O bom futebol do tricolor e as desculpas de Carille: Análise de Bahia 3 x 2 Corinthians

"O toque de bola e a boa marcação começam a aparecer"

Foto: Tiago Caldas

Os monossílabos expressam muito melhor as emoções, tanto pelo imediatismo quanto pela possibilidade de se transformar em grito ou em desdém. Até mesmo quando usamos uma palavra dissílaba ou trissílaba, nos esforçamos em transformá-la em monossílaba, para ela soar mais imponente. A gramática emotiva aqui mencionada me reporta ao jogo de estreia do Bahia, cujas emoções me levaram do sono aos monossílabos.

Como sempre, sentei do lado direito do sofá, coloquei o celular no braço direito, desliguei o ventilador e pedi a minha esposa para sentar ao meu lado. Dessa vez, exigi que ela interrompesse a série a que assistia, para não tomarmos gol logo no início. Eu havia acordado do sono pós-almoço domingueiro recentemente, mas assistir ao jogo, no início do primeiro tempo, foi difícil. Jogo amarrado no meio, os goleiros tranquilos, nada que provocasse qualquer entusiasmo. Um peteleco de Ramires, uma tabaca de Fernandão e nenhuma ameaça a Anderson ou Cássio. Até Fernandão estava distante da área, tirando de mim monossílabos preguiçosos, de quem não quer ter seu cochilo atrapalhado.

 

De repente, vem o vacilo do Lucas, Ramires e Moisés, pra os caras deixarem o atacante acertar um chute da entrada da área. Joguei logo uma monossílaba preguiçosa: rum! Acordei do cochilo com Arthur Caíke empatando. Fiquei calado, em sintonia com o desânimo da comemoração do camisa 77. Minha mulher tinha saído pra molhar as plantas, nem tinha graça comentar. Aproveitei que o primeiro tempo acabou, cochilei uns 20 minutos e voltei para o segundo tempo de olhos despertos.

O Bahia acordou também. Voltou melhor, querendo ganhar o jogo. Moisés acertou um lindo chute na trave, o qual Ramires, no rebote, tenta imitá-lo de maneira horrenda. O Corinthians segue inofensivo, apenas com Clayton tentando dar trabalho a Nino, que estava inspirado, e alguns chutes de longe. O Bahia segue rondando a área adversária, ainda com dificuldade de furar bloqueios defensivos. Aí, lá perto dos 30, o Corinthians cansa e Roger coloca Rogério. Quem disse que o Corinthians acompanhou a correria… Metemos o 2º em um contra-ataque muito bem tramado pela esquerda – reagi com uma dissílaba pra acordar o vizinho. O terceiro também, em contra-ataque, com direito a um trissílabo: golááááço!!!!! Depois calei-me com um sorriso, encantado com o toque de bola do time.

O adversário fez um gol perto do final do jogo. Gol bonito.

O Bahia criou menos que em jogos anteriores, mas foi seguro, conseguindo manter o controle do jogo. O toque de bola e a boa marcação começam a aparecer. Achei a recomposição lenta; tanto defensiva, quanto ofensivamente, houve demora nos retornos. Mas ganhamos bem de um time forte, embora com desfalques. Carille, técnico adversário, disse que o Bahia gozou de uma semana mais tranquila, que o Corinthians entrou mais desgastado… Entendo as desculpas, mas enviei mentalmente para ele, um desejo de viagem, que uma monossílaba não seria suficiente. Mandei uma frase e, por respeito à patroa, faculto-lhe as reticências: Vá…!

Luís César Padilha, torcedor do Bahia, amigo e colaborador do Futebol Bahiano.

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