Torcedora do Bahia relata assédio e desrespeito na Arena Fonte Nova

Falta de respeito sempre foi comum em estadio de futebol.

Uma jovem torcedora do Bahia relatou ter sido assediada por homens na partida do tricolor de aço contra o AVAÍ na Arena Fonte Nova em jogo que fechou a terceira rodada do Campeonato Brasileiro da Série A. Ela usou as redes sociais para contar o que sofreu nas arquibancadas.

A postagem da torcedora de nome Maria Ribeiro foi alvo de matéria veiculada pelo site UOL através do jornalista Marcello de Vico que deu repercussão e publicidade ao fato, aliás, infelizmente COMUM em estádios de futebol, além disso, ouviu a torcedora que contou em detalhe o ocorrido.

“Começou com um grupo de homens completamente bêbados que queriam ficar entre nós mulheres porque ‘são lindas estão embelezando o estádio’. Depois disso passei a me incomodar com os outros assédios que são rotineiros”, registrou a torcedora.

“O simples subir e descer uma escada para ir ao banheiro ou comprar cerveja é uma desgraça, é passada de mão, é piadinha… Eu vou tanto aos jogos que já tava naturalizando isso, mas ontem com os ataques e xingamentos do cidadão bêbado, o jogo já não foi muita coisa para mim”, disse. “Aliás, uma correção: assédio nunca é normal. Ontem extrapolou a média de situações que acontecem conosco, na torcida”, acrescentou Maria Ribeiro.

A postagem da torcedora, ocorrida na manhã de hoje, logo ganhou apoio do próprio Bahia, que respondeu da seguinte forma: “Respeitem as mulheres, p…! Prometemos agir em relação a isso, Maria. Podem nos cobrar depois”.

Maria Ribeiro contou que faz parte do Tricoloucas, grupo de torcedoras que costumam ir a todos os jogos do Bahia na Fonte Nova. Ontem, não foi diferente. Porém, depois da provocação de um torcedor, deu-se início a uma confusão nas arquibancadas.



“Eu faço parte de uma torcida organizada do Bahia que é exclusivamente feminina, as Tricoloucas. Cada uma de nós tem diversos casos de machismo no estádio, e com o grupo também, mas como ontem foi a primeira vez que aconteceu de uma forma mais direta, tanto a discussão quanto a ameaça”, revelou.

“Um rapaz pediu licença a uma integrante porque iria assistir ao jogo ‘no meio das mulheres lindas’. A integrante informou que ali era uma torcida exclusivamente feminina e que ele poderia passar, assistir ao lado, mas no meio da gente. Após isso começaram as ofensas e palavrões. Ele voltou para onde estava [a uns 5 metros] e começou a fazer gestos obscenos com seu órgão sexual, direcionado a nós. Começamos a rebater os xingamentos. O mesmo ameaçou verbalmente a agressão física. Um rapaz atrás de nós falou que se ele partisse para cima, iria nos defender. Os ânimos se acalmaram um pouco, mas um dos caras parou de assistir ao jogo e ficou encarando a gente. Quando o intervalo começou, eles saíram de onde estavam”, disse.

De acordo com Maria Ribeiro, nenhum funcionário da Arena Fonte Nova apareceu para intervir, apesar de a confusão ter sido muito localizada.

“As pessoas em volta falaram que se eles viessem a fazer algo, iriam partir para cima também. Mas vale muito a pena frisar que somos contra a violência em diversos níveis, e que nesse momento, nossa presidente Stefani Coutinho acalmou os ânimos, não estamos ali para isso, sabe? Queremos assistir nosso jogo, ocupar um lugar que é nosso, porque é um lugar de todos e todas. O futebol é um patrimônio do brasileiro e brasileira, e nós vamos ocupar esse lugar. Eu sou apaixonada pelo meu time assim como qualquer torcedor”, acrescentou.

Além da denúncia nas redes sociais, Maria Ribeiro procurou o clube e órgãos que possam ajudar a transformar as arquibancadas em algo mais respeitoso para as mulheres.

“Ontem durante o intervalo eu encontrei uma tropa da PM e até pensei em relatar, mas eram somente homens, acabei recuando. Hoje eu acordei e quis apenas falar no Twitter sobre uma situação que acabou se tornando corriqueira, infelizmente. Aí gerou uma repercussão, já conversei com o clube, e a ronda Maria da Penha na figura da Major Denice já se disponibilizou para um diálogo”, declarou Maria, que disse confiar no Bahia para futuras atitudes sobre o caso.

“Eu confio muito no meu clube, mas também vou cobrar, sem cobrar, nada se consegue”, completou.

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