Enderson exalta triunfo do Bahia no BA-VI, avalia trabalho e destaca evolução

Contestado antes mesmo desembarcar na capital baiano para assumir o Bahia, o técnico Enderson Moreira ganhou alguns dias de paz e tranquilidade até o próximo compromisso, contra o Ceará. Neste domingo, diante da enorme pressão e cobrança por parte da torcida, mas apoiado e empurrado por 24 mil tricolores Arena Fonte Nova, o Bahia teve boa atuação e venceu com autoridade o Vitória, por 4 a 1, pulando fora da zona de rebaixamento e ultrapassando o rival na tabela de classificação.

Em entrevista coletiva após o clássico BA-VI, o técnico Enderson Moreira avaliou a partida, destacou o crescimento do time dentro de campo e as atuações do lateral-direito Bruno e do atacante Gilberto. Ele também falou sobre o próximo compromisso do Bahia é na próxima quarta-feira (25), contra o Atlético Cerro do Uruguai, às 21h45, no estádio de Pituaçu, pelo jogo de ida da segunda fase da Copa Sul-Americana.

“Fui mostrando para eles um caminho. O futebol tem vários caminhos. Dentro do que tenho observado, fui trilhando um pouco o caminho do grupo, o que pode fazer. Sempre fiz isso com os treinamentos. Agora, sentar com os jogadores, em grupo, individualmente, em pequenos grupos, por setor. Ontem à noite, hoje pela manhã, antes da prelação, chamando quase que individualmente cada atleta, mostrando o que estava pensando. Ressaltar o grande trabalho do DADE. Toda a direção, Diego que está muito próximo, todo mundo muito envolvido. O que a gente fez foi passar um caminho, mas o mérito todo é dos atletas, que aceitaram essas informações, tentaram fazer, as vezes com alguns desencaixas, que são normais, mas eles estão tentando fazer”, disse.

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“Primeiramente, acho que se em alguns momentos faltou um pouquinho daquilo que os atletas têm em capacidade técnica, organização tática, uma coisa que não faltou foi determinação e vontade de fazer com que as coisas pudessem ser melhores. A gente teve uma viagem complicada, jogar contra o Vasco lá nunca foi fácil, equipes que se prepararam muito para esse retorno, e a gente não parou hora nenhuma. A gente sabia que ia ter sofrimento nesse retorno. A gente conseguiu a classificação na Copa do Brasil com muita dificuldade, mas é um momento especial para o clube. Classificação muito importante. Fizemos, na minha concepção, um ótimo jogo contra a Chapecoense. Todos reconheceram isso, lá principalmente. E fomos surpreendidos em nosso retorno. Fizemos quase 12 horas em trânsito, todo mundo muito cansado, eu que não joguei estava morto fisicamente falando, sem contar as questões emocionais e, para mossa surpresa, fomos recebidos de uma maneira que não posso aceitar de forma alguma. Todos nós somos profissionais. Precisamos ter o direito de ir e vir e voltar para nossa casa em segurança. Fomos recebidos de uma maneira que deixou estrago em nosso grupo. A gente não sabia como poderia reverter isso. Jogadores que ficaram emocionalmente abalados, mas tomamos a decisão de abraçá-los. Abrimos mão do treinamento de sábado. E a gente tentou tirar um pouco dessa carga que é colocada. Tenho uma concepção que a gente não pode nem comemorar muito nos momentos positivos, ficar agora entusiasmado e achar que está tudo bom, porque não está. Tenho consciência disso. Nem nos momentos ruins achar que está tudo ruim. Teve coisas boas tambémém. Lamentar o que aconteceu em nossa chegada. O verdadeiro torcedor do Bahia vai estar com a gente em todos os momentos. Sempre estiveram. Não vai ser agora que eles vão nos abandonar. A gente lamenta o que deixou de conquistar, mas precisa ter cabeça e tranquilidade para continuar trabalhando e buscando fazer o melhor”

“Não gosto de falar individualmente porque trabalho em equipe. Valorizar uma ou outra peça é muito difícil. São dois jogadores experientes [Bruno e Gilberto], de alto nível, que têm entendimento muito bom. O grupo do Bahia nos recebeu muito bem, não só a comissão, mas os atletas. A gente tem que receber quem está chegando da mesma forma que gostaria de ser recebido quando chega em algum lugar. Eles foram muito amorosos, carinhosos com quem está chegando. Foi uma atitude muito bacana deles, isso trouxe tranquilidade para quem está chegando. Talvez não estivesse em nosso planejamento o Bruno iniciar rapidamente, mas com a lesão do Nino a gente teve que iniciar. O Gilberto já estava inserido”

O que precisa melhorar?
“O que falei foi que não está tudo errado quando perde e nem quando ganha está tudo certo. Essa avaliação tem que ser feita diariamente. Vou fazer, verificar o que pode ser ajustado, pegar os atletas e mostrar o que foi bom, o que a gente teve dificuldade. É esse o trabalho. Isso independe de resultado. O brasileiro é uma competição a longo prazo, de resistência e principalmente, de resiliência. A gente tem que resistir às dificuldades. O que falei na preleção era que não era o momento de dar um passo para trás, de ficar acuado. Era um momento de dar um passo para frente, enfrentar as dificuldades.”

Início de trabalho no Bahia:
“Quando a gente chega, vai encaixando uma peça ou outra. Cheguei no meio de uma semifinal de campeonato. Não tinha como fazer muitos movimentos ali. Como mineiro que sou, embora tenha nascido em São Paulo, mas fui para Minas com três meses, a gente sabe que tem que tomar algumas atitudes com doses homeopáticas. As mudanças muito drásticas não são bem-vindas, não funcionam. Fui conhecendo um pouco mais os atletas, encaixando uma peça ou outra. A gente não vai ter uma equipe titular. A gente vai ter um grupo que vai estar sempre representando muito bem nosso torcedor. A mexida para essa partida não seria interessante porque não tivemos tempo para nada. Todos os atletas se dedicaram muito. Vocês não têm ideia de como os atletas se apresentaram ontem no hotel. Muitos problemas físicos. O próprio Gregore não conseguiu terminar o jogo. Provavelmente na quarta a gente não consiga colocar muito desses atletas em campo. Estão indo no limite do limite. A gente precisa pensar em colocar uma turma que possa valorizar ainda mais essa competição. Precisa pensar caso a caso.”

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