O atual nivelamento, por baixo, dos ex-grandes clubes do futebol brasileiro

Seria bom que essa degradação técnica e financeira servissem de reflexão e espelho

Foto - Fernando Alves/AGIF

Já se foi o tempo em que o futebol brasileiro tinha um condomínio fechado, formado pelos treze maiores e, teoricamente, melhores clubes do nosso futebol que era constituído pelos quatro grandes clubes do estado de São Paulo: Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo; os quatro maiores clubes do Rio de Janeiro: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama e ainda, as duas potências de Minas Gerais: Atlético Mineiro e Cruzeiro e os dois gigantes do Rio Grande do Sul: Grêmio e Internacional e um único e exclusivo clube da Bahia, Região Nordeste, o Bahia*, clubes que eram considerados os mais expressivos do futebol nacional, uma seletiva que culminou com a criação da União dos Grandes Clubes do Futebol Brasileiro ou, simplesmente, Clube dos 13.

 

A formação desse grupo ocorreu em meados de 1987 numa época em que a CBF passava por difíceis momentos de gestão, crises políticas, o que levou a própria instituição sugerir a criação dessa associação integrada pelos maiores clubes do futebol brasileiro, para negociar cotas de TV nas transmissões dos jogos das principais competições elaboradas pela CBF, um grupo que se manteve genuíno e coeso por dez anos, quando entre 1997 e 1999 começou a perder sua identidade com a entrada de sete clubes de menor expressão que, na época, foram: Atlético Paranaense, Coritiba, Guarani, Portuguesa de Desportos, Goiás, Sport e Vitória, descaracterizando o grupo que passou a ter vinte integrantes, mas, com a mesma denominação, sendo extinto em 2011 por conta do monopólio da Rede Globo nas transmissões dos jogos do Brasileirão e de outras competições importantes da CBF.

Como o mundo dar muitas voltas e o futebol não faz por menos, desde 2003 quando foi instituída a forma de pontos corridos para disputa do Brasileirão e já nesse mesmo ano, Botafogo e Palmeiras jogaram a Série B pela primeira vez em suas histórias, o Bahia recaía para Série B, passou dois anos na Série C, só retornando à Série A em 2011; já o Atlético Mineiro foi rebaixado em 2004; o Grêmio em 2006 e na sequência, tivemos mais quedas de muitos clubes fundadores do grupo, algumas isoladas: Corinthians e Internacional, outras repetidas: Bahia, Botafogo, Vasco da Gama e Cruzeiro, sendo que esses três últimos citados se encontram atualmente na Série B e apenas um deles figura no G-4 (Botafogo).

Nem citei as inúmeras quedas dos sete clubes que compuseram o grupo posteriormente, pois, com exceção do Athletico Paranaense que caiu poucas vezes, conquistou títulos nacionais e intercontinentais, além de fazer boas campanhas no Brasileirão, enquanto que os demais, têm se mantido no constante sobe e desce entre as Séries A e B, excluindo a Portuguesa de Desportos, detentora de um título da Série B e um vice de um Brasileirão, a qual, infelizmente, acabou se tornando um clube “fora de série” e, praticamente, inexistente ou esquecido no cenário nacional.

Fiz toda essa explanação porque, na condição de desportista, acompanhei todo o poderio técnico, político e financeiro exercido pelo seleto grupo dos treze, composto por grandes clubes que controlaram o futebol brasileiro por muitos anos no que se referia aos contratos de TV para transmissões dos seus jogos. Eram clubes de forte estrutura econômica que formavam grandes times que conquistavam, constantemente, títulos relevantes.

De uns cinco anos para cá, houve uma maior abrangência nessas quedas que atingiram clubes que jamais tinham disputado uma Série B, como foi o caso do Inter em 2016, mas, que subiu no ano subsequente e, o então todo-poderoso Cruzeiro que caiu em 2019 e já pelo segundo ano, está perambulando na Série B, com suas finanças combalidas, sempre brigando para não cair para Série C e sem perspectivas de acesso a curto ou a médio prazo à Série A.

Seria bom que essa degradação técnica e financeira de clubes que por anos a fio, foram expoentes do futebol brasileiro, servissem de reflexão e espelho para os gestores do Esporte Clube Bahia tentar modificar essa mentalidade tacanha e medonha de traçar metas pífias e mesquinhas, tão pertinentes e inerentes a times frouxos e medíocres que entram numa competição como meros coadjuvantes, com objetivos irrelevantes, passando a implementar ou implantar uma política consistente e agressiva no futebol do clube, estabelecendo metas ambiciosas e compatíveis para com um time que ao longo da sua gloriosa existência, sempre foi protagonista nas grandes competições que disputou, para que seus milhões de torcedores não assistam, mais um retorno à essa atual miscelânea da Série B como, também, não vejam o Bahia amanhã, como o Santa Cruz e a Portuguesa de Desportos de hoje, clubes que eram de menor expressão, mas, que já protagonizaram em grandes e importantes competições do futebol brasileiro.

(*) Fiz questão de ressaltar o Bahia porque, como pertence à Região Nordeste, sempre discriminada pelos povos das regiões ricas do país e, naquela ocasião não foi diferente. Já estava tudo articulado para compor o grupo, apenas, os 12 clubes clubes, mas, graças a habilidade, competência e prestígio do então presidente Paulo Maracajá, o esquema foi modificado com a inclusão do Esporte Clube Bahia.

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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