E.C. Bahia: Era esse o Rodriguinho que a gente esperava – por Erick Cerqueira

O Tricolor foi ao Ceará e precisava fazer o que sempre fez nos seus 90 anos

Se tem uma coisa que não se pode falar do Bahia é que ele não ajuda a fortalecer o coração do seu Torcedor. Num ano dificílimo, totalmente atípico e trágico, coube ao Bahia fazer a gente ficar tenso, nervoso, xingar todo mundo, contratar certo, dar errado, contratar errado, e dar certo, contratar errado e dar errado demais, fazer a gente sofrer até a penúltima rodada do Brasileirão, pra depois explodir de felicidade, na única goleada do time no campeonato e jogando fora, onde foi um desastre na temporada. 

 

O Tricolor foi ao Ceará e precisava fazer o que sempre fez nos seus 90 anos de Tradição. Bater nos nossos vizinhos. Mas o ano foi tão atípico que a gente perdeu pra quase todos eles, aqui dentro ou fora de casa. 

Perdemos pro falido ex-rival, pro Ríver do Piauí, pros nossos fregueses habituais como Ceará, Sport, enfim, perdemos pra quem não costumávamos perder. E a bola da vez, era o Fortaleza, se não me engano, o único grande do Nordeste, que a gente conseguiu vencer no Brasileirão.

Era jogo decisivo, valia uns 63 milhões e a mesma escalação do jogo contra o Atlético-MG era necessária. Era só tirar Rodriguinho e colocar Gilberto. Mas o futebol é arteiro. 

Dado apostou na manutenção do camisa 10, pra alegria do Mestre Allan Pinguim que falou que ele faria o gol que afastaria o time da zona. E com 6 minutos de jogo, o contestado Nino Paraíba (mais uma vez UM GIGANTE) vai na frente e acerta um cruzamento perfeito. Rodriguinho vai lá, faz o gol de cabeça, queima minha língua e começa a fazer história com a camisa do Bahia. 1×0 pro Tricolor de Aço. e o mais importante: TODO MUNDO VIBROU MUITO COM O GOL.

Com o gol no começo da partida, o Fortaleza teve de mudar sua forma de jogar e precisou propor o jogo, ao invés de ficar mais reativo. Com a defesa muito bem postada, ponto pra Dado que achou o time com Patrick fechando a linha baixa com 5 jogadores, os donos da casa só conseguiam chegar pelos cruzamentos. E no primeiro acertou o travessão. Depois, sem sustos até o fim do primeiro tempo.

Segunda etapa e logo aos 4 minutos Ronaldo acerta a trave, lembrando o gol perdido por Rossi contra o Galo. Depois o Bahia sofreu uma blitz do Fortaleza e Douglas garantiu o pirão numa defesaça num chute rasteiro de Filipe. 

Aí veio o Bahia que a gente esperou desde 2020. 

Lucas recua pra Douglas, que passa pra Ernando, que toca no meio, na frente do marcador, deixando pra deixar meu coração quase parando. Ronaldo recebe e passa pra Rodriguinho, que dá uma tapa pro lado. Capixaba ajeita pra trás, Ronaldo dá uma tapa por cima da zaga pra passagem de Nino Paraíba. E o gigante Nino enxerga a correria do Rodriguinho e lança pra ele, de novo, pra fazer o segundo gol e matar a partida. 2×0.

Com o segundo, o Leão do Pici sentiu o golpe. Logo na sequência, pela direita, Rossi dribla Filipe. sofre pênalti e o jogador do Fortaleza ainda leva o segundo amarelo e é expulso. Rodriguinho cobra, o goleiro defende mas no rebote o miserávi fez o seu terceiro gol. Bahia 3×0 com hat-trick de Rodriguinho e churrasco-de-língua na Bahia. O diabo é sujo mesmo…

Com os 3×0, e um a mais, finalmente o Bahia conseguiu vencer o tabu e fazer mais um gol em time com menos um jogador. Rodriguinho dribla na área, toma uma rasteira, sofre o pênalti e deixa Rossi bater. O búfalo broca, 4×0 e fim de papo.

BORA BAÊA MINHA PORRA!

Abrimos 4 pontos pro Vasco, que é o primeiro da zona de rebaixamento. Passamos o Fortaleza e vamos pra cima do Santos. E tem de vencer em casa sim. Não vou secar ninguém. Vou torcer pelo meu time contra o Santos e cada um que se lasque amanhã e depois. Parabéns a Dado por ter mudado a postura do time, ressuscitar Rodriguinho, fazer o time voltar a vibrar com os gols e golear pela primeira vez no Brasileirão. Pra cima do Peixe, pra reviver as emoções de 59, que é NOSSO!

Comentários:

2 Comentário

  1. E quanto ao que disse o jogador do Fortaleza? A questão não é o que disse Tinga, o importante é não esquecermos o que ocorreu durante a temporada inteira por conta de uma final de temporada com futebol mais digno.
    Tinga fala em comprometimento e vontade, mas isso não deve ser demonstrado apenas em campo, mas durante a sua preparação como atleta e jogador. Ele mesmo aparenta estar completamente fora de forma, o mesmo ocorre com outros companheiros, como Osvaldo e muitos outros. Mas isso não é problema nosso, a nossa questão é incorrermos em erro similar (não igual, mas de caráter parecido).
    No segundo turno de 2019 houve um decréscimo de produtividade absurdo, e não foi feito o diagnóstico correto da situação e promovidas as mudanças necessárias, tanto que o ano de 2020 foi um desastre.
    Espero que em 2021 seja realizado este diagnóstico corretamente e que sejam efetuadas os ajustes, sem se deixar levar pelas atuações do final do Brasileirão, o Bahia precisa analisar o todo. Como foi o preparo físico dos atletas durante o ano? E a doação em campo? E o esforço para aprimorar o desempenho particular e coletivo?
    Esse é o desafio do Bahia nesse início de 2021, tão importante como evitar o rebaixamento.
    Água não vira vinho, tampouco vinho vira água, as coisas seguem as suas naturezas e são frutos de seus processos de construção. Não defendemos o rancor, mas fechar os olhos para os problemas sem termos certeza da sua superação é a receita para que esse tipo de evento se repita. Não é o momento de discutirmos isso, mas é o de fazermos esta análise com um certo distanciamento emocional.

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