Alguns técnicos que marcaram época ou não no E.C Bahia

Evaristo de Macedo marcou época e foi homenageado no novo CT do Bahia

Com o futebol baiano ainda, literalmente, impedido de proporcionar alegria, prazer e lazer ao seus  milhões de aficionados torcedores em função desse quadro pandêmico que vem afetando e desafiando o planeta, o que tem proporcionado a escassez dos acontecimento esportivos, tem nos obrigado à voltar ao passado, nos remetendo a um retrô de fatos futebolísticos que acabaram ficando na história de um clube ou de um profissional, fatos marcantes que permanecem vivos na memória do torcedor.

 

E é por tudo que já foi exposto acima, que já retroagir bastante nesse democrático espaço que me é concedido por esse importante Blog, onde já comentei a respeito de fatos e histórias do passado, discorrendo sobre “time dos sonhos”, “jogador mais importante do Bahia”, dentre outros assuntos de igual importância. Como já aconteceu em artigos anteriores, quando abordei fatos que integram à história do clube, estou retroagindo a um longo passado e, também, a um passado recente, citando alguns treinadores que marcaram época no Bahia, deixando seu nome na gloriosa história do clube e na memória do torcedor, outros, nem tanto, com passagens apagadas ou sem nenhum brilho, cuja análise, escolhi que fosse a partir dos anos setenta, por se tratar de uma época em que já era adolescente, já curtia e discutia bastante futebol com os amigos, fazendo minhas análises e tirando conclusões a  respeito do time, jogadores e comissão técnica que, para ser sincero e falar a verdade, naquele tempo, o próprio treinador, era o único componente da “comissão” porque não havia preparador físico, treinador de goleiros, auxiliar técnico e nem esse atual magote de aspones que integram as atuais comissões que somando os integrantes, é capaz de chegar à quantidade de um time de futebol.

Vou abrir essa lista, citando o treinador Fleitas Soliche que foi Bi-Campeão Baiano em 1970/1971. Era um treinador de nacionalidade paraguaia, já com uma idade avançada, mas, trabalhou bem e, nos dois anos que esteve comandando o time, conseguiu os dois títulos estaduais, no entanto, o time não foi bem na então Taça de Prata, que seria o atual Brasileirão. Um detalhe curioso do Soliche era que ele detestava microfone, não concedia entrevistas. Mas, como de 1970 à 1979, o Bahia só não foi campeão baiano em 1972, em 1973, quem deu a largada para o Heptacampeonato, foi o mestre Evaristo Macedo. Foi campeão estadual e depois saiu,  retornando quinze anos depois para conquistar o título de Campeão Brasileiro.

Após a brilhante conquista, Evaristo seguiu sua carreira em outros clubes e após alguns anos ainda trabalhou no clube por umas quatro vezes, mas, não deu o mesmo caldo que dera em 1988, o que não impediu de se tornar um dos treinadores mais importantes da história do clube, inclusive, de tanta moral que tem, o novo Centro de Treinamento do Bahia recebeu o seu nome. Além do Brasileiro de 88, conquistou cinco títulos baianos (1970, 1971, 1973, 1988, 1998, 2001) e comandou o tricolor no seu primeiro título da Copa do Nordeste em 2001.

O fato curioso na trajetória do Hepta do Bahia, é que aquela máxima do futebol muito utilizada que diz que: “Time que está ganhando não se mexe”, foi contrariada, haja vista que passaram cinco treinadores pelo Clube: Evaristo em 1973, Paulo Amaral em 1974, Zezé Moreira em 1975, Orlando Fantoni (titio Fantoni) em 1976, Carlos Froner em 1977/1978 , com o retorno de Zezé Moreira em 1979 para fechar o ciclo do Hepta. Além de Evaristo, marcaram época no clube os treinadores Orlando Fantoni, Zezé Moreira e Carlos Froner. Não creio que Paulo Amaral tenho marcado época no clube. Já havia trabalhado no Bahia, sendo Campeão Baiano e 1967, mas, sempre achei um treinador forjado, haja vista que quando ele chegou na Bahia só tinha trabalhado como preparador físico e o único fato que o tornou famoso ou, melhor, famigerado aqui na Bahia, foi por ele ter invadido em 1968 os estúdios da Rádio Cultura na Graça, para dar uma surra no saudoso França Teixeira. Para o azar dele, França fugiu, impedindo o seu desígnio.

Já na década de oitenta, além do Bahia ter realizado boas campanhas em campeonatos brasileiros, culminando com o título do Brasileirão de 1988, de quebra, ainda conquistou sete títulos estaduais, com destaque para os trabalhos de Aymoré Moreira, Paulinho de Almeida, Orlando Fantoni que retornou, sem esquecer do grande campeão da década, o mestre Evaristo de Macedo. Passando para os anos noventa, no meu entendimento,  já numa década em que o Bahia conquistou poucos títulos (quatro títulos e meio). Isso mesmo  foram quatro títulos convencionais e “meio” título em 1999 em função daquela “laranjada” do Bavi e, com a marmota produzida por algum irresponsável, a FBF resolveu dividir o título para ambos, o único treinador que marcou época foi Candinho, quando finalizou o Brasileirão de 1990 com o time na 4ª colocação e ainda poderia ter ido mais além.

Sei que alguém vai dizer que fui injusto com Joel Santana, em função daquele heroico título estadual de 1994  com gol de Raudinei no finalzinho do segundo tempo, entretanto, a pirraça que ele fez ao torcedor na Série B de 1999 quando empurrou goela abaixo aquele esboço  de goleiro denominado Alex Guimarães, com o clube sendo um fiasco no quadrangular final e só disputando a Série A de 2000, graças a vergonhosa virada de mesa da CBF que de uma canetada só, tirou o Fluminense da Série C, colocando-o na Série A e o Bahia da B para a A, sem esquecer que em 2011 o clube foi pejorado por ele num programa de TV, encerrando seu ciclo no Bahia em 2013 com uma impiedosa goleada de 7×3 aplicada pelo Vitória. Portanto, na minha opinião, um treinador que tinha algum mérito no clube mas, acabou se transformando em persona non grata.

Chegando na década de 2000, período em que o Bahia sobreviveu ao pior momento da sua existência, imagino que em 2004, o saudoso Osvaldo Alvarez, o Vadão, poderia ter marcado época no Bahia, se tivesse conseguido o acesso à Série B, mas, no quadrangular final, inventou demais, ficou perdido e saiu deixando o clube na Série B.  Entretanto, após o clube peregrinar  por cinco anos na Série B e por dois anos na Série C, quem marcou época foi Márcio Araújo que conseguiu o acesso à Série A em 2010, sendo que o último treinador que fez história no Bahia, foi Guto Ferreira em 2016. Ele recebeu das mãos de Doriva, já na 13ª rodada Série B, um time frouxo, desarrumado e sem nenhum foco para o acesso e o “Gordiola” conseguiu remontar e motivar aquele time dentro da competição e ainda teve a proeza de vencer todos os nove jogos que realizou na Fonte Nova pelo returno da competição. Então, mesmo sendo de opinião que ele um treinador de perfil de Série B, em 2016, marcou época no Bahia ao conseguir o acesso.

Algum torcedor do Bahia pode inferir ou insinuar que tirei o mérito de Arturzinho pelo acesso à Série B de 2008, quando o time chegou ao octogonal após aquele dramático 1×0 diante do Fast de Manaus. Sinceramente, aquilo não teve mérito nenhum para o treinador, ali não teve nada a ver com futebol. Foi coisa do Além do Almeida, da mística do time, enfim, razões que à própria razão seria incapaz de explicar, porque o time era ruim, desorganizado e de pouca ou nenhuma qualidade, que nem o próprio torcedor acreditava e à grande prova que no público daquele jogo girou em dez mil pessoas.

Tenho certeza que cometi algumas injustiças ou falhas, até porque, nos últimos 50 anos, passaram dezenas ou centenas de treinadores pelo Clube e, seria tecnicamente impossível, analisar à relevância ou irrelevância do trabalho de cada um, restando ao prezado leitor fazer às correções ou inclusões que se fizerem necessárias através de comentários, criticando ou elogiando, pelo que agradeço antecipadamente.

#FiqueInCasa

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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