O bom trabalho de Mano começa a reacender a esperança do torcedor do Bahia

"O cargo de treinador é, permanentemente, interino..."

Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia

Ainda considero um tempo exíguo para analisar ou avaliar o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo técnico Mano Menezes que tem, aproximadamente, um mês de trabalho no Esporte Clube Bahia, já comandou o time em seis jogos, perdendo quatro e vencendo dois, obtendo um aproveitamento de 1/3, entretanto, independentemente dos resultados obtidos, mesmo com as derrotas diante do Atlético-GO, Corinthians, Athletico-PR e Sport, já deu para o torcedor perceber algumas mudanças e melhorias no desempenho da equipe no tocante à organização tática, com o sistema defensivo já com alguma consistência, um meio de campo trabalhando bem à bola e com uma boa transição com o sistema ofensivo que já começa a encaixar e, embora, Gilberto tenha desencantado no jogo contra o Botafogo, marcando o seu primeiro gol, após o recomeço da temporada, passou em branco no jogo diante do Sport, marcou contra o Vasco, mas, ainda está devendo e, muito, à torcida e têm que voltar a marcar gols com frequência, para retomar seu protagonismo no ataque.

 

Vale salientar que, o ponto crucial nas derrotas no estádio de Pituaçu, foi o time ter perdido seis pontos para Atlético-GO e Sport, times que quando iniciou a competição, o primeiro objetivo era fugir do rebaixamento e depois, o que ocorrer, haja vista que, além de se tratar de equipes que em qualquer bolsa de aposta realizada antes do campeonato, eram tidas como fortes candidatas ao rebaixamento, o Bahia acabou entrando de gaiato no navio e conseguiu perder seis preciosos pontos para esses times.

Acompanho o trabalho do técnico Mano Menezes, desde o ano de 2005, quando ele dirigia o Grêmio que jogou a Série B naquele ano, ainda quando a competição integrava 22 clubes, com o formato de dois quadrangulares na fase final, os quais, definiam os dois clubes que ascendiam à Série A, um ano em que, Recife teve a grande oportunidade de promover dois acessos à Série A, com o campeão e vice-campeão da Série B (Náutico e Santa Cruz) ou, vice-versa, mas, deu Grêmio campeão.

Após o árbitro ter marcado um pênalti a favor do Náutico, houve muito tumulto, o Grêmio teve quatro jogadores expulsos, ficando reduzido a sete atletas em campo, o jogo ficou paralisado por muito tempo e, quando tudo se normalizou com a partida sendo reiniciada, reiniciada, foi efetuada a cobrança da penalidade máxima, o goleiro fez a defesa, o time gaúcho, mesmo com a relevante inferioridade numérica, partiu para o contra-ataque, fez 1×0, conseguiu segurar e “cozinhar” o jogo até o final, venceu o jogo e sagrou-se campeão brasileiro da Série B. Coisa de cinema! Foi tanto que, a referida partida ficou conhecida como “Batalha dos Aflitos” que mais, tarde, se transformou em filme e, independentemente, da raça e do brio dos jogadores em campo, tenho certeza que a firmeza, a competência e a serenidade do então técnico do Grêmio à beira do gramado, muito contribuíram para o desfecho final do jogo e, consequentemente, o acesso à Série A e o título da competição.

Desde que a bola começou a rolar no Brasileirão que nutro uma certa desconfiança com relação à qualidade do elenco que foi montado pelo Bahia para disputar às mais importantes competições da presente temporada, principalmente, para disputa dessa competição, o qual, sempre analisei como incompatível para as pretensões do clube e do torcedor na competição, até em função, dos vexames registrados com a sumária eliminação da Copa do Brasil, a frouxidão do time nas finais da Copa do Nordeste e a dificuldade que assistimos na conquista do título do tri-campeonato Baiano diante do modesto Atlético de Alagoinhas.

Em contrapartida, tenho que reconhecer que, embora esse mesmo elenco não fosse tão qualificado, em termos individuais, seja superior aos do time do Ceará que conquistou o título da Copa do Nordeste e de Fortaleza e Sport que fazem campanhas consistentes na Série A, mas, o torcedor que manja um pouquinho de futebol, já deve ter percebido que, mesmo com algumas carências qualitativas, o time não era tão ruim assim como muitos pensavam, o grande problema era o treinador anterior que era incapaz de mexer com as peças que tinha para conseguir uma dinâmica de jogo para que os resultados fossem conquistados, ou seja, era uma orquestra carente de um bom maestro, mas, é imperativo que o time seja reforçado.

À essa altura do campeonato, quando o Bahia começa, tardiamente, a recuperar o terreno perdido, o presidente Guilherme Bellintani deve estar se perguntando, o porquê do seu alto grau de tolerância diante de um trabalho infrutífero do antecessor de Mano Menezes. Mesmo já findando seu mandato, mas, ainda em condições e com chances de uma reeleição, espero que o presidente tenha a hombridade de reconhecer o erro cometido, se conscientizando que, mesmo com um clube de futebol sendo uma Pessoa Jurídica com inscrição no CNPJ como outras empresas privadas, numa empresa convencional, se lida com a razão, no futebol, mais do que lidar com a razão, o gestor lida diuturnamente, com grandes emoções e aí vem, a paixão, o amor, o ódio, às intrigas, as brigas com a imprensa, enfim, um vestiário de problemas, os quais, se os resultados positivos dentro de campo não acontecerem com frequência ou os títulos não sejam conquistados inviabilizam ou abortam qualquer projeto do clube.

Ademais, além do presidente estar preparado para conviver com as oscilações de um time de futebol no decorrer de uma temporada ou de uma competição, na hora de demitir um treinador, à decisão terá que obedecer à razão e não ao coração, talvez por algum laço de amizade ligado ao profissional. A imprevisibilidade que cerca o futebol gera, também, a instabilidade permanente na função de um técnico de futebol, é por isso que, alguém já disse que o cargo de treinador é, permanentemente, interino, razão pela qual, a tática do troca-troca desse seleto é bem remunerado grupo de profissionais permanecerá nos clubes, com direito ao repeteco ou ao efeito ioiô (vai e volta), até porque, assim como acontece com os dirigentes, jogadores e demais funcionários do clube, todos eles são internos e passam, mas, só à Instituição é permanente.

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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