E agora Mr. Dabove, quem joga: Gilberto, Rodallega ou ambos?

A boa "Dor de cabeça" que qualquer treinador quer ter!

O futebol envolve alegrias, tristezas, comemorações, decepções, vibrações, frustrações, enfim, é um esporte que pelas suas imprevisibilidades e dinamismo é pródigo em aplicar “peças” em seus milhões de adeptos por ser capaz de transformar, em pouco espaço de tempo, situações favoráveis em adversas e vice-versa, como aconteceu no jogo do último sábado em que o então desacreditado time do Bahia venceu o bom e competitivo time do Fortaleza, num jogo que envolveu pontos extremos da tábua de classificação, haja vista que, enquanto o time do Bahia vinha de uma série negativa de oito jogos sem vencer e nos 24 pontos disputados só havia conquistado um mísero pontinho e ocupando a portaria do Z-4, uma nova derrota seria, seguramente, “a senha para proclamar a República do Deus nos Acuda”, como bem pontuou o meu amigo Dalmo Carrera em sua inteligente e pertinente análise.

 

O Fortaleza que vem sendo a sensação ou revelação desse Brasileirão e mesmo vindo de três empates seguidos, vem fazendo uma notável campanha no campeonato e desde o seu início, vem ostentando boas colocações dentro do G-4, grupo que no final da competição assegura aos seus integrantes as quatro vagas diretas à Copa Libertadores da América do próximo ano.

Após a estreia do técnico Diego Dabove no jogo diante o Fluminense, quando o time continuou sem vencer na competição, tivemos uma semana agitada, principalmente, por conta da ausência de Gilberto no jogo contra o Fortaleza, por ter sido punido pelo terceiro cartão amarelo, aumentando à desconfiança do torcedor por se tratar do artilheiro do time e, mesmo estando quase sem marcar nos últimos jogos, ainda é o principal goleador do time na temporada.

Como Deus escreve certo por linhas tortas e, no futebol não é diferente, sem falar na famosa paródia, há malas que vêm pra o trem, a punição disciplinar imposta a Gilberto para não enfrentar o Fortaleza, oportunizou a escalação do atacante Hugo Rodallega que entrou de primeira, chegou chegando e acabou sendo o Bam-bam-bam do jogo ao marcar os quatro gols e ainda achou pouco a boa posse de bola do time durante o jogo que resolveu ficar, definitivamente, com a posse da bola do jogo, levando-se para casa e entrando, com muitos méritos, na história do clube.

Aliás, o atacante colombiano, pelo que vinha acompanhando, não figurava na lista de pretensões do Bahia e só despertou o interesse do clube, após a desistência de outro atacante gringo que já estava quase acertado, mas, na hora de bater o martelo optou por jogar em outro clube, o que obrigou o tricolor a partir, a mil, para contratar o Rodallega, um ilustre desconhecido do torcedor do Bahia, mas, mais uma vez, Deus escreveu certo por linhas tortas e a contratação que muitos imaginavam que não vingaria, acabou logrando êxito.

A boa “Dor de cabeça” que qualquer treinador quer ter!

Sabemos que não se pode avaliar o potencial de um jogador por conta de um único jogo, mas, é inegável que um atleta que ainda se encontra em fase de adaptação ao futebol brasileiro; que tinha um alto índice de desconfiança do torcedor, pelo pouco ou nenhum futebol apresentado nos poucos minutos que atuou nos três ou quatro jogos anteriores, arrebenta num jogo difícil despejando um balaio de gols em cima de um adversário que vem brilhando na competição e no jogo subsequente, sentar no banco de reservas, não acredito nessa hipótese, porque o jogador está tão em alta no clube que até a camisa 23 devidamente, personalizada, já foi comercializada na loja oficial do clube.

Em contrapartida, estamos careca de saber que, embora Gilberto venha sendo o homem-gol do Bahia, já em três temporadas, o futebol é construído por resultados, que passam, por gols marcados e mesmo com o bom histórico de Gilberto nesse item, percebe-se que após não haver um acordo entre o atleta e o clube para renovação do seu vínculo contratual que se encerra no final do ano, houve uma inexplicável queda de produção que vem sendo sentida na escassez de gols, sendo que nos últimos jogos o atacante só marcou um gol e nota-se ele muito estressado dentro de campo, fatores que podem contribuir, decisivamente, para que o treinador inicie o jogo contra o Santos com o colombiano como titular.

Como o atacante Rossi saiu lesionado do jogo contra o Fortaleza, e precisará ficar cerca de 20 dias afastado se recuperando de um estiramento grau 2 na coxa, já que o Rodallega é um jogador ambidestro e que, além de atuar como centroavante atua, também, como atacante de beirada, imagino que o técnico Diego Debove poderá conciliar a situação escalando ambos no jogo contra o Santos, com Gilberto de centroavante e o Rodallega como atacante de beirada, substituindo Rossi, um ataque que pode dar um bom aproveitamento.

Finalizando, o que imagino é que a grande maioria da torcida do Bahia, onde me incluo, não ficará satisfeita ao ver um jogador que entrou desacreditado num jogo difícil, jogou muito, fez e aconteceu se consagrando ao marcar quatro gols numa partida que tinha o adversário como favorito, ficar no banco de reserva, só porque Gilberto é o titular do time, até porque, Roger Machado já se foi há muito tempo, juntamente com seu regime hierárquico.

Com a palavra, Mr. Diego Omar Dabove.

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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