Ídolos do Bahia agradecem ajuda e exaltam projeto “Dignidade aos Ídolos”

“Uma forma de devolver um pouco a eles o tanto que fizeram pelo Bahia”, frase perfeita do vice-presidente Vitor Ferraz que resume o projeto MAGNÍFICO desenvolvido pelo Bahia denominado de “Dignidade aos Ídolos”, onde ex-jogadores tricolores que passam por graves problemas financeiros receberão uma ajuda do próprio clube. O programa, aprovado por unanimidade pelo Conselho Deliberativo, oferecerá auxílio – de um até três salários mínimos por mês – a ex-jogadores em dificuldade extrema.

Ídolo tricolor dos anos 90, o ex-lateral direito Maílson, que defendeu o Bahia entre 1988 e 1995, foi o primeiro ex-jogador a receber ajuda do clube e, inclusive, um dos motivadores para a criação do projeto. Ele foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) em 2010, doença que limita os movimentos das mãos e pernas, além de atrapalhar a fala. A esposa do ex-jogador afirmou em reportagem ao UOL Esporte que já recebia ajuda de outras gestões do Bahia.

“O Bahia já ajuda o Maílson há uns cinco anos e eu agradeço tanto ao Bahia. Outros presidentes começaram a ajudar. Na época até o Mailson ainda falava arrastado, e ele procurou a diretoria do Bahia e pediu ajuda, e o Bahia cedeu no mesmo instante. Não era uma grande ajuda, mas ajudava de alguma maneira. E desta vez o presidente Guilherme veio com esse projeto Dignidade ao Ídolo e pensaram no Mailson”, disse.

Outro beneficiado é Zanata, ex-lateral tricolor, tricampeão baiano em 1986, 1987 e 1988. Ele mora no Rio de Janeiro com a filha de 10 anos e ainda convive com uma dívida com agiotas. “O que entrar ajuda. Hoje eu estou desempregado, mas eu sou treinador desde 2007, treinei o Icasa há dois anos, e o Icasa também não me pagou. Eu passo uma situação difícil com uma filhinha sozinha em casa. A mãe foi embora e aí eu tive que ir à luta. Até fora do futebol eu procurei um trabalho, corri para lá e para cá. O Bahia soube e deu essa ajuda entendeu. Eu ainda tenho metade para pagar [aos agiotas], ainda não consegui pagar tudo”, disse.



Com apenas 1,58m de altura, o baixinho Naldinho defendeu o Bahia no final dos anos 80 e no começo dos anos 90 e foi campeão baiano em 1991, 1993 e 1994. Ele é diabético, sofre de problemas na coluna e no joelho e receberá dois salários mínimos por mês do clube tricolor.

“Eu sou muito grato ao Bahia e a todos da diretoria, de coração, por esse projeto. Eu não estou passando fome, mas é uma soma para dar uma força para nós jogadores do passado que fizemos muito pelo clube. Eu acabei adquirindo algumas doenças: sou diabético, tenho que tomar remédio diariamente, tenho problema de coluna e joelho devido aos problemas dentro de campo no passado. A diabetes é uma coisa que vem me prejudicando muito e eu estou cuidando disso juntamente com a família, para que não venha acarretar coisa pior”, declarou.

Jogador que atuava tanto como volante como meia, Alberto Leguelé fez parte da histórica campanha do heptacampeonato estadual (1973 a 1979). Com o salário mínimo que receberá, ele pretende ajudar o filho e a filha, que sofre de Síndrome de Down.

“A gente tem um benefício de auxílio do INSS, é o que segura a gente, e a minha esposa também faz as coisas dela, do lar, sempre trabalhou também, e agora o Bahia vai dar essa ajuda para gente e que chega em boa hora também. Foi uma grande sensibilidade da diretoria atual. E foi o presidente Guilherme quem deu essa grande tacada”, disse Leguelé, hoje com 65 anos.

Prata da casa do Bahia, Jorge Campos defendeu o time tricolor de 1972 e 1977 e conquistou cinco títulos estaduais. Hoje aposentado, ele também receberá um salário mínimo para ajudar nas contas.

“Este presidente atual me surpreendeu, porque os outros não fizeram nada. E a ajuda veio a calhar. Bela atitude do presidente e de cada conselheiro, que escolheram os ídolos. O Bahia é um exemplo, e os outros clubes devem seguir isso. Tem outros jogadores precisando”, disse Jorge.

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