E.C Vitória: Não é momento para retrocessos e sim para transformações

"Se falhas ocorreram, mas importante que saber quem as cometeu, é saber quais os mecanismos internos que as possibilitaram"

O grande problema do Esporte Clube Vitória é da chapa eleita ou do processo democrático? Eis a questão. Acredito que o problema está na forma como se deu a sucessão no Vitória, sem ruptura, sem uma auditoria independente e conclusiva, além de ter sido muito influenciada pela mídia desportiva baiana, que após o escândalo do jabá, se encontra seriamente desacreditada.

Vale lembrar que as eleições se viabilizaram devido ao mal desempenho dos antigos “Barões do Vitória”.  Acredito que não é o momento para retrocessos, mas para aprofundar as transformações, fortalecendo as instituições internas, afinal, pessoas passam, e as instituições ficam. Ressalto que não sou torcedor do Vitória, mas acredito que os clubes precisam buscar se aprimorarem, em lugar de procurarem salvadores da pátria ou vilões.

Se falhas ocorreram, mas importante que saber quem as cometeu, é saber quais os mecanismos internos que as possibilitaram, ou que não as apontou em tempo para que as correções fossem feitas. Por exemplo, não seria necessário aguardar o afastamento do presidente licenciado para apontar que o adiantamento recebido por ele era indevido. Na verdade, ele não deveria ter sido liberado, e o que impediu a sua negativa?

É isso que precisa ser corrigido, para que não se repita, independentemente de quem esteja à frente do clube. Esta política, de: “cão danado, todos a ele!”, me provoca dúvidas da seriedade de propósitos de quem está à frente dela. A exemplo da política nacional, onde afastaram Dilma, mas mantiveram o Vice-Presidente e toda a estrutura para perpetuar o caixa dois de campanha.

Mas não pretendo derivar para esse tema, serve apenas para ilustrar, que precisamos de pessoas com espírito público e republicano, que aperfeiçoem as instituições, em lugar de se aferrarem apenas à luta pelo poder e às conveniências políticas momentâneas. Caso contrário, nossos clubes viverão de sobressaltos e manobrando em ambiente instável.

A renúncia de Ivã de Almeida já foi fruto de uma crise. A pressão interna era imensa. Tenho dúvidas sobre se realmente a falta de escândalos era por falta de motivos, ou devido à pouca transparência? Não conheço os meandros internos do Vitória, sequer conheço adequadamente os do Bahia, mas concordo que as questões político-partidárias precisam ser monitoradas de muito perto, caso contrário, os interesses do clube passam a ocupar posição secundária.

Posso falar bobagem, pois repito, não conheço a política interna, mas me pareceu que a chapa criada foi uma composição entre grupos, noto que essas negociações geralmente não são muito republicanas.  Ainda penso que o problema não está na forma de se chegar ao poder, mas na maneira como o exerceram. Mas realmente me falta propriedade para tratar de assuntos internos do Vitória.

Ramon Santos, torcedor do Bahia, amigo e colaborador do Futebol Bahiano.

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