Que o Bahia não caia na mesmice da troca DESNECESSÁRIA de Treinador

"Não penso que o problema do Bahia esteja no técnico..."

Enderson ovacionado pela torcida do Bahia. Foto: Felipe Oliveira / Divulgação

Vi por aqui alguns textos criticando de forma muito veemente (e até pedindo sua cabeça à diretoria) o trabalho de Enderson Moreira. Creio que esta é uma avaliação muito equivocada e, sempre do meu ponto de vista, uma forma muito anacrônica de ver futebol.

Muitas das críticas focam-se na pretensa não rotação do elenco e más substituições. Além disso, no que reputo algo contraditório, vejo que há críticas sobre a utilização de alguns jogadores. Não é meu objetivo, com o perdão da redundância, criticar as críticas, até porque não sou advogado de Enderson Moreira, mas achei interessante apresentar um ponto de vista que funciona como contraponto e dar minha opinião como torcedor tricolor sobre o trabalho dele.

Abrindo parêntesis, eu tenho uma forma de ver futebol que não é “resultadista”. Lógico que o resultado é importante, e mesmo por este ponto de vista, considerando as virtudes e dificuldades do elenco tricolor, acho que, de modo geral, o Bahia com Enderson apresenta um aproveitamento equivalente àquilo que se pode esperar. Fecho os parêntesis, passando a demonstrar porque entendo que o trabalho de Enderson Moreira é bom.

De cara, vi uma evolução clara no modelo de jogo do time. Hoje o Bahia é um time que busca propor o jogo, que busca trocar passes, que tem compactação e que não se curva pros adversários fora de casa, em termos de postura. Isso, para mim, da forma que vejo futebol, indica que há trabalho de um treinador no time.

Claro que o trabalho não é perfeito. O de técnico algum é. Todo técnico tem suas idiossincrasias, suas manias, suas predileções e isso se reflete em escalações e substituições que as vezes não concordo. Não concordo com todas. Mas consigo entender a dificuldade que a comissão técnica teve desde o retorno da copa, quando o Bahia jogou 13 jogos em 39 dias, algo comparável a times como Palmeiras, Flamengo, Grêmio e Cruzeiro, donos de alguns dos maiores orçamentos do país.

Lembremos que neste período o Bahia perdeu jogadores por contusão e teve um dos seus trunfos, principalmente vindo do banco, indo embora para as arábias. Ainda assim, creio que o aproveitamento dele nas competições nacionais e na sul-americana bem compatíveis com o que o Bahia pode oferecer.



No Brasileirão, o aproveitamento dele é de aproximadamente 44,5%, com 4T (Vitória, América, Ceará e Sport), 4E (Chapecoense, Fluminense, Altetico/MG e Cruzeiro) e 4D (Inter, Santos, Atletico/PR e São Paulo). Lembro bem que, exceção feita ao triunfo sobre o Ceará, o Bahia foi categórico sobre os outros, ganhando com segurança. Nos empates, pode-se dizer que foi superior em quase todos, exceção feita ao jogo contra o Cruzeiro, quando não chegou a sofrer muito, mesmo no Mineirão, onde o Bahia costumeiramente se dá mal. Nas derrotas, não consigo ver grandes anormalidades, já que duas delas foram contra os líderes e outras duas contra times que tem alta pontuação no pós-copa, sendo 3 das 4 fora de casa.

Destaco que este aproveitamento é suficiente para garantir uma 9ª colocação. Se projetarmos uma campanha semelhante pro número atual de jogos (24), teríamos 8T, 8E e 8D, o que representaria 32 pontos, 1 a mais que o atual 8º colocado, o Santos. Penso que são posições bastantes equivalentes àquilo que o elenco do Bahia oferece. Além disso, nas duas Copas (Brasil e Sul-Americana), fez jogos dignos, exceção feita àquele jogo do Vasco. Contra o Palmeiras o Bahia competiu muito contra um time fortíssimo. Na competição internacional passou com sobras do time uruguaio.

Tirando a sequência inicial no Nordestão, onde ele pegou o bonde andando, o que significa um time que era um bando nas mãos de Guto, ele emendou uma boa sequência de atuações, ainda que tenham vindo alguns empates no inicio.

Para efeito de comparação, Carpegiani, visto por muitos como uma salvação, ainda que desde o ano passado deixava bastante claro sua vontade de ir pro Flamengo neste ano (ele se reuniu com Rodrigo Caetano ainda em 2017), comandou o Bahia por 12 jogos e obteve apenas 1 triunfo a mais, somando 5T, 4E e 3D. Lembro bem, que depois de uma sequência inicial, que o Bahia teve atuações fracas na parte final do campeonato, contra Chapecoense (em casa) e Sport (fora), além de uma derrota pesada pro Flamengo no inicio de sua campanha.

Foi bem, é inquestionável, mas Carpegiani não é garantia de sucesso, valendo lembrar que ele é conhecido por começar bem e perder o comando dos times rapidamente, como aconteceu em Coritiba e Flamengo recentemente.

Enfim, considerando o nível de atuação do time, o padrão de jogo da equipe, a sua organização tática, não penso que o problema do Bahia esteja em técnico. Na verdade, não acho que haja um grande problema. O time vem apresentando performances compatíveis com o elenco que tem. Creio que a continuidade do trabalho seja fundamental.

Carlos Patrocínio, torcedor do Bahia, amigo e colaborador do Futebol Bahiano.

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