Bahia 0 x 0 Sampaio Corrêa: Um torcedor rubro-negro no trem do fracasso tricolor

No último sábado, prometi para a minha esposa, que a iria levar para conhecer todo o sistema metroviário de Salvador. Depois do almoço, fui para o Campo da Pólvora e deixei o veículo, num estacionamento lá existente. Só atravessamos a rua e entramos na estação.

Ao verificar ambulantes vendendo bandeiras do Bahia, lembrei-me que era dia da final do Campeonato do Nordeste. Pensei em desistir, mas lamentavelmente segui viagem. Chegamos no aeroporto, satisfeitos por esta grande obra. Problemático foi o retorno da viagem.

O TERROR PARA UM RUBRO-NEGRO, NA VOLTA

No retorno, ao entrar na estação Aeroporto, ao lado inúmeros passageiros vestindo a camisa tricolor, mais e mais outros foram entrando nas estações Mussurunga, Bairro da Paz, Tamburugy, Flaboyant, Pituaçu, CAB, Pernambués, Rodoviária e Detran. Tanta gente, que o sistema não esperava mais a liberação das portas e as fechava brutalmente em cima dos torcedores, forçando o recuo.

Ao chegar, na Estação Acesso Norte, teríamos que nos dirigir para a linha 1, destino Campo da Pólvora, objetivo de todos. Lá havia uma verdadeira multidão esperando o próximo trem. Pensei duas vezes. Perguntei ao segurança o que fazer e ele nos disse o óbvio realmente: “É melhor o Sr.pegar o trem para Estação final Pirajá e retornar sentado”. Obedientes, pelo bom senso, seguimos a sugestão, que foi mais confortável fisicamente. No retorno, torcedores foram entrando, nas estações Pirajá, Bom Juá e Retiro, mas a multidão que tinha visto nos esperava na Estação Acesso Norte. Não sei como não controlam a quantidade de usuários. Sentado, percebia que entre os torcedores não havia espaço nem para vôos de muriçocas.

O grave para minha pessoa, um rubro-negro, foi ouvir em alto som os gritos harmônicos da torcida tricolor, cantando não só o hino tricolor, mas e principalmente “palavras de ordem” contra o Vitória. Em todo o trajeto, quer o da linha 2, quer o da linha 1, num ambiente fechado os gritos uníssonos só contra o Vitória. Haja lixo, haja vice. Um visitante pensaria que era o jogo contra o rubro-negro e não contra o Sampaio Corrêa.



Sentado sorria, para aparentemente entrar no clima, porque me sentia como um judeu escondido num quartel nazista, como um cristão no meio dos radicais do Estado Islâmico. Pensei se ficasse sério, poderia ser decapitado. Um único rubro-negro no meio daquela multidão tricolor concentrada nos vagões, com portas fechadas, sem entrada e sem saída e com toda aquela gozação ou ódio contra o meu time.

A RESPOSTA INESPERADA

Ao chegar na Estação Campo da Pólvora, evidentemente esperei que aquela multidão desaparecesse das escadas rolantes, para não ser atropelado.

Foi uma viagem tensa e constrangedora para um solitário torcedor do Vitória. Que escolha infeliz em conhecer o sistema no dia deste jogo. Meu Deus! Foi alguma praga!

Antecipadamente, festejavam o título de Campeão 2018 do Nordeste e diziam que o Bahia era o melhor da região e haja gozações contra o Vitória. Não esqueçamos também que o rubro-negro foi eliminado vergonhosamente pelos maranhenses.

Na cabeça do torcedor, quem seria o Sampaio Correa? Time pequeno. 16º. colocado da Segundona, ameaçado de rebaixamento para a C. Na Série B, dos 6 jogos fora de casa, só ganhou um. E o Bahia? O todo poderoso bicampeão nacional, o melhor e maior de todos, segundo eles. Fonte Nova cheia, na “casa tricolor” (entre aspas) o massacre era certo e pela “insignificância” dos maranhenses (agiram da mesma forma que os sulistas fazem conosco) sobrou para o Vitória, pelo meu testemunho.

Fonte Nova lotada, palco perfeito, para o Bahia. Talvez até um salário de um jogador equivalesse à folha dos maranhenses. Gritante a diferenciação. Foram vendidas inúmeras faixas comemorativas de mais um título, segundo testemunhou uma emissora de TV. Apita o árbitro iniciando o jogo, emerge-se a certeza, nos microfones dos locutores e comentaristas, que se preparavam para o show do time do coração vermelho e azul que eles não declaram. Esses da mídia tricolor tiveram a cautela de executar gargarejos com o preparo de ½ romã com casca, 4 ramos de agrião e 3 colheres de mel. Aprendizagem lá da Feira de São Joaquim dos vendedores e conhecedores da receita natural. Presumiam muitos gols a narrarem e cada gol com duração maior, para inclusão no Guinness World Records.

Apito final. Lágrimas jorradas aumentaram o nível do Dique do Tororó. Como disse um jogador maranhense, humildemente: uma vitória de Davi. As gozações que meus ouvidos suportaram, foram incrivelmente vencidas, quando ouvi os lamentos dos perdedores, afirmando que foi um absurdo o Bahia estar VICE de um clube da Série B, que se encontra em 16º, na porta do rebaixamento, para a C. Hummm! Como ouvi tantos “vices”. Orgulho é alimento dos fracos e como diria Voltaire: “ O orgulho dos pequenos consiste em falar sempre de si próprios; o dos grandes em nunca falar de si.”

ATAHUALPA – Amigo e colaborador do Site Futebol Bahiano

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