A Nação Tricolor de LUTO por quem LUTOU MUITO pelo Bahia

Sapatão marcou seu nome na história do Esquadrão nos anos 70

O torcedor do Esporte Clube Bahia que, desde meados do mês passado, em suas orações, pedia pela recuperação do ex-zagueiro Sapatão, o “velho” Capitão do time que jogou e brilhou por quase uma década no Esquadrão de Aço, acabou recebendo a pior notícia, dando conta que o ex-atleta, veio a óbito, quando acabou sendo acometido pela Covid-19. Élcio Nogueira da Silva ou, simplesmente Sapatão, como era conhecido no futebol, iniciou sua carreira no juvenil do Clube de Regatas Flamengo em meados dos anos sessenta, sob o comando do treinador Valter Miráglia, o qual, em 1968, foi contratado pelo Fluminense de Feira de Santana desembarcando aqui na Bahia trazendo o médio volante Merrinho, o quarto-zagueiro Mário Braga e o Beque Central Sapatão – estou utilizando a nomenclatura da época nas posições -, começando a montar o time que fez uma boa campanha naquela temporada, mas, só colhendo os frutos no ano subsequente.

 

Já em 1969, o então treinador Valter Miráglia que já tinha trazido do Flamengo no ano anterior os três jogadores citados, para qualificar ainda mais o time, foi ao Rio de Janeiro e como tinha bom trânsito dentro da Gávea, conseguiu junto ao Flamengo o goleiro Ubirajara (Um armário com quase dois metros de altura) e o meia-direita João Daniel, que se juntarem aos bons jogadores que já integravam o grupo, como Delorme, Freitas, Ubaldo, dentre outros, o time encaixou, jogava um futebol vistoso e de primeira qualidade, se tornou imbatível em seu reduto, estádio Joia da Princesa e foi, merecidamente, Campeão Baiano de 1969 que, mesmo com aquele arcaico modelo de muitos turnos e um monte de fases, liderou do início ao fim, conquistando o título.

O time no 4-2-4 para lá de ofensivo, que teve a seguinte formação: Ubirajara, Ubaldo, Sapatão, Mário Braga e Nico; Merrinho e Delorme; Jurinha, João Daniel, Freitas e Marcos Chinês, com Freitas sendo o artilheiro da competição com 22 gols. Um detalhe interessante foi que, na época, o Flu tinha um presidente chamado Enádio Moraes, que “debochava” nas entrevistas de rádio com uma frase que ficou registrada no anedotário do futebol baiano: “Durmo líder e acordo líder”.

No início de 1970, com muitos jogadores valorizados, aconteceu o “desmanche” do time campeão, com o Bahia contratando Ubaldo, João Daniel e Sapatão. Só que na época, Zé Oto era o titular absoluto da posição e Sapatão não se conformou em ficar no banco, então, resolveu sair, passou pelo Santa Cruz, sem muito brilho, mas sendo campeão pernambucano em 72, e quando retornou ao Bahia, foi Heptacampeão Baiano de cabo a rabo, ou seja, de 1973 à 1979, atuando em todas as edições e sendo capitão do time em várias delas, escrevendo uma linda história no cube atuando em 450 jogos. Vou relembrar aqui, o time que levantou a Taça do Hepta em 1979 com aquele gol “espírita” de Fito: Luís Antônio, Toninho, Sapatão, Zé Augusto e Romero (Edmilson); Baiaco, Pérez e Douglas; Botelho, Gilson Gênio (Fito) e Caio Cambalhota. Técnico: Zezé Moreira.

A campanha do heptacampeonato teve 228 partidas, com 142 triunfos, 75 empates e apenas 11 derrotas. Sim, em sete temporadas o Bahia perdeu somente 11 jogos. Foram 419 gols marcados e 102 sofridos. Após pendurar as chuteiras, ele se tornou técnico e também fez história na função ao dirigir equipes do interior. Ele foi campeão baiano da Série B comandando o Ypiranga em 1990, o São Francisco do Conde em 1996, o Camaçari em 1997 e o Camaçariense 2003. À frente do Juazeiro, foi vice-campeão estadual em 2001.

Descanse em Paz, Eterno Ídolo Sapatão!

José António Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

Abaixo. Sapatão e Fernando Schmidt erguem o troféu do título baiano de 1976 na antiga Fonte Nova. Acervo do colecionador Álvaro Brandão.

 

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