Três momentos emocionantes que vivenciei na velha Fonte Nova

"grande saudade que jamais o tempo apagará da memória de quem curtiu"

No meu texto anterior (o que a torcida do Bahia tem que as demais não têm?), falei um pouco sobre o sentimento de torcer pelo Esporte Clube Bahia. Um sentimento inexplicável, indescritível, diferente de torcer para qualquer outro clube, só o próprio torcedor é que sabe e é por isso que classifico como uma grande sacada do ex-presidente Paulo Maracajá ter denominado a torcida do Bahia de Nação Tricolor, haja vista que, é uma verdadeira nação, composta por gente de todos estratos sociais, uma torcida formada por executivos, profissionais liberais, empresários, negociantes, comerciários, industriários, enfim, trabalhadores que integram tanto o mercado formal como o informal, ou seja, diversas camadas sociais, que se transformam numa única e densa massa humana: povo.

 

Lembrei também de algumas figuras e personagens que só se viu ou só se vê, em jogos do Bahia, exemplo do saudoso Lourinho que se tornou, mais famoso ainda, antes da bola rolar no estádio da Beira-Rio, na final do Campeonato Brasileiro de 1988 no jogo Internacional 0x0 Bahia, quando preparou um bozó com vários bonecos de vodu, todos cravados com alfinetes, colocando todos os capirotos na porta do vestiário do Inter, objetivando “amarrar” todos os colorados em campo. Tivemos também, aquele anão tão engraçado , que “driblava” os seguranças do jogo, além do extrovertido torcedor que era conhecido pelas suas “largas gargalhadas” nas arquibancadas da Fonte, o qual, deu um depoimento sincero e comovente no filme “Bahêa minha vida”, quando relatou que “podia faltar até comida na sua mesa, só não podia faltar dinheiro no bolso para adquirir ingresso para ter a alegria de ver seu Bahêa jogar”. Entre outros.

Só que, se eu ficar ilustrando esse artigo com casos, “causos” e fatos folclóricos ou pitorescos que só acontecem no seio da torcida do Bahia, demandaria  muito tempo e espaço. Mas, para dar continuidade ao texto anterior, não poderia deixar de pontuar aqui, três grandes momentos repletos de grande emoção que já vivenciei na velha e saudosa Fonte Nova e, também, uma grande saudade que jamais o tempo apagará da memória de quem curtiu.

1) A inédita conquista do heptacampeonato baiano em 1979, com aquele gol “espírita” de Fito em cima do goleiro Gelson. Lembro que quando acabou o jogo, por volta de quase 11 horas da noite, o trio elétrico já estava posicionado no entorno do estádio, aguardando a galera rumo ao Bonfim, onde o carnaval antecipado rolou até as primeiras horas da manhã.

2) Final do Campeonato Baiano de 1994, com quase cem mil pessoas na velha Fonte, o Bahia jogava pelo empate, mas, o Vitória vencia o jogo por 1×0 até aos 45 minutos do segundo tempo, placar que estava jogando no ralo a conquista do Bi-Campeonato do Bahia. Quando muito tricolor já havia deixado à dependências do estádio, à “mística” entrou em ação, com Raudinei empatando e garantindo a festa da galera. Detalhe curioso: O treinador do Vitória era o uruguaio Sérgio Ramirez, aquele mesmo valentão que em 1976 deu uma carreira em Rivelino, em pleno Maracanã, após o jogo Brasil 2×1 Uruguai, válido pela Copa Atlântico.

3) Jogo dramático Bahia 1×0 Fast Clube válido pela última rodada da 2ª fase da Série C de 2007. O Bahia para chegar ao octogonal decisivo da 3ª fase da competição, teria que vencer o Fast de Manaus e torcer para que o Rio Branco do Acre não vencesse o ABC de Natal, portanto, uma situação para lá de complicada. Para os jovens torcedores do Bahia que não acompanharam aquele drama, na penúltima rodada da fase, o Bahia já tinha perdido de 2×1 para o ABC no Frasqueirão, enquanto que o Rio Branco goleou o Fast em Manaus por 3×0 com um tal de Testinha fazendo à festa. Com esse resultado, o Rio Branco foi à 9 pontos, o ABC que venceu o Bahia foi a 11 pontos, obtendo à classificação antecipada e o Bahia permaneceu com 7 pontos.

Resumo da complicada equação: Com o ABC já garantido no octogonal, Rio Branco e Bahia brigavam pela outra vaga, com ambos jogando em casa, só que o Bahia para se classificar, tinha que vencer o então lanterna Fast Clube e o Rio Branco não vencer o ABC. Diiiiiizem, que a famigerada “mala branca” entrou em ação, injetando uns “jetons” no time do ABC que conseguiu empatar com o time acreano  enquanto o Bahia venceu, à duras penas, o time amazonense por 1×0, gol marcado por Charles (genérico), aos 50 minutos do segundo tempo. E, para variar, estava presente, “in loco” em todas essas proezas que citei do Bahêa.

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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