Delegado x Centralizador: As diferenças entre Sant’Ana e Bellintani

A gestão de Bellintani não será exatamente de continuidade a de Sant'Ana

Na apresentação do plano de gestão, o novo presidente do Bahia, Guilherme Bellintani já tinha deixado claro que, embora fosse do mesmo grupo do seu antecessor – Marcelo Sant’Ana, sua administração não seria exatamente de continuidade, mas existem algumas ressalvas à se fazer.

A questão da pré-temporada tem que ser vista como pontual, por causa da Copa do Mundo e do péssimo calendário nacional, teremos as competições começando no dia 17 de janeiro, ou seja, como os jogadores voltam no dia 3, terão menos de quinze dias de trabalho para o primeiro jogo. Então já temos uma grande chance de ter um pré-temporada mal feita, com lesões e mal início físico da equipe, não há datas para fazer amistosos ou pré-temporada fora. É importante ressaltar que esses jogos tinham a função de valorizar a marca, expor o Bahia no mercado. Voltar ao estágio anterior não me parece inteligente, por isso suponho ser um fato pontual a decisão do novo mandatário de não realizar amistosos ou jogos comemorativos.

Na questão da nova estrutura administrativa, está claro que Bellintani fará uma gestão mais centralizadora que a de Sant’Ana, quando você deixa de ter diretores para áreas macro, trocando por gerentes de setor, você praticamente assume todas as áreas. Isso em gestão não é considerado muito moderno, mas pela grande experiência de Bellintani na área empresarial, ele pretende assumir o dia a dia para reduzir custos e realocar no futebol, ele terá que administrar muita coisa ao mesmo tempo, terá que gerir muito bem isso para não perder o foco do próprio futebol.

Marcelo Sant’Ana delegava mais, até mesmo por não ter conhecimento técnico ou a inserção nessas outras áreas tinham seus diretores, Marcelo Barros como homem forte das finanças e administração, e Jorge Avancini na área de mercado e marketing, captando receitas. Portanto, Sant’Ana podia se concentrar mais no futebol, junto com o diretor da área. São realmente estilos de gestão diferentes.

Já a questão da prioridade, aí eu tenho um certo receio. No discurso, isso de priorizar tudo é muito bonito, mas na prática quem teve essa forma de agir foi o Sport-PE, disputou cinco competições sem priorizar, teve uma infinidade de lesões no elenco e não ganhou nada, com exceção do deficitário estadual e quase caiu para Série B. Para quem não tem orçamento para ter reservas no mesmo nível do titular priorizar é uma necessidade, o revezamento do elenco, entre o estadual e o regional, fez muito bem para o Bahia, rodou o elenco, evitando o desgaste precoce, e permitiu que jogadores reservas, como Juninho Capixaba e Lucas Fonseca, fossem vistos pela comissão técnica, torcida e imprensa. Foi um dos fatores do Bahia ter começado o Brasileiro bem, o time era fisicamente superior o início da competição.

E. Silva, torcedor do Bahia e amigo do Futebol Bahiano.

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