17 clubes do Brasileiro da Série A com nome sujo na praça; Bahia entre eles!

Em matéria publicada na manhã desta quinta-feira pelo jornal Folha de São Paulo em artigo assinado por Carlos Petrocilo, aponta que entre os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, apenas 3 — Palmeiras, Ceará e Goiás— não têm títulos protestados no Serasa. Os outros 17 times contabilizam 621 protestos, que somam R$ 8,3 milhões em cobranças, segundo consulta atualizada no último dia 20. O Esporte Clube Bahia ainda em processo de reestruturação depois de anos e anos abandonado está no bolo com valores pequenos: O tricolor tem 12 protestos registrados, entre abril de 2015 até março de 2017, num total de R$ 46,5 mil, sendo que não reconhece 4 deles.

 

“Não reconhecemos quatro protestos. Em outros cinco, o fabricante emitiu notas fiscais irregulares e não consegue dar baixa. Os outros três são gastos de hospedagem da gestão anterior”, afirmou Guilherme Bellintani, presidente do clube baiano ao jornal.

Os times do Rio de Janeiro estão entre os que mais devem. O Fluminense acumula 95 registros e uma dívida total de R$ 1,768 milhão desde 2017. Depois vem o Vasco com R$ 1,674 milhão e 71 títulos. O Botafogo acumula débitos de R$ 1,341 milhão.

Com o maior orçamento da Série A, o Flamengo tem 33 títulos, que somam R$ 130 mil. Procurados pela Folha, Flamengo, Fluminense e Vasco não quiseram se manifestar.

As cobranças com registro no sistema do Serasa são a menor parte do problema de endividamento do Botafogo. O cube do Rio acumula R$ 750 milhões em débitos totais, que inclui dívidas fiscais e trabalhistas. Desde o início do ano, após a Caixa deixar de investir no futebol, o time não tem patrocinador principal na camisa. Em 2019, jogadores já relataram atrasos de salário.

O time carioca encomendou um projeto à consultoria EY que prevê a constituição de uma Sociedade Anônima para assumir a gestão do clube e captar investimentos.

Há na Câmara de Deputados um projeto para criar uma lei que incentive os clubes a virarem empresa. O texto do relator Pedro Paulo (DEM-RJ) prevê facilidades para equipes que aderirem ao novo modelo no refinanciamento de dívidas. Constituídas como associações — entidades sem fins lucrativos—, as equipes poderão, segundo o texto do projeto, propor um plano de pagamento de débitos nos moldes de uma recuperação judicial.

Entre os clubes da Série A, o Internacional é quem mais acumula registros no Serasa. São 161, entre dezembro de 2014 até agosto deste ano. Em terceiro vem o Grêmio, com 83, entre outubro de 2014 até abril deste ano. As dívidas do time colorado somam R$ 1,028 milhão e as do tricolor, R$ 603 mil.

“Desde 2018, o Grêmio vem trabalhando intensamente na solução desses casos, tanto que, neste ano, o clube reduziu 65% dos valores dos protestos, além de 43% na diminuição de quantidade de títulos”, disse Fabiano Wurdig, diretor executivo de controladoria do clube. “Os valores não chegam a impactar no dia a dia da equipe. O que se tem atualmente pendente, em sua maioria, está sendo discutido no Justiça”.

Entre os paulistas, o Corinthians contabiliza 52 títulos protestados, que somados chegam a R$ 780 mil. O Santos tem cinco (R$ 8.756). O São Paulo aparece com um, de R$ 4.073, inscrito no Serasa no dia 20 de março deste ano.

Segundo a assessoria de imprensa do Corinthians, oito protestos e o total de R$ 86 mil estão sendo discutidos na Justiça após desacordo comercial. Outros sete, no valor total de R$ 350 mil, foram registrados por uma empresa que entrou em processo de falência – nesse caso há uma discussão judicial e o devedor precisará realizar um depósito em uma conta determinada por um juiz.

Em Minas Gerais, o Cruzeiro reúne 27 títulos protestados em quatro meses, de março a agosto deste ano, que totalizam R$ 519 mil. O Atlético-MG apareceu na pesquisa com um registro, de R$ 2.600 desde o dia 4 de julho. Após a Folha solicitar entrevista sobre o assunto, a assessoria de imprensa do time alvinegro enviou um comprovante de pagamento.

Campeão da Copa do Brasil, o Athletico-PR tem quatro protestos que somam R$ 115 mil, desde junho de 2018.

“O principal é um com valor de R$ 100 mil, refere-se a um serviço não entregue na forma contratada. O Athletico fez depósito judicial”, afirma Lincon Lopes Ferraz, diretor financeiro do clube. “Os outros três são valores menores, pagamos um, e os outros dois referem-se a fornecedores de nossa loja oficial, que não entregaram as mercadorias e irão baixar o protesto.”

O Avaí, lanterna do Campeonato Brasileiro, tem 21 protestos desde 2014, que somam R$ 58,2 mil. O presidente Francisco José Battistotti admite que há dívidas, mas não reconhece o valor indicado no serviço de proteção ao crédito.

Já o CSA nega que haja títulos protestados do clube, apesar de dois estarem no sistema do Serasa. Eles somam R$ 36,2 mil.

“Estou surpreso, quitamos todas as dívidas do clube, tanto cível e trabalhistas. O CSA não deve nenhum centavo, inclusive fizemos um empréstimo para pagar a premiação pelo acesso à Série A e não constou nenhuma restrição. Vou procurar saber desses dois protestos”, afirma Rafael Tenório, presidente da equipe de Alagoas.

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