Esporte Clube Bahia: Do modesto “Baianão” ao elitista Brasileirão

Campeonato Baiano já teve seus grandes momentos de glória

Foto: Felipe Oliveira. Arte: Futebol Bahiano.

Na largada da temporada 2020 o nosso secular Campeonato Baiano que, como os demais campeonatos estaduais do Brasil, já teve seus grandes momentos de glória e de glamour até o final dos anos oitenta ou, sendo um pouquinho generoso, até o ano de 1996 quando aconteceu um dos mais  empolgantes e místicos Bavi da história. A partir daí, a competição começou a entrar em parafuso, experimentando uma franca decadência, com forte ausência de público nós estádios, principalmente, em jogos envolvendo o Bahia, que sempre foi o carro-chefe da grande presença de público do futebol baiano, fato que é público e notável e que já vem ocorrendo há mais de vinte anos, sem que a Federação Bahiana de futebol encontre uma forma ou fórmula para curar ou amenizar o sofrimento desse “paciente” em estado terminal denominado Campeonato Baiano de Futebol.

 

Estou aqui,  falando do  Campeonato Baiano e, especificamente, com relação ao nosso Esquadrão de Aço por se tratar da nossa “praia”, mas, sabemos que nos demais estados brasileiros, excetuando São Paulo, os regionais estão relegados a menores interesses dos cartolas, inclusive, o Campeonato Carioca que nos seus áureos tempos, com as disputas de vários clássicos, envolvendo Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo, já foi considerado como o melhor e mais importante campeonato estadual do Brasil.

Não sou daqueles que são, fervorosamente, a favor da simples e pura extinção da competição, pois, apesar do Bahia funcionar como a maior locomotiva do nosso futebol, hoje em dia, é um produto muito caro para ser bem administrado e penso, também, nos pobres clubes do interior da Bahia, os quais, embora não disponham de calendário “cheio” na temporada, sobrevivendo com pequenas estruturas, desempenham o seu papel social, pagando salários a jogadores, movimentando a economia com a logística de cada jogo, enfim, integrando à capital ao interior e, vice-versa. Ademais, os promotores da competição deveriam se  preocupar, também, com o mercado periférico que cerca o futebol.

Se aqui na capital existem grandes emissoras de TV, de rádio, jornais e sites que possuem equipes para cobrir a dupla Bavi, no interior tem, também, seus veículos de comunicação, mesmo de menor porte, mas, que contratam profissionais para atuar no esporte, inclusive, a própria Rede de Televisão detentora dos direitos de transmissão dos jogos da competição, possui afiliadas em praças com clubes que disputam a competição, como é o caso de Feira de Santana, Juazeiro e Vitória da Conquista, então, quantos profissionais do interior não se envolvem numa competição dessa abrangência?

Enquanto o Campeonato Baiano vem padecendo, dando a impressão de que está com seus dias contados para sua extinção, nesse início de temporada, o Bahia (assim como o Vitória) aposta na Copa do Nordeste, dando-se ao luxo de jogar a competição estadual com seu time sub-23, denominado por sua diretoria como o “time de transição” enquanto na competição regional e nas demais disputadas ao longo da temporada, entra em ação o time A, considerado o titular. O que observo nessa estratégia toda que é montada para disputar as demais competições da temporada (Copas: Nordeste, Sul-Americana e Brasil, além do Brasileirão), é que, quando o assunto é Brasileirão, competição que o torcedor pleiteia uma classificação à altura das tradições do Esquadrão de Aço, ou seja, garantir disputar uma Copa Libertadores ou, na pior das hipóteses, obter uma honrosa colocação na primeira página da classificação.

Entretanto, logo aparece um dirigente para tentar “tirar de tempo” o torcedor, afirmando, que o Bahia não tem condições (leia-se, orçamento e folha de pagamento), de competir com os grandes clubes do Sul/Sudeste do país, os quais, além de serem beneficiados com polpudas cotas de TV, ostentam marcas de grandes patrocinadores em seus uniformes, quando no ano passado o presidente Guilherme Bellintani afirmara que tinha o 14º orçamento dentre os 20 clubes que disputavam o Brasileirão de 2019 e, com base nessa performance, não receberia como surpresa  se o clube chegasse ao final da competição ocupando a 14ª posição da tábua de classificação. Para contrariar, os prognósticos do gestor tricolor, o Esquadrão fechou o hipotético primeiro turno com 31 pontos, ocupando a 7ª Colocação, enchendo o torcedor de esperanças para o restante da competição que chegou ao seu final com o Bahia em baixa, só não correndo o risco de rebaixamento, graças a “gordura” acumulada durante a primeira fase da competição.

Antes de iniciar a Copa Nordeste, tomei conhecimento através de determinado site que, dentre os dezesseis clubes que disputam a competição, o Bahia é líder disparado em termos de folha de pagamento, com uma folha mensal de 3,5 milhões de reais com, o site ressaltando que valor refere-se, apenas, a “carteira” haja vista que, geralmente, a remuneração de um jogador de futebol é composta pelo salário da carteira e pelos ganhos oriundos de direitos de imagem, o que nos induz imaginar que o montante da referida folha deve ultrapassar à casa dos quatro milhões de reais.

Só a tipo de ilustração segue, pela ordem de valores, os quatro primeiros colocados e os quatro últimos  da relação: 1º. Bahia (3,5 milhões e meio de reais), 2º. Ceará (3,0 milhões), 3º. Fortaleza (2,5 milhõee e meio) e em 4º lugar o Sport com uma folha de pagamento de hum milhão e duzentos mil reais). Passando para rabeira, onde a cifra milionária “milhão de reais”, nem sonha em aparecer, temos: na 13ª posição o Confiança de Sergipe com uma folha de pagamento de R$220.000,00, na 14ª o Imperatriz do Maranhão com R$ 200.000,00, na 15ª o modesto Ríver do Piauí com R$ 150.000,00 e na 16ª posição o modestíssimo Frei Paulistano com uma modesta folha de R$115.000,00, um clube que representa o município do mesmo nome que fica encravado no agreste sergipano.

Mas, na presente temporada, além do Campeonato Baiano e da Copa do Nordeste, o Esquadrão ainda vai disputar a Copa do Brasil, a Copa Sul-Americana e o Brasileirão, competições que o clube, pelos investimentos que tem feito nos últimos dois anos, já não cabe mais participar e sim, competir, como aconteceu no ano passado na Copa do Brasil quando chegou a disputar as quartas de finais, mas, fracassou e foi mero coadjuvante na Copa Sul-Americana, sendo eliminado logo na sua primeira fase, frustrando o seu torcedor e também, sendo eliminado, vergonhosamente, ainda na fase de grupos da Copa do Nordeste pelo Sampaio correia que disputava a Série C do Campeonato Brasileiro, envergonhando o seu torcedor.

Assim sendo e, partindo do pressuposto ensaiado pelo gestor do Esquadrão de Aço de que, na Série A, é impossível o Bahia concorrer com os grandes clubes do Sul/Sudeste do país em função do grande poderio econômico desses clubes, é com base nessa tese e de acordo com a suposta boa situação econômica do Bahia na temporada  que tem o status de ostentar a mais alta folha de pagamento dentre os 16 clubes que disputam a Copa do Nordeste, não precisa nem o torcedor exigir que o Esquadrão de Aço seja Campeão da Copa do Nordeste,  porque, por mais que digam que “futebol não tem lógica’, a lógica do melhor poderio econômico, é quem determina uma boa logística no futebol e, dentre os dezesseis clubes que disputam à “Lampions League 2020” o Bahia está inserido nesse contexto. BBMP!

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

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