Com grama sintética, Fonte Nova pode virar uma fábrica de intervenção cirúrgica

É imprescindível que associação dos atletas se pronuncie

Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia

Existe um desejo do Bahia da instalação de grama sintética no campo da arena da Fonte Nova, é imprescindível que associação dos atletas profissionais se pronuncie sobre o assunto, já que a grande tendência é que outras Arenas optem por esta modalidade por questões meramente financeiras, e depois de instalada será irreversível. Falo isso porque quando precisei fazer uma cirurgia no joelho, procurei um médico de grande referência do nosso Estado nesta aérea, e este competente e experiente médico perguntou logo se costumava jogar em campo sintético ou quadra, respondi que sim, e ele imediatamente falou: “Enquanto existirem campos sintéticos e quadras teremos trabalho para o resto da vida”. 

É fato que neste tipo de campo, as lesões ligamentares é muito grande, o alerta vem dos médicos, pois o piso sintético aumenta o atrito entre a chuteira e o solo, e essa desaceleração mais rápida no movimento do pé pode promover ruptura no ligamento, principalmente do joelho e tornozelo.

Os médicos alertam que “futebol é um esporte que não tem um gesto definido”. À cada seis segundos o atleta faz um movimento inesperado dentro de campo, um giro, uma parada brusca. Diz ainda que a grande diferença entre a grama normal e sintética consiste um carrinho de um atleta em uma grama normal, ele escorrega três metros, na grama sintética não passa de um, ficando bem mais fácil prender o pé e girar o tornozelo e joelho, além de grande risco com problema clavicular devido ao impacto no solo ser mais intenso. Os médicos especialistas alertam que evitar o gramado sintético é a melhor maneira de preservar a integridade física dos atletas, já que na grama artificial a possibilidade de lesão é infinitamente maior.



A Confederação Brasileira de Futebol chegou anunciar a proibição e que a partir de 2018, nenhum estádio da primeira divisão do Campeonato Brasileiro poderia ter grama sintética, mas houve rebuliço dos clubes contra essa decisão e em fevereiro deste ano houve uma reunião na CBF e a derrubada do veto ao gramado sintético foi feito de forma unânime pelos vintes clubes participantes, com argumentos que é uma grama aprovada pela FIFA, com testes feitos que a deixam semelhante ao uso da grama natural.

Sabemos que a Rússia foi o país pioneiro na grama sintética para o futebol, Luzhnik Stadium, atendendo um pedido da Federação Europeia de Futebol, para a partida final da Liga dos Campeões de 2008, entre os clubes Ingleses, Chelsa e Manchester United, e a FIFA – Entidade Máxima do Futebol. Para liberar teve uma justificativa bastante plausível, o clima foi determinante, em certas regiões da Rússia o frio pode atingir temperaturas de 62 graus abaixo de zero e isso prejudica o crescimento e a manutenção dos fios de grama natural, mas abriu-se um precedente perigoso já que este tipo de gramado vem sendo priorizado pelo Mundo, visando meramente o lado financeiro, porque a grama sintética é muito mais barata que a natural, muito mais resistente, não se gasta com água, luz elétrica, pesticidas, inseticidas, etc, ou seja, o custo é infinitamente inferior.

Em compensação como sempre acontece, quem determina essas coisas são dirigentes que nunca jogaram uma pelada, vivem confinados em suas salas com ar condicionado, além de só ouvirem dirigentes sobre as vantagens econômicas da ação, é imprescindível que associação de atletas opine sobre o assunto, repito, depois de implementados será irreversível, e principalmente ouvir também opinião de médicos especialistas, ou seja, a força da grana pode aleijar ou encerrar precocemente milhares de carreiras de atletas espalhados pelo mundo, ou milhares de atletas quando encerram suas carreiras as consequências serão seriíssimas e muitos deles terão dificuldade locomoção pelo excesso de intervenções cirúrgicas.

Jorge Machado, torcedor do Bahia, amigo e colaborador do Futebol Bahiano.

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