada disputa de pênaltis, com o Atlético de Alagoinhas que foi muito superior nas finais da competição e o mesmo time principal que já tinha dado vexame na Copa do Brasil, sendo eliminado logo na estreia pelo River do Piauí entregou, de bandeja, ao Ceará o título da Copa do Nordeste, jogando com a mesma “raça”, “força”, “garra”, “disposição” e “vontade de vencer”, como temos observado ao longo do Brasileirão.

Em contrapartida, clubes como o Ceará, Atlético de Goiás, Fortaleza e Sport, com orçamentos muito inferiores e, consequentemente, com folhas de pagamento muito menores, estão na frente e têm tudo que o Bahia não têm: gestores que podem até gostar de marketing, mas, o futebol está sempre acima de tudo; têm uma política de contratações definida que consiste em contratar o jogador QUE É E NÃO O QUE JÁ FOI; tem jogadores que entram em campo, honrando e suando a camisa que veste e correspondendo ao salário que recebe, fazendo de cada jogo uma decisão, enfim, têm em seus quadros de jogadores à dirigentes, profissionais que se respeitam e respeitam o torcedor. Fortaleza e Sport, hoje são concorrentes do Bahia, mas pelo futebol apresentado, demonstram muito mais garra e vontade de querer fugir do rebaixamento, frisando que o time pernambucano há muito tempo sofre para quitar os salários, ainda assim, os atletas jogaram com raça e venceram o Bahia.

O Bahia é o maior clube do Nordeste, mas, vem sendo um time pequeno e acabrunhado que se acostumou e se acomodou em perder, sem mostrar reação, por isso, está fadado ao fracasso. É lamentável, mas, é fato consumado ou, a se consumar!

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

Comentários:

7 Comentário

  1. Enquanto o Bahia continuar vivendo a modinha da lacração, vai descer a ladeira.

    O texto está preciso e eu concordo com as afirmações.

    O clube a meu ver é mau administrado.
    A razão de um clube de futebol existir é pasmem, FUTEBOL! Portanto são os resultados futebolísticos que nos permetem avaliar a qualidade da administração.

    Se o Bahia cair, cairão as receitas, os patrocínios serão cortados ou reduzidos, o valor dos prêmios será menor, as cotas de TV menores ou inexistentes, a associacão cairá e o n° de inadimplentes aumentará, não poderemos contratar melhores jogadores nem mesmo manter os que de fato merecem permanecer, portanto, para mim é claro que se não são duas coisas que podemos separar, os resultados em campo são também reflexos da administração e esse aspecto tem o maior peso em qualquer avaliação séria. Cair significa que o clube não foi corretamente administrado, não é um azar, se as pessoas no comando são PROFISSIONAIS, elas tem que assumir que os resultados do clube são consequência de suas ações, Bellintani não entra em campo, mas é ele que administra e distribui os recursos, é ele que contrata a equipe técnica, é ele que dá o aval as ações ou que coordena seu pessoas, é o Presidente e em analogia corresponde ao Capitão de um navio, ou seja, é responsável pelo destino do clube. Qualquer time a frente do Bahia na tabela, está invariavelmente sendo mais competente em administração tanto quanto em futebol. Hoje estamos em 15° correndo grande risco de cair, o resto é papo furado e conversa lacradora pra boi dormir. Faltam 5 rodadas. BBMP!!!

  2. Eu sempre comentei que suscitava dúvidas com relação ao pagamento dos salários, visto que o Bahia é um time de muitos subterfúgiosnão muita transparência.
    Pois bem, somente após a conversa da BAMOR, tomamos conhecimento que os atletas estão com 5 meses de salário de imagem atrasados.
    Ainda que o time seja limitado, ficou claro que o motivo maior pela derrocada em campo é o atraso de salários.
    Todos sabem que jogador de futebol, se não paga finge que joga. Isso já se tornou uma regra no futebol.
    O Presidente foi omisso e inconsequente quando deixou o clube chegar a esta situação.
    Ao fazer o acordo, prometeu pagar após o fim do campeonato. Errado e perigoso, não é atitude correta num momento crucial como este. Deveria ter feito de tudo para quitar antes da partida contra o Corinthians, não teria motivação maior.

  3. O Presidente Guilherme Bellitani, sempre bateu nesta tecla de orçamento, ao afirmar que seria difícil competir com os grande clubes do eixo Sul e Sudeste, devido o alto orçamento.
    No entanto, o Bahia tem um orçamento muito superior a outros clubes intermediários e vêm despencando há muito tempo.
    Certamente o orçamento do Atlético Goianiense é infímo em relação ao do Bahia.
    Porém é só observar a campanha do Atlético e a campanha do Bahia.
    Então, não simplesmente a questão do orçamento é planejamento errado com excesso de contratações em determinadas posições, carência de outras e o pior as escolhas erradas.
    Tem contratado muitos jogadores de sub_20 sem qualidade, e que só faz onerar a folha de pagamento e com um propósito bem claro de incorporar estes jogadores ao time principal, sem que estes apresentem qualidade indiscutível.
    O problema do Bahia não é o orçamento, más sim a péssima montagem do time, contratos longos, renovação de contrato de jogadores desnecessária e de forma automática, falta de visão na observação e contratação de jogadores.

  4. E se for para a segunda divisão, pois é o que está se desenhando não vai ter time para disputar acesso, haja a vista o fracasso diante de times que não disputaram a primeira divisão como o Sampaio Correia, River do Piauí, Atlético de Alagoinhas, o Vice que lutou para se manter na segunda e ganhou fácil para o Bahia na Fonte Nova 2 a 0 dando ousadia ao fraco Carleto de esnobar, times de outros países da América do Sul sem expressão, Bahia não é páreo para nenhum desses, perde fácil para todos o vexame não é de agora não é antigo, desde quando perdeu para aquele Time do Estados Unidos de goleada, como também saiu nos pênaltis para o poderoso Cesar Valejo depois de abrir vantagem aqui na Fonte Nova e perder a vantagem lá no Peru. Fora Belitane, por favor alguém com competência assuma o Bahia

  5. Todo problema no Bahia tem um só nome GB, muito infantil no trato com jogadores medíocres, não toma atitudes, veja o caso do Elias quem barrou foi o treinador, por ele está ainda aí. No caso do Ramires tomou atitude covarde e mesmo depois do caso ser mostrado como mentira nunca foi a público se desculpar, Bahia só melhora quando este infantil renunciar.

  6. O EC Bahia inovara tambem na segundona, propaganda afirmativas, em 2022 levaremos a “novidade” aos campos de futebol da terceira divisão, continuaremos imbatíveis nesse propósito…

  7. Com uma presidente desse leigo,que não entende nada de futebol, não tem humildade não escuta, ainda por cima coloca seus interesses pessoais acima do Clube!!!
    Pode ter o maior orçamento do Brasil
    Incompetente e bosal
    Fora GB

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