O que esperar de Bahia e Vitória no 2º turno das Séries A e B?

Campanha da dupla Ba-Vi no primeiro turno deixa muito a desejar

Evidentemente que o futebol da Bahia não é constituído, somente, de Bahia e Vitória, até porque, temos atuando nas divisões inferiores da CBF, Jacuipense, Atlético de Alagoinhas, Vitória da Conquista e Bahia de Feira, equipes interioranas que vêm fazendo campanhas razoáveis nas Séries C e D. Entretanto, é indiscutível que o nosso futebol gira em torno do Esporte Clube Bahia e do Esporte Clube Vitória, dois clubes tradicionais do futebol brasileiro, que funcionam como as locomotivas do futebol do nosso estado, principalmente o Bahia que é Série A e já conquistou dois títulos de âmbito nacional.

 

Isto posto, volto ao título do artigo, para expressar meu modesto ponto de vista a respeito do que as nossas duas equipes fizeram no primeiro turno de suas respectivas competições, as quais, por razões óbvias, só serão encerradas em 2021.

A) ESPORTE CLUBE BAHIA

Após a brusca queda de produção na reta final do Brasileirão do ano passado que deixou seu torcedor frustrado, o time iniciou a temporada deixando o torcedor indignado com a eliminação sumária e precoce da Copa do Brasil, diante do modesto River do Piauí. Sequenciando o Campeonato Baiano e a Copa do Nordeste, o time deu vexame nas finais da Copa do Nordeste diante do Ceará e sagrou-se tricampeão baiano, com as calças na mão,  decidiu o título com o Atlético de Alagoinhas, foi Campeão, “proeza” que deve ter assegurado, à permanência do treinador Roger Machado.

Iniciado o Brasileirão, os dois primeiros e seguidos triunfos do time na competição, diante do fraco Coritiba e do “encardido” time do Bragantino, encheram de esperanças ou enganaram  não só o presidente Bellintani mas, também, sua comissão técnica, menos o torcedor do Bahia que já vinha cabreiro e descontente com o trabalho de Roger Machado, quando já  havia percebido, há muito tempo, que seu “selo de validade” para treinar o time do Bahia, já estava vencido, mas, o gestor do clube só veio enxergar no sapeca iaiá que levou do Flamengo, já com o time caindo pelas tabelas.

Veio o técnico Mano Menezes, assumiu o comando do time, mas, o plus competitivo que todo torcedor esperava, não aconteceu, o time obteve uma melhora, entretanto, continua acertando uma no cravo e duas ou três na ferradura e a verdade é que o time ainda não conseguiu se encaixar na Série A. Dos cinco reforços que foram, preliminarmente, solicitados pelo novo treinador, só dois foram contratados e, infelizmente, o time já esteve no Z-4, já saiu, mas, continua bem próximo, flertando com a maldita zona.

Faltando disputar um jogo, o Bahia encerra esse hipotético primeiro turno, não sei se na 15ª ou 16ª colocação, só sei que é pontuação de rebaixamento, isso porque, está empatado em quase tudo com o Vasco da Gama, que aparece como 16º colocado, o Bahia ganha no critério de gols marcados (23 x 20), só que, o Vasco tem um jogo a menos, 17 jogos e o Bahia 18 jogos, e é aí que considero o Vasco na 15ª e o Bahia na 16ª, ambos com 19 pontos, mas, com o Bahia, estando como “porteiro” do Z-4, sem falar que do 15º ao 18º lugar, o antipático número 19 está bombando na quantidade de pontos desses clubes.

A verdade é que a campanha vem sendo ruim e vexatória e agora veio o efeito cascata das equivocadas contratações feitas no início da temporada. O clube contratou jogadores de nomes e caros, que até agora não deram a devida resposta dentro de campo e no momento, necessita urgentemente de recursos para reforçar o time e não dispõe, porque na colocação que se encontra, aliada ao pobre futebol que vem jogando, nessa reta final, como é utopia se pensar em Libertadores, pelo menos, vamos pensar em fazer uma campanha digna tentando beliscar à Sul-Americana e, não sendo possível, tentar somar mais 26 pontos para que possamos chegar ao número mágico de 45 pontos e se conformarmos com a permanência na Série A, “conquista” frustrante para as expectativas do torcedor que esperava outro patamar, mas, devido às circunstâncias, ainda seria um alívio ou, um consolo.

B) ESPORTE CLUBE VITÓRIA

A priori, antes que o torcedor rubro-negro queira inferir a respeito de algum pejor ou discriminação pertinentes as letras A e B, afirmo que não têm nada a ver com a divisão que cada clube pertença na temporada e sim, simplesmente, para dividir o tema em duas partes, A e B.

É fato que o torcedor do Vitória não é afeito a tecer comentários ou se expor a respeito do que se passa com seu clube, prefere mais vibrar com os fracassos do rival do que comemorar um sucesso do seu próprio time. Enquanto vários torcedores do Bahia procuram aproveitar  esse precioso espaço de opinião que é disponibilizado, democraticamente, pelo Futebol Bahiano, que já se transformou numa tribuna popular onde o torcedor elogia, protesta, lamenta, esculhamba, sugere, enfim, expressa o que o seu coração sente, a respeito do seu clube, mas, sempre utilizando uma linguagem que, mesmo criticando, não atinja à honra de quem quer que seja e, se o torcedor do Vitória se propusesse a postar os seus artigos, democratizaria, ainda mais, a nossa “resenha” escrita.

Na minha opinião, o principal objetivo da presente temporada que era o acesso à Série A, foi abortado ou interrompido a partir do momento em que Geninho foi demitido e substituído por Pivetti. Nada contra o jovem treinador, mas, a experiência e competência de Geninho, foram fatores decisivos para evitar o rebaixamento do clube no ano passado e a pífia campanha do time esse ano na Série B, fechando o simbólico primeiro turno na 15ª colocação, a um ponto do Z-4, com certeza, o principal foco, que era o acesso, já foi mudado e agora, à essa altura do campeonato, o principal foco é não cair e, consequentemente, permanecer na Série B que continua sendo um refugo do futebol brasileiro, mas, entre ficar no purgatório da Série B e aterrissar no inferno da Série C, é preferível permanecer no purgatório da B.

Enquanto clubes de menor torcida e tradição tipo, Chapecoense, América-MG e o modesto e jovem Cuiabá Esporte Clube estão fazendo belas campanhas, com pontuações consistentes e proporcionais à conquista de título ou, no mínimo, ao desejado acesso, o velho decano Esporte Clube Vitória vem se arrastando numa crise de resultados que por mais que o treinador Barroca tente explicar que o time vem jogando bem e com boa posse de bola, há oito jogos seguidos que não toma posse de uma vitória, o que é muito grave e perigoso, para um campeonato difícil e de pontos corridos como é a Série B, disputar 24 pontos e só conquistar 4 pontos, fazendo um 4×4 ou seja, quatro empates e quatro derrotas, uma sequência negativa, cujos resultados dentro de campo, por aí só, explicam à mediocridade do time na competição.

Ademais, além da pífia pontuação conseguida até o momento, míseros 21 pontos em 19 jogos, existe o fator da escassez de vitórias (quatro), sendo que  o número de vitórias, é o primeiro critério adotado para desempate na classificação, como também, o saldo de gols que é o segundo critério um item que, também, compromete a posição do clube que está com saldo zero.

Assim sendo, sabemos que o futebol, além de não ter lógica, é feito de surpresas e mistérios que só seus deuses seriam capazes de desvendá-los ou enunciá-los o que virá pela frente no decorrer da competição, entretanto, por mais que haja imprevisibilidade, há tendências e estatísticas que não devem ser desprezadas e, a estatística é que o time realizou dezenove jogos, conquistou 21 pontos, fruto de quatro vitórias e nove empates e ainda, carregando a pecha de não vencer fora de casa, quero crer que a tendência para o segundo turno, será  um replay de tudo que aconteceu no primeiro, a não ser que, haja uma brusca mudança técnica e tática no time é muita atitude dos jogadores, não mais para conseguir o acesso, mas, permanecer na Série B, pois, diante de uma campanha muito fraca,  já estaria de bom tamanho.

Para finalizar, observo que a situação das duas equipes é vexatória e,  independente da forte rivalidade existente entre às camisas, ambas seguem de braços dados em suas aleatórias caminhadas até o final de suas respectivas competições, tentando fugir do rebaixamento, como o satanás foge da cruz, para que obtenha, pelo menos, permanecer em suas respectivas divisões.

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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