Desapareceram! Sumiram os ídolos de Bahia e Vitória

Estamos carentes de ídolos! Ídolos no sentido mais amplo desse vocábulo. Hodiernamente, essa carência no futebol é nacional. Basta despontar uma grande promessa que tem uma história encurtada, efêmeros em quaisquer clubes do país e países vizinhos. O capitalismo faz com que um país, que até ontem, era insignificante no cenário futebolístico mundial, torna-se em um templo do melhor futebol praticado atualmente. Já que suas principais estrelas, são oriundas de outros mares. É uma concorrência legal e imoral, haja vista o caso mais recente do garoto do Grêmio, Emmanuel Ferreira, ou simplesmente Manu.

Refiro-me ao caso para alicerçar que hoje é quase impossível, manter no time como o Bahia, Vitória ou qualquer outro clube, um ídolo que possa ser lembrado e venerando como Bobó e tantos outros do passado. Ídolos passageiros, e o que estamos vivendo por enquanto, como no caso do Marinho, Talisca e tantos outros que só passaram… Sem deixar algo mais de saudade, que valha aclamá-los merecidamente como ídolos. Na realidade somos formadores de ídolos para glória do além-mares…

Triste sina atual do futebol do terceiro mundo! E o pior é que as crianças, os jovens da base, já estão contaminados pelo vírus Espanhol, só pensam antes de qualquer coisa em se picar para terra do Picasso. Esse aliciamento gerado pela mídia e pela a desigualdade social e econômica, está fazendo do nosso futebol, fazendo as devidas ressalvas, uma tragédia digna de “Guernica”. E não sabemos onde iremos parar. Os tidos e festejados “times grandes”, são domésticos. Fora das nossas fronteiras, também não passam de meros formadores de ídolos para outras praças.

Levando em conta que toda essa grandeza é disseminada na tela e terra da Rede Esgoto, que quem tem sua preferência é rei. E assim estamos fazendo filhos para os outros criarem… Somos meros procriadores dos ídolos deles, Mas até quando? Até quando iremos esperar por um novo Bobó, um novo Dida, um novo Vampeta, um novo Bebeto, Beijoca, Zé Carlos e cia… falam muito por aqui que quem gosta de passado é museu. Um adágio popular, sábio! Contudo que não tem passado, não tem presente nem jamais terá futuro. Podemos até mesmo ser Sardinha, Jahia ou outros vocativos pejorativos, faz parte da zoeira positiva da chusma que é rica em epítetos que engrandece o futebol. Mas que no fundo eles reconhecem que nos devem respeito, e como! Fomos grandes em duas ocasiões especiais. Fomos os melhores do Brasil, em uma região que pra eles do sudeste e sul, eivados de preconceitos sociais e raciais somos os piores.

Esquecem-se que já fomos a região mais ricas desse país. Assim como eles lá do sudeste e sul foram grandes ao conquistarem o mundial. Mas passado é passado, né mesmo! No passado fui jovem… mas graças esse passado só velho, porquanto poderia ter fadado no passado. No meio a toda essa diversidade, em que nossos times vivem, pode ser que a Copa do Nordeste possa nos redimir, do ostracismo da “Bola da Vez”, da “Resenha”, da “Redação” do “Bem, Amigos”.

Os dirigentes nordestinos têm em mãos, a melhor e mais atrativa competição do país, no primeiro semestre. Mesmo, sendo boicotada pela Rede Golpista. Se se a vaidade, o ego, o pensamento bairrista, o individualismos clubista não prevalecer, poderemos sim! Renascermos mais fortes como nunca, fazendo jus as palavras do mestre Euclides Cunha: “O sertanejo é antes de tudo um forte”, e sobreviver e passar por cima de todos os percalços que são comuns à região. Estão nas mãos deles, o destino do futebol nordestino. Quem sabe uma Liga, não sai daí? Para que possamos nos fazer, mais respeitados, e quem sabe conseguirmos no mínimo segurar nossos filhotes… promessas da base, para alcançarmos mais um título nacional… E mitigar essa falta de eternos ídolos. E quem sabe possamos, no porvir, repetir a célebre frase do sábio Bobó: “Esse título e para todos os nordestinos”. Pois estamos carentes de eternos ídolos, já que de

efêmeros estamos fartos!

Lázaro Sampaio, torcedor do Bahia, amigo e colaborador do Blog.