O que é que a torcida do Bahia tem que as outras não têm?

A fiel, apaixonada e Fantástica Torcida do Bahêa ou, Nação Tricolor...

Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia

Para falar de torcida, além de quantidade, tem que se levar em consideração outros condicionantes que fazem a diferença antes e durante uma partida de futebol e tais requisitos, a Nação Tricolor tem de sobra: fidelidade,  presença assídua nos jogos, alegria, vibração, sem esquecer da famosa “mística”, fatores que contribuem para criação de um ambiente ideal e uma boa atmosfera para um jogo de futebol. Uma pena que, é muito provável, que o pós-pandemia seja muito diferente nas dependências dos estádios no que diz respeito a grande presença da  torcida, fator que desemboca no termo, AGLOMERAÇÃO, palavra que se tornou chave para prevenção do Coronavírus. Entretanto, vale à pena mergulhar no passado para realçar ainda mais aquele antigo cenário de estádios lotados, lembrando daquele velho e emocionante samba: “QUE BONITO É, AS BANDEIRAS TREMULANDO, A TORCIDA DELIRANDO, VENDO A REDE BALANÇAR…”,  que por muito tempo serviu de trilha sonora para exibição dos grandes momentos do futebol brasileiro, produzidos e apresentados por Carlos Niemeyer nos documentários  do seu Canal 100, que eram distribuídos para os principais cinemas do País, entre os anos sessenta e final dos anos noventa.

 

Existem grandes torcidas no Brasil, sendo que a do Flamengo é, disparadamente, a maior do Brasil, seguida da torcida do Corinthians e, na sequência  São Paulo, Palmeiras, Vasco e por aí vai. E a torcida do Bahia? Sempre quando são divulgadas essas pesquisas, dentre um ranking de vinte, a torcida do Bahia se situa numa faixa intermediária, oscilando no 12º, 13⁰ lugares, enfim. Aliás, em 1987 quando os mentores do “Clube dos Treze”, –  que a priori, seriam doze -, resolveram se reunir para sacramentar a associação dos grandes clubes brasileiros  seria só aquele grupo seleto do Sul/Sudeste do País, com dois clubes de Minas, quatro do Rio de Janeiro, quatro de São Paulo e dois do Rio Grande do Sul, mas, quando o então presidente do Bahia, Paulo Maracajá, tomou conhecimento daquele “apartheid” do Nordeste no futebol brasileiro, deu testa e disse que o Bahêa tinha que fazer parte do grupo, porque, além de ter título de âmbito nacional, tem uma numerosa torcida. E aí,  mesmo contra a vontade dos sulistas, “natoramente” houve a inclusão do Bahia.

O QUE É QUE A TORCIDA DO BAHIA TEM QUE AS DEMAIS NÃO TÊM?

Se a Bahia tem mil maravilhas, tenho certeza que a torcida do Bahia é uma delas, por se tratar de uma torcida que de tão plural que é, acaba se tornando singular. Isso mesmo! Quando digo que ela é plural, não tem nada a ver com o termo gramatical que significa mais de um e sim, estou me referindo a variedades e multiplicidade, enquanto quando chego ao denominador comum de que de plural, ela passa a ser singular, estou qualificando-a como ímpar, excepcional e rara. Não me canso em afirmar que torcer pelo Bahia é inexplicável, indescritível, diferente de torcer para qualquer outro clube, só o próprio torcedor é que sabe e é por isso que classifico como uma grande sacada do ex-presidente Paulo Maracajá ter denominado a torcida do Bahia de Nação Tricolor, haja vista que, é uma verdadeira nação, composta por gente de todos estratos sociais, uma torcida formada por executivos, profissionais liberais, empresários, negociantes, comerciários, industriários, enfim, trabalhadores que integram tanto o mercado formal como o informal, ou seja, diversas camadas sociais, que se transformam numa única e densa massa humana: povo.

Já viajei por esse Brasil afora e tive a oportunidade de presenciar grandes clássicos do futebol brasileiro no eixo Rio-São Paulo e percebi que a torcida do Bahia é incomparável, é diferente das demais e a maior prova disso, foi a prova de amor e paixão que a Nação Tricolor mostrou e demonstrou durante aquele inferno astral vivido pelo Clube, quando passou cinco anos na maldita Série B e dois anos na excomungada Série C. Claro que houve aquele deprimente espetáculo, quando aconteceu em 2006 aquela irresponsável invasão de campo na antiga Fonte Nova, quando estávamos perdendo por 2×0 para o Ipatinga, mas, convenhamos que, embora o Esquadrão seja de Aço, o torcedor é de carne, osso e de sentimentos. Naquele jogo, em função daquele placar adverso, diante de um time de pouca ou nenhuma expressão, os nervos subiram à flor da pele do torcedor e aconteceu o que aconteceu. Entretanto, essa mesma torcida em 2007, quase todo jogo que era realizado na antiga Fonte Nova, podia ser diante do Ananideua, Crac, Barras do Piauí, e o escambau de Mussurunga, se registrava público beirando sessenta mil pagantes. Só a torcida do Bahia fez isso na Série C, aliás, fez e não fará mais aquilo porque espero e torço que o clube não cairá mais naquele abismo.

Independentemente, dessa fantástica torcida que o Bahia tem, existem ou já existiram figuras e personagens que só se viu ou só se vê, em jogos do Bahia. Quem começou a torcer pelo Bahia e frequentar a Fonte Nova no final dos anos sessenta, lembra muito bem, de uma grande figura folclórica que se fez presente nas arquibancadas por mais de trinta anos com sua barulhenta buzina. Aquele apaixonado e famoso torcedor, era o cidadão Lourinho que se tornou, mais famoso ainda, antes da bola rolar no estádio da Beira-Rio, na final do Campeonato Brasileiro de 1988 no jogo  Internacional 0x0 Bahia, quando preparou um bozó com vários bonecos de vodu, todos cravados com alfinetes, colocando todos os capirotos na porta do vestiário do Inter, objetivando “amarrar” todos os colorados em campo.

Tivemos também, aquele anão tão engraçado que em todo jogo do Bahia na antiga Fonte Nova, marcava presença,  uma atração à parte, “driblava” os seguranças do jogo, conseguia transpor o antigo fosso e, cheio de coreografias e presepadas, adentava  ao gramado e fazia a festa , era bem quisto pela torcida e se transformava numa grande atração antes do jogo. Se na época, já existisse o mascote do Super Homem, formaria uma dupla dinâmica. Tivemos, também, um extrovertido torcedor que era conhecido pelas suas “largas gargalhadas” nas arquibancadas da Fonte, o qual, deu um depoimento sincero e comovente no filme “Bahêa minha vida”, quando relatou que  “podia faltar até comida na sua mesa, só não podia faltar dinheiro no bolso para adquirir ingresso para ter a alegria de ver seu Bahêa jogar”. Sem comentários!

E o que dizer de um “tricolouco” que joga junto com o time onde este estiver. Seja viajando de avião, ou pegando um “voo rasteiro”, de buzu ou de trem, se hospedando em hotel ou pensão ou, se não for possível, dando pernoite em estações rodoviárias ou ferroviárias, sem falar que é o torcedor mais convicto e otimista do Bahia, sempre usando esse clichê: “Esse ano o Bahia  vai ser campeão Baiano, campeão da Copa do Nordeste, Campeão da Copa do Brasil, do Brasileirão, da Libertadores, Campeão de tudo…. , porque o Bahia é melhor do que o Barcelona, melhor que o Real Madrid,  melhor do que o Manchester…” O Bahia é o melhor do mundo! Nem precisava dizer que se trata do “profeta” Binha de São Caetano.

Quanto à grande saudade que tenho, ainda era quando existia o respeito mútuo entre os torcedores. E na área do antigo estacionamento da Fonte Nova, nas imediações da “Kombi do Reagge “, era o ponto de encontro das torcidas e, em meio aquela “cervejada” toda que era consumida, o que se via era sadias brincadeiras e gozações, confraternizações com abraços entre torcedores de Bahia e Vitória, enfim, uma verdadeira festa do futebol, no “esquenta” do jogo, ainda no entorno do estádio.

Tudo isso que abordei é o que vejo e percebo da torcida do Bahia. Se o caro leitor, seja torcedor do Bahia, do Vitória ou de qualquer outro clube que concordou ou discordou com o meu ponto de vista, é só comentar e opinar expondo, expondo o que pensa ou às grandes emoções vividas em um estádio.

#FiqueInCasa

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

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