A derrocada do Bahia na atual temporada nos leva à várias reflexões

Será que o Bahia continua sendo um clube da massa ou da elite Soteropolitana?

Fotos: Felipe Oliveira / EC Bahia

A derrocada em campo do Esporte Clube Bahia na atual temporada nos leva à várias reflexões. A mais noticiada dentro das arestas tricolores é os frequentes erros de arbitragem, entretanto é possível notar erros crassos desde o início da temporada, os quais merecem maiores holofotes. O comodismo de Roger Machado, a eliminação precoce na Copa do Brasil, e sua tardia saída que só ocorreu depois de ampla pressão da massa tricolor, sobretudo no vexame nas duas derrotas para o Ceará no Nordestão, que foram as redes sociais questionar à saída de Roger, a morosidade de trazer reforços, a frequente e absurda falta de disciplina técnica e mental, inclusive de Mano, que mais xingou à arbitragem que ajustou o time em campo.

 

É louvável dizer que a diretoria acertou ao renegociar direitos de transmissões, assumiu a mudança para a Cidade Tricolor e desativou o Fazendão, reduzindo custos operacionais e oferecendo melhor estrutura ao atletas, além de adotar o mais bem sucedido marketing social do futebol brasileiro. Mas não conseguimos ampliar nossos parceiros comerciais, infelizmente fazer permuta por ônibus, a título de exemplo, é muito pouco para grandeza do maior clube fora do eixo. O Bragantino encontrou sua solução ao fixar parceria com uma gigante do mercado de energéticos, capaz de invejar mais de 100 milhões de reais no clube, um valor virtuoso, principalmente no bojo da pandemia.

Por outro lado vivemos uma crise de identidade, qual é o tamanho do Esporte Clube Bahia? Se nós temos dúvidas, quiçá a imprensa sulista que quase sempre desdenhou do Esquadrão, sobretudo no submundo da terceira divisão. Nosso fracasso em campo em 2020 alivia os setores conservadores da mídia nacional que estavam incomodados com nossa ascensão no brasileirão do ano passado, no primeiro semestre, quando brigávamos no G6.

Já Guilherme Bellintani, foi reeleito por 86% dos votos válidos, uma diferença quase surreal ao oponente no pleito 2021/2023. Contudo, um indicador importante deixou de ser noticiado, apenas 11.589 votos computados dos 20.013 possíveis, isto implica numa abstenção de 42% do total votante, mesmo sendo liberado o voto digital. Parece muito evidente que a democracia tricolor está em vertigem, com abstenção tão alta, num claro sinal da falta de representatividade.

Será que o Bahia continua sendo um clube da massa ou da elite Soteropolitana? Mas tenham cuidado, se você criticar a gestão de Guilherme, os saudosistas irão dizer que somos da turma pró-Guimarães. Como se fossemos obrigados a dizer “Amém” aos recorrentes desmandos fora das quatro linhas, envolvendo, sobretudo, a diretoria.

Os fatos são que nenhuma agremiação de futebol será considerada profissional com um conselho deliberativo de 100 membros, é inconcebível, numa estrutura que mais parece uma bancada parlamentar de amadores, já que a grande maioria não tem noção de gestão esportiva, finanças, governança, auditoria e Compliance, assumindo uma conduta passiva em relação aos erros da diretoria.

O Bahia dará o maior saldo do esporte brasileiro, ao ser o primeiro grande clube do Brasil à aderir uma estrutura, verdadeiramente, de Sociedade Anônima (S/A). Sim, vários clubes evoluíram dentro e fora de campo, após adotarem uma estrutura real de governança, com maiores investimentos, profissionalização da gestão. Mas as verdadeiras mentes das trevas querem sustentar este modelo defasado que transformam a maioria dos clubes brasileiros, em estruturas deficitárias, de alta sonegação fiscal, e palanque de políticos que usam as instituições para interesses duvidosos.

Mas a elite tricolor, em suma maioria, quer sustentar as panelinhas, os agrados recebidos como camisas, jantares oficiais, entre outros. Sustentar o status Quo de ser conselheiro, suplente, de circular nos grupos políticos que mais parecem partidos.

Parei de acreditar na ‘’democracia’’ tricolor quando fui banido do Facebook Oficial do Esquadrão ao questionar a venda de Bruno Paulista, por um valor muito abaixo da multa rescisória, onde um agente externo foi o intermediário da negociação, numa transação muito suspeita, pois o agente tem que ser interno, externo pode defender interesses que não são interesses do Bahia. Na época, 2015, era só mais um sócio patrimonial, feito de trouxa, e ao acusar o sistema ‘’democrático’’, o conselho foi omisso. Sendo obrigado pela minha consciência a recorrer à ‘’justiça’’, infelizmente o processo correu no tribunal mais corrupto do país, o TJ-BA, acostumado vender sentenças envolvendo grandes interesses.

Na época, fui acusado e ameaçado, por alguns torcedores nas redes sociais, de não ser torcedor do Esporte Clube Bahia, se minha única alternativa for ser submisso à diretoria, então realmente não sou torcedor do Esporte Clube Bahia, afinal democracia não é a ampla defesa do contraditório? Por fim, o futebol perdeu o encanto, já em campo, vejo muitos jogadores recebendo fortunas, fora da realidade esportiva da maioria dos atletas do país, para promover um futebol medíocre, sem entrega, sem motivação, afinal o salário pinga todo mês na conta.

Precisamos rediscutir o modelo de futebol que queremos no Brasil, com tendências de ficar obsoleto e ofuscado, por atletas que, muitas vezes, não valem o que custam. Por dias melhores à ‘’democracia’’ tricolor.

Luigi Bispo, Tecnólogo em Processos Gerencias, Pós Graduado em Gestão Esportiva, MBA em Gestão Executiva e Liderança Estratégica, Pós Graduando Controladoria, Auditoria e Compliance e Torcedor do Esporte Clube Bahia.

 

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