Presidente de clube da Série A defende paralisação do futebol com o aumento dos mortos

Removendo a esquizofrenia do presidente, o dirigente enfatizou os 1.840 óbitos registrados no Brasil

O apelo do técnico Lisca, do América-MG, que pediu o adiamento da Copa do Brasil em razão do momento atual da pandemia no país, não agradou a todos e encontrou resistência do bolsonarista Renato Gaúcho que acredita justamente ao contrário. Segundo o técnico do Grêmio, o futebol distrai o torcedor ao lhe oferecer a opção de ficar em casa assistindo os jogos. O ex-jogador Richarlyson, que passou pelo Vitória, foi além, quando afirmou que Lisca celebrou recentemente um contrato milionário e por isto pode ficar em casa, além disso, acusou o treinador de usar da hipocrisia ao fazer o apelo.

 

Acima disso, o Presidente da República, completamente alheio aos 260 MIL MORTOS, garante que tudo não passa de frescura e mimimi, e não satisfeito com o tamanho do desapreço, aumentou o desrespeito ao perguntar: “Vão ficar chorando até quando?”, isto quinta-feira em Goiás.

Removendo a visão esquizofrênica do presidente eleito, dirigida a um público alvo e específico, normalmente composta por suínos e bovinos, as palavras mais fortes oriundas do âmbito futebolístico sobre o tema vieram de Andrés Rueda, presidente do Santos. Ele foi além do treinador e sugeriu, em entrevista concedida ao jornalista João Gabriel do Jornal Estado de São Paulo nesta quinta (4), a suspensão de todo o futebol no país diante do aumento de casos e mortes pelo coronavírus.

“Com dor no coração, a situação está nos assustando muito, estamos perdendo a sensibilidade, falamos de vidas que não têm sentido de serem perdidas. Qualquer medida para salvar uma vida vale”, questionado pela reportagem se defendia ou não a manutenção das competições.

“É uma opinião pessoal muito minha”, prosseguiu o mandatário. “O Santos cumpre os protocolos, mas praticamente o elenco inteiro já pegou. Seria mais prudente, embora doa na carne, entrarmos em um período de paralisação. Suspender o campeonato mesmo, embora as entidades tenham tomado um cuidado excelente.”

Para o dirigente, a pausa no futebol traria prejuízos aos times em relação às cotas de TV e patrocinadores, mas afirmou que isso não poderia estar acima de qualquer vida.

Rueda revela que o clube contratou dois infectologistas para rever todos os seus protocolos sanitários e aperfeiçoá-los. Também estuda realocar parte da estrutura de trabalho do clube para o home office. Apesar disso, ele sabe o impacto de uma paralisação para a saúde financeira do futebol brasileiro.

O dirigente enfatizou os 1840 óbitos registrados no Brasil em um recorde em toda a pandemia. O país também ficou, pelo 42º dia seguido, com a média móvel acima dos mil mortos. Números que colocam o Estado brasileiro no pior momento da crise sanitária.

“O protocolo [do futebol] é coerente, mas, mesmo assim, a coisa foge do controle de uma maneira geral. E o futebol também tem que ter uma participação no sofrimento, isso dói, mas precisamos parar”, completou Rueda.

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