Diego Cerri explica reconstrução do Bahia com teto salarial e veto à medalhões

O dirigente falou sobre a nova política de contratações do clube

Em bate-papo interessante à ESPN, o diretor de futebol do Esporte Clube Bahia, Diego Cerri, falou sobre diversos assuntos, desde a reconstrução do clube que renasceu das cinzas após um longo período sombrio, passando pela restruturação e reformulação visando contratações de bom custo benefício e vetando os “medalhões” antes presentes frenquentemente no Fazendão.

Hoje a política de contratações pontuais é baseada em nomes indicados pelo Departamento de Análise de Desempenho da equipe, enquanto o perfil de atletas mudou totalmente e, segundo o dirigente, com um teto salarial de R$ 150 mil e apostas que deram muito certo, exemplo do meia Zé Rafael que veio do Londrina e hoje é o principal destaque do time e cobiçado por grandes clubes do futebol brasileiro.

Formado em Esporte pela USP (Universidade de São Paulo) e com pós-graduação na Escola Paulista de Medicina, Cerri chegou ao Bahia em agosto de 2016 e seu trabalho vem dando tão certo que, no final de 2017, o Santos tentou levá-lo para a Vila Belmiro. O presidente José Carlos Peres fez o convite, mas Cerri preferiu seguir em Salvador. Quem também se interessou pelo profissional foi o técnico Fábio Carille, ex-Corinthians, contratado pelo Al Wehda da Arábia Saudita.

Veja tudo abaixo:



ESPN: Como foi sua chegada ao Bahia?
Diego Cerri: Cheguei ao Bahia em 2016 e estávamos em 13º na Série B, em um momento difícil. Demos uma arrancada e subimos na última rodada. Depois, fomos planejando a Série A. Tivemos alguns resultados importantes que nos deram estabilidade. Fomos campeões da Copa do Nordeste em 2017 e fizemos uma Série A do Brasileiro muito boa.

ESPN: Quais foram os pilares dessa reconstrução pela qual o Bahia vem passando?
DC: O primeiro foi quebrar a cultura de contratar jogadores renomados, mas em fim de carreira, do Sul e Sudeste. Nada contra, mas precisávamos rejuvenescer o elenco e diminuir o teto salarial. Coisas que o clube não tinha como sustentar e não era possível manter os salários em dia.

ESPN: E quem determina as contratações?
DC: Contratamos jogadores com perfil diferente. Trouxemos esse ano o Flávio, que jogou o Paulistão pelo Santo André, o Paulinho, lateral do Santo André que jogou pelo São Bento a Série B. Ano passado trouxemos o Zé Rafael. Para isso, usamos muito do nosso departamento de análise de desempenho, foi algo que procurei incrementar e valorizar ainda mais.

ESPN: Como a base está sendo tratada nesse processo?
DC: Parte do nosso trabalho foi reestruturar as categorias de base, que são muito importantes para darmos jogadores para o profissional e depois gerarmos receitas para o clube. Vendemos o Jean ao São Paulo e o Juninho Capixaba ao Corinthians ano passado.

ESPN: A torcida aceitou numa boa essa mudança do perfil de contratações, indo do “medalhão” para jogadores emergentes?
DC: No começo foi uma coisa difícil de ser aceita, a expectativa era outra. A gente não apresentava muitos jogadores de nome e gerou aquela dúvida nos torcedores. Mas aí ganhamos a Copa do Nordeste, fizemos boas campanhas e dá para dizer que a cultura da torcida já mudou.

ESPN: E vocês colocaram também um teto salarial para controlar as contas?
DC: Sim. Nosso teto é de aproximadamente de R$ 150 mil. Os gastos com comissão técnica e elenco são de R$ 3 milhões por mês. Para manter um orçamento equilibrado, não temos um elenco inchado. Temos 28 jogadores. Acho importante porque utiliza todo mundo e ninguém fica à margem do processo e não tem desperdício financeiro. Facilita para o treinador comandar um grupo menor.

ESPN: Fale mais sobre seu trabalho e o dia-a-dia como funcionário remunerado do clube.
DC: Somos um clube bem profissional. Pelo estatuto, o presidente e o vice são profissionais remunerados e que precisam dar expediente no clube. Eles não têm atividade fora. Isso ajuda muito nas tomadas de decisões e estamos sempre próximos e tomando as decisões em conjunto. O executivo de futebol, por sua vez, atua junto com o clube na construção de um projeto, mais do que essa visão do diretor que chega para apagar incêndio e contrata 500 jogadores de uma vez. É muito mais um trabalho estrutural e que demora um pouco. Se você não tem resultado, não consegue implementar o trabalho. À medida que eles chegam, você consegue colocar isso em prática. Eu tenho um perfil mais técnico, sou formado em Educação Física. Acho que um gestor tem que conhecer um pouco de cada área, parte técnica, física e administrativa e marketing para auxiliar o clube. É uma área nova no mercado. É um função importante.

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