Goleiros que marcaram história no Bahia ou ficaram marcados pelo torcedor

Nadinho, Ronaldo, Emerson, entre outros marcaram época no Bahia

Existe uma máxima no futebol que diz: “Um grande time, começa por um grande goleiro!”. E é uma grande verdade porque, venhamos e convenhamos, mesmo que o time seja “meia-boca”, com ataque ruim, meio de campo inoperante e defesa fraca, se o goleiro segurar à onda, debaixo dos três paus, não deixando a redonda passar, no mínimo,  garante um placar de 0x0 no final do jogo. Inegavelmente, das onze posições existentes dentro de um time de futebol, a posição mais difícil, mais ingrata e mais cobrada, é a posição de goleiro. Deve ser uma árdua e difícil missão o sujeito se fixar dentro daquele seu quadrado superdimensionado, constituído por dois “postes” e um travessão, formando um enorme espaço, medindo  2,44m de altura por 7,32m de largura, totalizando um alvo de aproximados, 18,00m², cercado por uma pequena e uma grande área, reduto do campo que se constitui na famosa e perigosa zona do agrião, onde não é permitido o goleiro usar as mãos para pegar uma bola recuada pelo companheiro como, também, não  se permite que o camisa 1, toque na bola com a mão, fora daquele reduto, enfim, tenho certeza que o goleiro, além de já não ter vida fácil no decorrer de um jogo é, com certeza, o mais sacrificado pelas regras que norteiam uma partida de futebol.

 

Mesmo sendo torcedor do Bahia, acompanho o futebol em toda sua plenitude, ou seja, em todas suas categorias e praças e sei que todo grande clube já teve goleiros de vários matizes técnicos e, pela afinidade que tenho com meu clube, vou falar aqui a respeito de alguns goleiros que por lá passaram e marcaram época, outros, marcaram bobeira e ficaram marcados pelo torcedor, enfim. Aliás, quero sugerir a algum torcedor do Vitória, postar um comentário a respeito dos goleiros que já atuaram pelo seu clube, o que poderia servir até como contraponto ao meu comentário, até porque, sabemos que o espaço desse Blog, além de ser democrático, é isonômico.

No meu artigo pertinente ao “Bahia dos sonhos”, escolhi o jogador Nadinho como o melhor goleiro por entender que, além dele ter ajudado muito  o time conquistar um título de âmbito nacional em cima do poderoso Santos de Pelé, esteve cotado para jogar na Seleção Brasileira de 1962, sendo titular absoluto do Bahia por quase dez anos e  quando encerrou a carreira em 1968, ainda conseguiu estudar, se formou em Direito, foi um brilhante causídico e ainda se encontra vivo, já beirando seus 90 anos. Após sua saída, ainda atuaram no time, goleiros medianos, tipo João Adolfo campeão baiano de 1967 e Jurandir que foi campeão Baiano de 1970, mas, seu grande destaque, foi impedir que o Rei Pelé marcasse o seu milésimo gol na Fonte Nova na partida Bahia x Santos realizada em 1969, válida pelo então Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

O resultado do jogo foi de 1×1 com gols de Baiaco para o Bahia e Jair Bala para o Santos. O detalhe desse jogo foi que, além de Jurandir ter feito grandes defesas, foi ajudado pelo lateral esquerdo Nildo Birro Doido, que num lance em que o goleiro já estava “batido”, tirou uma bola de cima da linha, impedindo o milésimo gol de Pelé que acabou acontecendo três dias depois no Maracanã, contra o Vasco da Gama, que tinha o goleiro Andrada. Graças a Deus, eu estava presente no jogo da Fonte Nova!

Em 1972 o titular do Bahia era um tal de Picasso, um goleiro vindo do São Paulo por empréstimo, passou em branco no clube sem ganhar nada até porque, o campeão baiano daquele ano foi o Vitória, mas, em 1973, o Bahia contratou um excelente goleiro chamado Carlos Buttice, um argentino que pegava muito sabia sair muito bem do gol e foi titular absoluto do time que deu à arrancada para conquista do Hepta, saindo no final da temporada em função de uma irresistível proposta financeira do Corinthians. Na sequência, jogou Zé Luís e Rafael, mas, outro grande goleiro que brilhou no time e foi tetra dentro do Hepta, foi Luiz Antônio que também, escreveu sua história no clube, jogando e sendo titular quatro anos seguidos e emendando quatro títulos.

Já nos anos oitenta, tivemos vários goleiros: Renato, Roberto Bahia, Ronaldo, Sidimar, sendo que os destaques da década ficaram para Sidimar e Ronaldo. O detalhe é que o Campeonato Brasileiro de 1988 só foi finalizado em 1989 e, salvo engano, Sidimar pertencia à Portuguesa e estava emprestado ao Bahia até o final de 1988, inclusive, em ótima fase no Brasileirão e aí, o empréstimo do jogador venceu e a competição só finalizava no ano subsequente. O Bahia tentou prorrogar o empréstimo ou adquirir o jogador, mas, a Lusa não aceitou, desfalcando o Bahia, entretanto, Ronaldo Passos reassumiu à titularidade, pegou muito e resolvi colocar seu nome na galeria dos grandes goleiros do Esporte Clube Bahia, porque foi um dos grandes responsáveis por aquele antológico título, haja vista que, embora o Bahia merecesse vencer o Internacional no segundo tempo, houve no primeiro tempo, uma defesa dificílima e de grande reflexo do Ronaldo, evitando um gol do Inter que, com certeza, mudaria a  história da partida.

A década de noventa, foi um período atípico para o Bahia, em várias vertentes: escassez de títulos, problemas de ordem política, rebaixamento, formação de times inconsistentes e, sobretudo, a contratação de goleiros meia-boca, sendo que na minha opinião, o único que vingou e não comprometeu foi Jean (Pai). Os demais eram restos de goleiros, pelo menos, na minha modesta avaliação. Na época, tivemos o uruguaio Rodolpho Rodrigues, o camaronês William Andem e um mal projeto de goleiro chamado Alex Guimarães. O primeiro que ficou marcado pela torcida foi o R. Rodrigues, um goleiro que jogou em alto nível no Santos durante cinco temporadas e depois de passar por outros clubes, foi encerrar a carreira no Bahia, já beirando os 40 anos. Foi o responsável direto pela fenomenal ascensão de Ronaldo no futebol, após a acapachante goleada de 6×0 aplicada pelo Cruzeiro no Brasileirão de 1993, com cinco gols de Ronaldo e, de quebra, teve um lance que o goleiro “esqueceu” a bola na pequena área, o que  serviu para o atacante marcar mais um gol para consolidar, ainda mais, sua precoce consagração no futebol.

Já o camaronês William Adem, não disse para que veio e ainda por cima, caiu com o Bahia em 1997 para a Série B, enquanto que o tal de Alex Guimarães, salvo engano, genro do treinador Joel Santana, engoliu alguns “frangos” em jogos das semifinais da Série B de 1999, falhas que acabaram comprometendo o acesso do Bahia porque na época, só subiam dois clubes, com o Bahia ficando em 3º lugar, só disputando a Série A de 2000 graças a uma “virada de mesa” na CBF. Aquele maldito trio de goleiros ficou marcado pelo torcedor  como “personas non gratas” ao clube.

Entrando no século XXI, vou começar pelo goleiro Emerson Ferreti que nas quartas de final da Copa do Brasil de 1999, jogando pelo Juventude, fechou o gol no jogo de volta da Fonte Nova, impedindo que o Bahia avançasse às semifinais e, posteriormente, sagrando-se campeão da competição pelo time gaúcho, vindo para o Bahia em 2000. Foi Campeão Baiano em 2001 e Bi- Campeão do Nordeste 2001/2002. A partir de 2003, após aquela vergonhosa goleada de 7×0 aplicada pelo Cruzeiro  e com o rebaixamento em em plena Fonte Nova, começou a passar de herói a vilão, consolidando essa situação em 2005 no rebaixamento à Série C, se transferindo para o rival em 2006.  Outro goleiro que em 2011 aparentava indícios de ser idolatrado pelo torcedor pelas suas grandes atuações, foi o goleiro Marcelo Lomba que começou a cair em desgraça com o torcedor após as duas goleadas sofridas em 2013 na Arena Fonte Nova, caindo em desgraça total no Brasileirão de 2014, quando o clube foi rebaixado à Série B pelo Coritiba.

E para fechar o grupo de goleiros que ficaram marcados pelo torcedor, não poderia deixar de fazer o registro daquele frangaço que o Jean (Filho), engoliu no jogo de ida de Bahia 0x1 Ceará, em plena Arena Fonte Nova, com um público superior à 40 mil pagantes, comprometendo a conquista do título que o Ceará acabou conquistando no jogo de volta. A falha foi imperdoável e, por mais que ele tenha se superado depois sendo campeão baiano (2015) e da Copa do Nordeste (2017), inclusive, sendo vendido para o São Paulo, o estrago já tinha sido feito, ficando marcado pelo torcedor.

#FiqueInCasa

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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